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Rita Damásio: um horizonte largo e belo

Cultura  »  2017-03-21 

O princípio da história é conhecido, pelo menos por todos quantos estão atentos à música que se fez e faz por cá e aos protagonistas que lograram alcançar níveis mais elevados: Rita Damásio debutou por grupos de garagem de Torres Novas e Riachos e começou a sua carreira nos Cardilium, de Torres Novas, uma banda alinhada com a tendência gótica, nesses loucos anos 90 da grande explosão da música moderna no concelho.

Passou igualmente pelos AlémMar, radicou-se em Lisboa e experimentou os caminhos do jazz. Cantou também com Tito Paris, Princezito (Cabo Verde), Paulo Flores, Kalaf Angelo, entre outros. Em 2008, com a saída de Teresa Salgueiro dos Madredeus, tornou-se a cantora (juntamente com Mariana Abrunheiro) escolhida para rosto do grupo de Pedro Ayres, mas os Madredeus estavam já na fase de uma certa dissolução conceptual e neles terminou, em pouco tempo, a participação de Rita Damásio.

Nos últimos tempos, Rita tem trabalhado na locução para publicidade, mas continua empenhada em grandes causas. É co-fundadora da AP-IMIDIWAN, uma ONG com base em Niamey, Níger, que se dedica ao apadrinhamento de crianças nómadas tuaregues. Paralelamente, tem tentado definir uma carreira a solo e a saída de “Peregrina”, há uns meses, tem sido pretexto para algumas apresentações ao vivo em pequenos recitais, como aquele que realizou na Casa da Música, no Porto.

O disco resultou resultou de uma crença quase impossível de Rita: trabalhar com produtores de Lhasa de Sela, a sagrada Lhasa que ela tanto ouviu na adolescência. Jean Massicotte e François Lalonde responderam ao seu apelo e ajudaram-na na gravação de “Peregrina”, onde ela empresta a beleza funda da sua voz e do seu talento a um par de canções extraordinárias. “Largo Horizonte”, que dá início ao disco, é uma canção enorme em qualquer parte do mundo e, estivesse Rita no mainstream de quem edita os êxitos, a canção ficaria a marcar estes últimos anos da música portuguesa.

É verdade que se começa a ouvir o disco e vem-nos à memória, de imediato e sem contemplações, Lhasa de Sela: a semelhança dos desenhos vocais, a voz sussurrada, o tom, e muito os arranjos instrumentais, esses sim a parecer saídos de um disco da malograda cantora franco-canadiana e de pai mexicano, tornam a experiência quase arrepiante, ressuscitando a voz e a alma de uma artista que do céu nos espreita com a eterna música que nos agarra pelo coração.

Não se trata de plágio estético, de colagem formal ou de apropriação: Rita Damásio sente-se inspirada por Lhasa e isso é bom. E tomáramos nós que essa inspiração, que outros artistas foram beber a tantos outros, dê a Rita Damásio a força para trilhar os belos caminhos que vão dar a um horizonte promissor: o horizonte do seu talento e da sua vontade.

“A Rita encontra-se no amanhecer da sua carreira individual. A sua voz tem a beleza nocturna do veludo, a doçura do toque da seda, a profundidade dos credos e das orações, a poesia de um quadro de Chagall, é de um atordoamento feminino e profundo. As canções que ela propõe agora são belas, são emanações dela, das flores da árvore que ela é, são puros pássaros sonoros, têm a amplitude dos arrepios que nos atravessam e nos arrebatam”, escreveu para ela Denys-Louis Colaux, escritor e poeta belga. Fica dito. Ouça-se Rita Damásio.

(Rita Damásio, 2016, Peregrina, EP: “Largo horizonte”, “Uma Prece”, “Lado Nocturno”, “Uma tempestade”, “Salomão”, “La Nuit”)

 

 

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