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712 de 12-03-2010
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Edição nº 712 de 12-03-2010 • Série II • Ano 16 • Directora: Inês Vidal
 
 
   
Sociedade 

ALMANAQUE (Rumores , Boatos, Notícias Falsas...)

 
 

Sónia Sanfona na origem de fenómeno político regional:
Ribatejanos contra fim dos governos civis

Politicamente é uma ruptura. É todo um novo paradigma político que abala a regiã se até há poucos meses toda a gente defendia a extinção dos governos-civis, com a nomeação de Sónia Sanfona o caso muda de figura.

”Eu era um acérrimo defensor do fim dos governos civis, confesso”, admite Sérgio Carrinho, rapaz bem parecido e presidente da Câmara da Chamusca. ”Mas, ao confrontar-me com a nomeação da Sónia para o cargo, fónix, foi como se tivesse atravessado a minha estrada de Damasco. Sim, eu posso dizer que vi a luz. Deus queira que o Sócrates não se lembre de cumprir a promessa de acabar com os governos civis e que a nossa Sónia por aqui fique uns bons anos”, suplica o autarca chamusquense.

Também o presidente da Câmara de Alpiarça, embora comunista, vê com simpatia a continuidade de Sónia Sanfona no cargo de governadora-civil: ”É uma ofensa insinuar-se que os comunistas não são homens como os outros, meu amigo, companheiro. Para além das diferenças ideológicas, há um amplo campo de consensos que é possível atingir e tenho de dar a mão à palmatória: nesta fase do processo, as forças democráticas têm algo a ganhar com a presença da Sónia entre nós”, diz o presidente recém-eleito do bastião comunista.

”A favor da extinção dos governos-civis, eu? Não me recordo de tal disparate, devia estar com um grão na asa”, diz, por seu turno, o presidente da Câmara de Benavente, António José Ganhão. E, quando lhe falam em Sónia Sanfona, abre um sorriso de orelha a orelha. ”É natural que noutros distritos do país vejam a questão dos governos civis de uma forma displicente, mas nós aqui no Ribatejo sabemos que outros valores mais altos se levantam, somos daquela cepa, eh pá, o campino altivo, a coragem do forcado, o garboso cavaleiro, isso assim. De maneira que desde que a Sónia foi nomeada, as coisas mudaram de figura. Em política, não há realidades estáticas, está a ver?”, explica o veterano autarca da lezíria.

André Freire, politólogo do ICS da universidade de Lisboa e conhecido comentador televisivo, estudou este fenómeno e acha que os autarcas ribatejanos foram acometidos por um desvio de comportamento político que ele próprio designou SSS (síndrome Sónia Sanfona), e que é transversal a todas as forças políticas e idelógicas.

Curiosamente, a questão não suscita grande entusiasmo junto das mulheres autarcas do Ribatejo. Ana Cristina, presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, desvaloriza politicamente o tema: ”Se calhar julgam que eu, lá por ser do Bloco, ando para aqui de buço e de sandálias com meias? Também faço a minha permanente, ponho o meu baton, sei o que é um bom perfume e um tacão alto. Coitados!”, atira a autarca.

Fernanda Asseiceiro, líder do município de Alcanena, diz que tem outras prioridades do que discutir esta questão. ”Vão-se catar!”, atirou, com cara de poucos amigos.
 

Rodrigues, perante críticas às promessas não cumpridas:
”Venha quem não atire a primeira pedra”

Acusado por ”certa imprensa” de abusar das primeiras pedras em períodos eleitorais, o presidente da Câmara de Torres Novas confessa-se e diz que não consegue largar o vício, apesar dos esforços nesse sentido.

”É do caroço, meu!”, diz António Rodrigues, ”quando começa a cheirar a eleições vem-me aquela coisa das primeiras pedras para as obras e não resisto, é uma coisa entranhada, sinto-me politicamente agarrado”, confessa-se o autarca, que antes das eleições autárquicas do passado Outono lançou as primeiras pedras de mais não se sabe quantas obras que não passaram da primeira pedra, para irritação geral da oposição, que desconfia que o truque sempre lhe dá uns votos a mais.

”Podia viver sem as primeiras pedras?”, pergunta-se o próprio Rodrigues. ”Podia, mas não seria eleitoralmente a mesma coisa”, responde ao mesmo tempo, admitindo que o lançamento das primeiras pedras dos futuros paços dos concelho e de vários centros escolares, entre outras obras, lhe terão dado algum conforto eleitoral, isto é, permitiram-lhe sacar mais uns milhares de votos à má fila.

O autarca tem sido aconselhado a largar o vício e o pessoal da sua entourage tem usado várias estratégias para o distrair. Recentemente, convenceram-no a abrir a sua página no facebook, coisa que o tem segurado, como ele próprio admite: ”Já tenho bués amigos no facebook, sou o autarca do Médio Tejo com mais amigos, a maior parte deles nem sabe o que é o facebook”, garante Rodrigues. ”Enquanto está distraído no facebook e, dentro de uns tempinhos, também no twiter, não se lembra de querer lançar primeiras pedras de mais obras”, confessa uma conhecida fonte anónima do gabinete do autarca.

Confrontado pela directora de um jornal representativo de uma ”certa imprensa” para comentar esta sua faceta política, Rodrigues foi peremptóri ”Sou só eu? E os outros? Ao contrário do que disse Jesus Cristo, mas dá mais jeito assim, haja quem não atire a primeira pedra”, rematou o autarca, logo arrependido por ter falado para um ”pasquim comunista”. ”Vai-te embora, ó melga”, ripostou ainda, dando conta de uma certa contenção verbal.
 

Futebolistas de praia só por si não resolvem:
Desportivo vai contratar nadador-salvador

A contratação dos artistas de futebol de praia, Alan e Madjer, pelo Clube Desportivo de Torres Novas, não está a resultar nos efeitos desejados: a vitória no distrital com 30 pontos de avanço e, logo de seguida, a ascensão meteórica à divisão de honra em duas épocas apenas.

Alan e Madjer, cromos da selecção nacional de futebol de praia, estranham as botas que têm de calçar, estranham a relva, estranham ter de jogar numa equipa com tanta gente, estranham não ver paletes de gajas boas na bancada, estranham o pivete a febras e entremeada que sopra para o campo quando o vento assobia de poente, enfim, estranham tudo.

Para contrariar estas contrariedades, os responsáveis do clube preparam a contratação de um nadador-salvador, que terá a função de impedir que a defesa meta água com tanta frequência e de colocar uma bandeira vermelha sempre que os adversários têm a bola, indicação de que não podem passar do meio campo. ”É verdade que sim, a juntar aos atletas de praia, vamos ter um nadador-salvador desempregado que encontrámos numa tasca da Pederneira e vamos pedir à Associação que, em vez de árbitros, os nossos jogos sejam dirigidos por um cabo do mar nosso amigo, cuja missão é tirar a bola aos adversários e devolvê-la aos nossos jogadores”, disse uma fonte dos ”amarelos”.

Segundo apurámos, a equipa técnica não descarta ainda a hipótese de pôr em prática uma táctica inovadora, que consiste em atirar areia para os olhos dos jogadores das equipas que vêm ao municipal.
 

Fraca luta dos adversários não dá pica:
Riachense ameaça jogar com os juvenis

A direcção do Atlético Riachense não está disposta, por muito mais tempo, a aturar uma situação insustentável, decorrente da falta de opositores credenciados no presente campeonato da divisão de honra e ameaça entrar em campo com os juvenis, de modo que os jogadores sintam a adrenalina resultante da ideia, ainda que remota, de que podem perder um jogo.

Terminada a primeira fase do campeonato, o Riachense chegou ao fim com quinhentos e tal pontos de avanço do segundo e sem qualquer derrota, um cenário que irritou os dirigentes do Atlético, incluindo o seu presidente. ”Está um gajo aqui desterrado nas áfricas, qual Zé do Telhado, sem ligar peva a essa coisa da bola e os gajos ganham tudo, é só largar prémios de jogo. Devem pensar que estou aqui a cavar diamantes ou a chupar petróleo, gaita, assim não se pode!” – disse Jorge Pereira, ralado com mais uma jornada sem derrotas.

Agastada com a situação, a equipa técnica do Atlético tem feito tudo para baixar um pouco os níveis de confiança, os automatismos e isso tudo, da equipa, mas não tem conseguido. ”Já pedimos ao Sporting que deixasse vir alguns jogadores titulares treinar connosco, ver se os nossos desaprendiam qualquer coisita, para poderem defrontar os nossos adversários num plano de mais equidade” – revelou o técnico Frederico Rasteiro. ”Com um Miguel Veloso e um Grimi, um Carriço, vá lá, a treinar na Raposa uma semanita, a nossa equipa seria destroçada em três tempos e já podíamos jogar com mais pica frente a um Amiense, ou mesmo um Torres Novas, sem entrarmos em campo com aquela atitude fatalista de não perdermos nem por nada”, explicou o treinador. Rasteiro adianta que, no limite, poderia requisitar o guarda-redes leonino para treinar 15 dias com Galrinho, elevando ao expoente máximo e matematicamente possível as hipóteses de o Riachense sofrer uns golos valentes, mesmo de equipas como o Torres Novas ou o União de Tomar. ”O Rui Patrício a ensinar o Rui Galrinho fazia a nossa baliza parecer o aviário de Santa Cita, era um incentivo às outras equipas”, conclui Rasteiro. Se tudo isto não resultar, resta ao Riachense cumprir a ameaça mais drástica: entrar em campo com os juvenis para chamar mais público a assistir a jogos mais competitivos e de resultado sempre imprevisível.

   Por:
Jornal Torrejano

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