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Intemporal inquietação, por Carlos Tomé

Cultura  »  2019-07-03 

Quando os primeiros acordes da Gare de Austerlitz se fizeram ouvir no Estúdio Alfa, em Torres Novas, no último sábado de Junho, fui imediatamente transportado para a o concerto do José Mário Branco na Aula Magna, em 1982. Foi uma viagem no tempo de quase 40 anos. Os LaFontinha levaram-me, por simples toque de magia, de Torres Novas a Lisboa e a mesma extraordinária beleza do momento e a mesma inquietação inexplicável daqueles tempos pairaram no ar. Pura magia, porque voltei a sentir as mesmas emoções, aquela indefinida sensação de o que se estava a passar ser muito bom e de ser intransmissível, ser nosso para sempre. A intemporal inquietação assomou novamente à tona de água e entrou de novo em nós, porquê não sei, porquê não sei ainda.

Não foi só beleza, o que se sentiu vindo do pequeno palco do Estúdio Alfa. Foi também isso, claro, mas esteve muito longe de ser a repetição mecânica e impessoal das diversas obras de arte ali exibidas. Os LaFontinha fizeram o mais difícil: tornaram a obra de José Mário Branco uma companhia ali ao pé, era possível tocar-lhe sentir a travessia do deserto, sentir o FMI, estar sentado com esse manifesto histórico fazendo-nos companhia ali mesmo ao lado. “Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois”.

O espectáculo foi uma sentida e sincera saudação a José Mário Branco, como os LaFontinha já tinham feito com José Afonso e com Fausto, mas foi também uma partilha de prazer, um momento de compromisso e empenhamento, uma conjugação solidária de sonhos, de pensamentos e de caminhos. Foi também a força que vem de dentro, sentida e sincera, a capacidade de intervenção, a genialidade, a intimidade, a ironia, a luta dos homens, a “bandeira vermelha bem alevantada”, “de quem é o Carvalhal?”, e a resposta sentida, colectiva, vinda lá de dentro, não gritada mas bem audível, “’É nosso!”, o questionamento, a inquietação, a escolha de uma margem de certa maneira, a margem do outro lado, é esta a nossa margem, a necessidade cada vez mais urgente de “ser solidário assim para além da vida, por dentro da distância percorrida, fazer de cada perda uma raiz e improvavelmente ser feliz”.

Cada acorde, cada som, cada palavra, revelam as características que as canções de José Mário Branco sempre encerram. Houve gente, mesmo ali à nossa frente, que foi possuída pelo espírito da intemporalidade que andava pela sala à solta, “amando a inquietação que permanece para além da inquietação que me apetece”, e conseguiu transmitir esse espírito à medida que se ia libertando das amarras, como num exorcismo ateu, “cá dentro inquietação, inquietação, é só inquietação, inquietação”.

São sempre mais dúvidas do que certezas, mais perguntas do que respostas: “ensinas-me a fazer tantas perguntas na volta das respostas que eu te trazia”, assim foi esta cena, pá.

Para finalizar a saudação com chave de ouro, nada melhor do que as vozes em coro de vinte crianças torrejanas. Nunca mais se esquecerão do acontecimento, perfiladas no palco, recuperando o Coro dos Gambozinos criado para o CD “Resistir é vencer”, para explicarem por que razão a beleza é uma suave emoção. A verdadeira obra-prima que é o “Canto dos Torna-Viagem”, em que se espreita a história de outro ponto de vista, ou como aí se canta, “ver a coisa ao contrário, do ponto de vista de quem não chegou, pois se eu fosse um preto chamado Zé Mário, eu não era quem eu sou”, subiu ao palco do Alfa e foi cantada por duas vezes, mas poderiam ser muitas mais pois esta canção vale mais do que milhentos escritos contra o colonialismo ou contra o racismo.

E novamente me enterrei no cadeirão da Aula Magna lisboeta, ou na cadeira do Estúdio Alfa torrejano, e só me levantei para saudar, há 40 anos, o José Mário Branco, e agora os LaFontinha, que espalharam por todo o lado a intemporal inquietação.

 

 

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