Um benfeitor da nossa terra - Vítor Antunes
Cultura » 2026-02-18
A José Ribeiro Sineiro, por ter revelado esta singular figura torrejana
Caro leitor! O retrato a óleo que acompanha o presente artigo deve-se a um célebre pintor catalão, Lluis Vermell, que viveu e trabalhou em Portugal onde, a 5 de Maio de 1881, veio a falecer no Hospital Real de Santo António, da cidade do Porto.
Artista plurifacetado, Lluís Vermell i Busquets (1814-1881) salientou-se pelos seus estudos e restauros de obras de arte do património nacional e, fundamentalmente, no domínio do retrato, no qual se revelou um exímio executante. O seu enorme talento artístico chamou a atenção do rei-artista, D. Fernando II, que o honrou com o título de escultor e entalhador da sua Casa Real.
Viajante inveterado, Lluís Vermell andou por Itália, Espanha e também por diversos lugares do nosso país. Desconhecida era a passagem do denominado “Peregrino Espanhol” pela então vila do Almonda. Isso só foi possível aferir através do presente retrato por ele feito, em Torres Novas, na pretérita data de 1877. Conjecturamos que a sua permanência na vila ocorreu, sobretudo, com o objectivo de conhecer ou restaurar alguma obra de arte sacra de umas das principais igrejas torrejanas.
Se em relação a esta circunstância não temos qualquer dado, já quanto à feitura do retrato a óleo de umas das mais carismáticas personalidades torrejanas do século XIX, não resta a mínima dúvida, dado que o pintor catalão assinou na tela o seu nome, a data e o local da execução de tão inestimável pintura. Desafio o leitor a tentar identificar a ilustre personagem do citado quadro. Uma pista: pelos serviços prestados em prol da comunidade torrejana, o seu nome encontra-se gravado na toponímia local numa zona limítrofe da actual cidade que esteve integrada numa das suas herdades.
No caso desta minudência não ser suficiente, acrescento um elucidativo detalhe: as primeiras colecções de postais ilustrados torrejanos pertencem à sua casa comercial que se encontrava na actual Praça 5 de outubro.
Se tem à mão um desses postais antigos da vila torrejana, deu conta de que o insigne cidadão que pretendemos desvendar dá pelo nome de António Manuel Ferreira (1815-1893).
Nascido no lugar de Louredo, freguesia de São Cosme do Vale, pertencente ao concelho de Vila Nova de Famalicão, a sua chegada a Torres Novas aconteceu na remota data de 1852. No ano seguinte, António Ferreira é já um dos destacados comerciantes da vila, com estabelecimento aberto na principal praça torrejana. O seu espírito empreendedor e sagaz leva-o a estender os seus negócios a diversos produtos e ramos comerciais. Além do mais, investe parte da sua riqueza em propriedades e imóveis. Em 1871, compra em hasta pública o edifício outrora pertença do 1.º Conde de Torres Novas, António César de Vasconcelos Correia (1797-1865). Para quem não saiba é o imóvel onde, há bem pouco tempo, esteve instalada a Câmara Municipal de Torres Novas, e hoje é um espaço onde se encontra sediado, entre outras entidades, o Gabinete de Estudos e Planeamento Editorial. Nos anos de 1872 e 1876, adquire, respectivamente, a Quinta do Mato de Baixo e a Quinta do Mato de Cima, tendo sido registadas com a actual designação: Quinta do Mato.
A par da sua auspiciosa faceta de comerciante, António Manuel Ferreira não descurou a sua acção cívica em benefício da comunidade torrejana. Em 1862, vêmo-lo como um dos fundadores da Assembleia Torrejana que, mais tarde, deu lugar ao conhecido Club Torrejano. Também é de referir o seu envolvimento na Associação Mutualista do Montepio de Nossa Senhora da Nazaré (foi distinguido como sócio benemérito com direito a fotografia na sala de reuniões da direcção). Não menos importante, o respeitável cidadão António Ferreira chegou a ocupar diversos cargos políticos na edilidade torrejana. Em 1868 foi eleito vereador, cargo que exerceu ao longo de vários mandatos, defendendo de forma inexcedível os interesses dos torrejanos e da sua querida vila adoptiva.
O seu meritório papel dentro da comunidade torrejana não findou com a sua morte, a 5 de Agosto de 1893, aos 78 anos. Os seus sobrinhos - herdeiros da sua avultada fortuna - prolongaram a memória do impoluto e visionário cidadão, António Ferreira, através de diversos empreendimentos que muito contribuíram para o desenvolvimento social, económico e desportivo de Torres Novas. A título de exemplos, salientamos o papel dos irmãos Aristides José Ferreira (1864-1972) e José Manuel Ferreira (1874-1947) nos primórdios do surgimento da luz eléctrica na vila e na criação da conhecida Empresa Industrial de Electricidade do Almonda (Central do Caldeirão), ou do envolvimento dos descendentes da família Ferreira na fundação do jornal “O Almonda” (1918) e na construção do saudoso Almonda Parque. Outrora zona de lazer, destinado à prática desportiva, onde a equipa do Torres Novas Futebol Clube logrou diversas tardes de glória.
Para complementar a nossa abordagem de uma das figuras mais importantes do século XIX torrejano, nada melhor que observar novamente o citado quadro a óleo de Lluís Vermell i Busquets. Em primeiro lugar, atentemos no jogo e harmonia das cores que contornam a figura de António Manuel Ferreira. Elas têm o sortilégio de fazer sobressair o seu rosto. Da sua leitura podemos inferir que estamos diante de um homem sereno, já no entardecer da vida. As rugas que lavram na sua face são as de uma criatura sexagenária. Da expressão da sua fronte irmana uma serena tranquilidade, captada pela magia do pincel e das cores do pintor catalão, e que consubstanciam a plenitude da alma simples do benemérito e visionário torrejano. Quanto ao olhar, ele invoca uma vida escrupulosamente cumprida. A sua segura fixidez é isenta de qualquer traço de malícia, o que nos leva a asseverar que estamos perante um homem adverso à maldade e às injustiças.
António Ferreira soube, como poucos, colocar a sua inteligência e espírito empreendedor ao serviço da comunidade torrejana que tanto amou.
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Um benfeitor da nossa terra - Vítor Antunes
Cultura » 2026-02-18
A José Ribeiro Sineiro, por ter revelado esta singular figura torrejana
Caro leitor! O retrato a óleo que acompanha o presente artigo deve-se a um célebre pintor catalão, Lluis Vermell, que viveu e trabalhou em Portugal onde, a 5 de Maio de 1881, veio a falecer no Hospital Real de Santo António, da cidade do Porto.
Artista plurifacetado, Lluís Vermell i Busquets (1814-1881) salientou-se pelos seus estudos e restauros de obras de arte do património nacional e, fundamentalmente, no domínio do retrato, no qual se revelou um exímio executante. O seu enorme talento artístico chamou a atenção do rei-artista, D. Fernando II, que o honrou com o título de escultor e entalhador da sua Casa Real.
Viajante inveterado, Lluís Vermell andou por Itália, Espanha e também por diversos lugares do nosso país. Desconhecida era a passagem do denominado “Peregrino Espanhol” pela então vila do Almonda. Isso só foi possível aferir através do presente retrato por ele feito, em Torres Novas, na pretérita data de 1877. Conjecturamos que a sua permanência na vila ocorreu, sobretudo, com o objectivo de conhecer ou restaurar alguma obra de arte sacra de umas das principais igrejas torrejanas.
Se em relação a esta circunstância não temos qualquer dado, já quanto à feitura do retrato a óleo de umas das mais carismáticas personalidades torrejanas do século XIX, não resta a mínima dúvida, dado que o pintor catalão assinou na tela o seu nome, a data e o local da execução de tão inestimável pintura. Desafio o leitor a tentar identificar a ilustre personagem do citado quadro. Uma pista: pelos serviços prestados em prol da comunidade torrejana, o seu nome encontra-se gravado na toponímia local numa zona limítrofe da actual cidade que esteve integrada numa das suas herdades.
No caso desta minudência não ser suficiente, acrescento um elucidativo detalhe: as primeiras colecções de postais ilustrados torrejanos pertencem à sua casa comercial que se encontrava na actual Praça 5 de outubro.
Se tem à mão um desses postais antigos da vila torrejana, deu conta de que o insigne cidadão que pretendemos desvendar dá pelo nome de António Manuel Ferreira (1815-1893).
Nascido no lugar de Louredo, freguesia de São Cosme do Vale, pertencente ao concelho de Vila Nova de Famalicão, a sua chegada a Torres Novas aconteceu na remota data de 1852. No ano seguinte, António Ferreira é já um dos destacados comerciantes da vila, com estabelecimento aberto na principal praça torrejana. O seu espírito empreendedor e sagaz leva-o a estender os seus negócios a diversos produtos e ramos comerciais. Além do mais, investe parte da sua riqueza em propriedades e imóveis. Em 1871, compra em hasta pública o edifício outrora pertença do 1.º Conde de Torres Novas, António César de Vasconcelos Correia (1797-1865). Para quem não saiba é o imóvel onde, há bem pouco tempo, esteve instalada a Câmara Municipal de Torres Novas, e hoje é um espaço onde se encontra sediado, entre outras entidades, o Gabinete de Estudos e Planeamento Editorial. Nos anos de 1872 e 1876, adquire, respectivamente, a Quinta do Mato de Baixo e a Quinta do Mato de Cima, tendo sido registadas com a actual designação: Quinta do Mato.
A par da sua auspiciosa faceta de comerciante, António Manuel Ferreira não descurou a sua acção cívica em benefício da comunidade torrejana. Em 1862, vêmo-lo como um dos fundadores da Assembleia Torrejana que, mais tarde, deu lugar ao conhecido Club Torrejano. Também é de referir o seu envolvimento na Associação Mutualista do Montepio de Nossa Senhora da Nazaré (foi distinguido como sócio benemérito com direito a fotografia na sala de reuniões da direcção). Não menos importante, o respeitável cidadão António Ferreira chegou a ocupar diversos cargos políticos na edilidade torrejana. Em 1868 foi eleito vereador, cargo que exerceu ao longo de vários mandatos, defendendo de forma inexcedível os interesses dos torrejanos e da sua querida vila adoptiva.
O seu meritório papel dentro da comunidade torrejana não findou com a sua morte, a 5 de Agosto de 1893, aos 78 anos. Os seus sobrinhos - herdeiros da sua avultada fortuna - prolongaram a memória do impoluto e visionário cidadão, António Ferreira, através de diversos empreendimentos que muito contribuíram para o desenvolvimento social, económico e desportivo de Torres Novas. A título de exemplos, salientamos o papel dos irmãos Aristides José Ferreira (1864-1972) e José Manuel Ferreira (1874-1947) nos primórdios do surgimento da luz eléctrica na vila e na criação da conhecida Empresa Industrial de Electricidade do Almonda (Central do Caldeirão), ou do envolvimento dos descendentes da família Ferreira na fundação do jornal “O Almonda” (1918) e na construção do saudoso Almonda Parque. Outrora zona de lazer, destinado à prática desportiva, onde a equipa do Torres Novas Futebol Clube logrou diversas tardes de glória.
Para complementar a nossa abordagem de uma das figuras mais importantes do século XIX torrejano, nada melhor que observar novamente o citado quadro a óleo de Lluís Vermell i Busquets. Em primeiro lugar, atentemos no jogo e harmonia das cores que contornam a figura de António Manuel Ferreira. Elas têm o sortilégio de fazer sobressair o seu rosto. Da sua leitura podemos inferir que estamos diante de um homem sereno, já no entardecer da vida. As rugas que lavram na sua face são as de uma criatura sexagenária. Da expressão da sua fronte irmana uma serena tranquilidade, captada pela magia do pincel e das cores do pintor catalão, e que consubstanciam a plenitude da alma simples do benemérito e visionário torrejano. Quanto ao olhar, ele invoca uma vida escrupulosamente cumprida. A sua segura fixidez é isenta de qualquer traço de malícia, o que nos leva a asseverar que estamos perante um homem adverso à maldade e às injustiças.
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