Manuel Fernandes Vicente apresenta o seu novo livro "Raia, Raianos, Nobres e Malteses", dia 1 de Dezembro no Entroncamento
Cultura » 2025-11-25
O escritor Manuel Fernandes Vicente apresenta no próximo dia 1 de Dezembro, feriado nacional, pelas 16h 30 no Cineteatro São João, no Entroncamento, o seu novo livro Raia, Raianos, Nobres e Malteses. A obra integra um conjunto de crónicas e reportagens de viagens, e análises e reflexões críticas cujo foco central é a realidade singular vivida pelos povos raianos na fronteira de Portugal com Espanha. O autor, ele próprio um raiano natural de Castelo Branco e cuja família é da aldeia fronteiriça de Malpica do Tejo, junto ao troço internacional do grande rio ibérico, admite que esta sua origem teve uma forte influência na decisão de avançar com a obra que procura espelhar o mundo pobre e calcado que sempre foi a Raia. E, desde o Minho e da Serra do Gerês, às Terras de Barroso e a Terras de Miranda, de Rio de Onor a Sabugal e ao longo das Beiras, de Castelo Branco e do Alentejo, até Marvão, Barrancos e mais além pelo Guadiana fora, é deste mundo complexo, até com as suas contradições, e fatalmente deprimido e ostracizado, que ergueu castelos e deu o corpo às balas e aos canhões para garantir a integridade do território nacional, que o livro dá conta ao longo das suas mais de 500 páginas.
Apesar de viver no Entroncamento há muitos anos, esta permanência na cidade ferroviária não o fez esquecer as suas raízes e a condição de pobreza que afetava a realidade da sua aldeia, que era também apenas um microcosmos, uma miniatura, de uma realidade comum a muitas centenas de povoações que ao longo dos mais de 1200 quilómetros da Raia (que, contudo, ainda permanece indefinida ao longo de uma certa extensão na zona entre Elvas e Olivença) separam Portugal e Espanha. É claro que aqui, na Raia, como sempre que há proximidade entre seres humanos que têm origens diferentes, houve as mais diferentes e contrastantes formas de convivências, desde algumas querelas e animosidades, a outras bem mais solidárias e de grande cumplicidade humana, até heroísmos silenciosos, por vezes até ocultos. É verdade que houve batalhas, refregas e perseguições, mas neste limbo entre as duas nações ibéricas também houve os mais puros exemplos de nobreza de carácter, com histórias em que uns de um lado da fronteira correram sérios riscos para que os outros, do lado de lá, não fossem sumariamente encostados a uma parede e a tornarem-se em alvos fáceis de soldadescas sanguinárias.
“Há muitas coisas que só podem ⎼ ou puderam ⎼ ter tido lugar ao longo da Raia. E de Melgaço a Quintanilha ou de Quadrazais a Marvão e a Barrancos não houve território onde não se confessasse e praticasse o ubíquo negócio do contrabando, do levar e trazer, do ficar ou fugir, do vencer ou do morrer, que as leis nacionais sempre poderão ter declarado como proibido, mas os raianos nunca consideraram como ilegítimo”, escreve na introdução deste seu novo e nono livro Manuel Fernandes Vicente, que esclarece naturalmente este ponto de vista: “A razão era a do mais simples bom senso, porque percorrer dezenas de quilómetros de noite por caminhos que mal os havia com um saco com 40 quilos de mercadoria às costas (por vezes o “fardo” podia chegar aos 60 quilos) para ser útil a alguém, e não deixar que os seus morressem à fome naquela miséria onde mais nada havia, não poderia ser crime em nenhum lado decente do mundo”.
Na mesa da apresentação de Raia, Raianos, Nobres e Malteses, vão estar o Presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Nelson Cunha, o historiador António Matias Coelho, o tenente general António Mascarenhas, Helena Rodeiro, leitora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Mário Rui Rodrigues (antigo presidente do Grupo de Amigos de Olivença), o publicista oliventino José António González Carrillo e ainda o editor da obra, António Vieira da Silva, para além do autor, Manuel Fernandes Vicente.
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Manuel Fernandes Vicente apresenta o seu novo livro "Raia, Raianos, Nobres e Malteses", dia 1 de Dezembro no Entroncamento
Cultura » 2025-11-25
O escritor Manuel Fernandes Vicente apresenta no próximo dia 1 de Dezembro, feriado nacional, pelas 16h 30 no Cineteatro São João, no Entroncamento, o seu novo livro Raia, Raianos, Nobres e Malteses. A obra integra um conjunto de crónicas e reportagens de viagens, e análises e reflexões críticas cujo foco central é a realidade singular vivida pelos povos raianos na fronteira de Portugal com Espanha. O autor, ele próprio um raiano natural de Castelo Branco e cuja família é da aldeia fronteiriça de Malpica do Tejo, junto ao troço internacional do grande rio ibérico, admite que esta sua origem teve uma forte influência na decisão de avançar com a obra que procura espelhar o mundo pobre e calcado que sempre foi a Raia. E, desde o Minho e da Serra do Gerês, às Terras de Barroso e a Terras de Miranda, de Rio de Onor a Sabugal e ao longo das Beiras, de Castelo Branco e do Alentejo, até Marvão, Barrancos e mais além pelo Guadiana fora, é deste mundo complexo, até com as suas contradições, e fatalmente deprimido e ostracizado, que ergueu castelos e deu o corpo às balas e aos canhões para garantir a integridade do território nacional, que o livro dá conta ao longo das suas mais de 500 páginas.
Apesar de viver no Entroncamento há muitos anos, esta permanência na cidade ferroviária não o fez esquecer as suas raízes e a condição de pobreza que afetava a realidade da sua aldeia, que era também apenas um microcosmos, uma miniatura, de uma realidade comum a muitas centenas de povoações que ao longo dos mais de 1200 quilómetros da Raia (que, contudo, ainda permanece indefinida ao longo de uma certa extensão na zona entre Elvas e Olivença) separam Portugal e Espanha. É claro que aqui, na Raia, como sempre que há proximidade entre seres humanos que têm origens diferentes, houve as mais diferentes e contrastantes formas de convivências, desde algumas querelas e animosidades, a outras bem mais solidárias e de grande cumplicidade humana, até heroísmos silenciosos, por vezes até ocultos. É verdade que houve batalhas, refregas e perseguições, mas neste limbo entre as duas nações ibéricas também houve os mais puros exemplos de nobreza de carácter, com histórias em que uns de um lado da fronteira correram sérios riscos para que os outros, do lado de lá, não fossem sumariamente encostados a uma parede e a tornarem-se em alvos fáceis de soldadescas sanguinárias.
“Há muitas coisas que só podem ⎼ ou puderam ⎼ ter tido lugar ao longo da Raia. E de Melgaço a Quintanilha ou de Quadrazais a Marvão e a Barrancos não houve território onde não se confessasse e praticasse o ubíquo negócio do contrabando, do levar e trazer, do ficar ou fugir, do vencer ou do morrer, que as leis nacionais sempre poderão ter declarado como proibido, mas os raianos nunca consideraram como ilegítimo”, escreve na introdução deste seu novo e nono livro Manuel Fernandes Vicente, que esclarece naturalmente este ponto de vista: “A razão era a do mais simples bom senso, porque percorrer dezenas de quilómetros de noite por caminhos que mal os havia com um saco com 40 quilos de mercadoria às costas (por vezes o “fardo” podia chegar aos 60 quilos) para ser útil a alguém, e não deixar que os seus morressem à fome naquela miséria onde mais nada havia, não poderia ser crime em nenhum lado decente do mundo”.
Na mesa da apresentação de Raia, Raianos, Nobres e Malteses, vão estar o Presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Nelson Cunha, o historiador António Matias Coelho, o tenente general António Mascarenhas, Helena Rodeiro, leitora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Mário Rui Rodrigues (antigo presidente do Grupo de Amigos de Olivença), o publicista oliventino José António González Carrillo e ainda o editor da obra, António Vieira da Silva, para além do autor, Manuel Fernandes Vicente.
Constância: «À Descoberta da natureza no Parque – As aves que aqui vivem»
» 2026-01-15
No próximo dia 31 de Janeiro, entre 9h30 e as 10h30, o Parque Ambiental de Santa Margarida, concelho de Constância, dinamiza a sua primeira actividade de divulgação e sensibilização ambiental, desta vez «À Descoberta da Natureza no Parque – as aves que aqui vivem». |
Já não há bilhetes para “A Viagem”
» 2026-01-15
O espectáculo solidário “A Viagem”, organizado em parceria com o músico e compositor Pedro Dyonysyo, alcançou um resultado extremamente positivo ao esgotar, em poucas semanas, a totalidade dos bilhetes disponíveis para a sessão agendada para o próximo dia 7 de Fevereiro, no Teatro Virgínia. |
Procuram-se pessoas de vontade para o “Coro dos Comuns”
» 2026-01-15
O programa CAMINHOS – Cultura em Rede do Médio Tejo regressa para um novo ciclo em Abril e Maio de 2026 e dá continuidade ao projecto de criação vocal comunitária e participativa “Coro dos Comuns”, dirigido pelo maestro Vítor Ferreira. |
“Vaivém”: música e teatro para a infância na Caixa Preta do Caldeirão
» 2026-01-02
O espectáculo “Vaivém”, do Lupa Grupo de Teatro, chega à Caixa Preta da Central do Caldeirão no dia 17 de Janeiro, com sessões para escolas e sessão para o público geral. As sessões escolares realizam-se a 16 de janeiro (sexta-feira), às 10h00 e 14h30, com participação gratuita. |
Nova Augusta vai ser apresentada dia 13 no Museu Municipal
» 2025-12-06
Publica-se no presente ano o n.º 37 da revista Nova Augusta, a revista de cultura do Município de Torres Novas. O lançamento ocorrerá no Museu Municipal Carlos Reis, pelas 17 horas do próximo dia 13 de Dezembro. O modelo de mesa redonda, iniciado nas últimas sessões de lançamento da revista, será o escolhido para dar voz a todas e a todos os que escrevem para a Nova Augusta, partilhando ideias e discutindo questões relacionadas com as edições locais e os estudos que lhes dão corpo. |
Paulo de Carvalho no Teatro Virgínia dia 13
» 2025-12-02
Paulo de Carvalho subirá ao palco do Teatro Virgínia no dia 13 de Dezembro, sábado, às 21h30, com o seu mais recente espectáculo: "Contar Cantigas", que "acontecerá num formato de voz e piano, acompanhado pelo consagrado pianista cubano Victor Zamora". |
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António Alves Vieira: obra biográfica apresentada na Biblioteca » 2025-11-22 No próximo dia 6 de Dezembro, pelas 15 horas, na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, terá lugar o lançamento do livro «António Alves-Vieira (1913-1985) - Até que a memória nos separe», de Rui Alves Vieira. |
TOMAR : Festival Internacional de Curtas-Metragens regressa com mais de 35 filmes em exibição » 2025-11-22
A nona edição do Planos – Festival Internacional de Curtas-Metragens de Tomar está a decorrer desde 19 e até 23 de Novembro, domingo, reunindo mais de 35 filmes nacionais e estrangeiros, concertos, `masterclasses` e atividades dedicadas à descoberta do cinema contemporâneo. |
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Dança: Classic Stage regressa ao Teatro Virgínia com “Giselle” » 2025-11-22 A companhia Classic Stage, cujo elenco engloba artistas de nove nacionalidades, regressa aos palcos portugueses, desta vez com a produção de balé «Giselle», considerada «uma das obras mais destacadas do repertório da dança clássica», dando-se ainda ênfase aos «elementos cenográficos de um realismo incrível, figurinos deslumbrantes, acessórios manufaturados com detalhes sumptuosos e um leque de melodias encantadoras». |