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Angústia no Supermercado

Opinião  »  2018-04-20  »  José Ricardo Costa

"Sou grande adepto dos ravioli e tortellini da Rana"

Resolvi fazer há dias um risoto. Precisava por isso de queijo parmesão ralado. Tudo na vida há-de ter um sentido e se na ordem universal das coisas coube ao parmesão a grata missão de dar alma ao risoto, a ordem lá terá as suas razões.

Fui em busca dele mas nada de parmesão ralado em Torres Novas. Recorri então ao plano B, arriscando outro queijo, e o resultado foi frustrante. Furioso, convoquei os deuses ctónicos e olímpicos, mais o de Abraão, Isaac e Jacob e ainda o outro dos muçulmanos, para que todos, em uníssono, amaldiçoassem esta terra desprezada pelo destino e a viver ainda numa pré-história gastronómica.

Entretanto, a minha revolta não fica por aqui no que a caprichos italianos diz respeito. Sou grande adepto dos ravioli e tortellini da Rana para comer com uns cogumelos salteados e uma saladinha. Sim, há por aí de outras marcas mas ao pé dos da Rana é como comparar Emanuel dos Santos com Soares dos Reis. Não por acaso, é a marca que mais se vê nas prateleiras dos supermercados em Itália. Acontece que em Torres Novas, desgraçadamente, aparecem só alguns, e quase sempre os mesmos, pacotes, ficando o pobre torrejano desfavorecido face ao lisboeta que facilmente vai ao Corte Inglês para se alegrar com um festim de Rana ou a lojas temáticas cujos produtos têm nomes esquisitos que nas margens do Almonda não passam de miragens.

Mas foi precisamente no meio de toda esta minha revolta que, de repente, caí em mim. Afinal, houve um tempo em que para ficarmos felizes e contentes bastavam uns ovos escalfados com ervilhas e chouriço, um bom guisado, qualquer uma das cem maneiras de fazer bacalhau (incluindo pataniscas ou pastéis), uma jardineira, um peixinho no forno, uma caldeirada, uma morcela de arroz com grelos, uma feijoada, um ensopado de borrego, um coelhinho estufado, um cozidinho, um entrecosto no forno com batatinhas a murro, um polvinho à lagareiro, um franguinho corado com aquele arroz com ovo e rodelas de chouriço, uns jaquizinhos fritos com um arrozinho de tomate ou um arrozinho de pato. E como sobremesa um arroz doce (com ovos ou, à maneira torrejana, mais branquinho), um leite creme, a sempre clássica e elegante mousse de chocolate ou uma salada de fruta fresquinha. Caramba, não chega? O que mais é preciso para brilhar à mesa e trazer felicidade aos comensais?

Hoje, porém, sentimo-nos miseráveis provincianos e numa espécie de submundo gastronómico se vivermos num sítio em cujos supermercado não há frutos tropicais, sementes com nomes exóticos, queijo mascarpone ou ricota, limoncello para uma sobremesa, queijo mozarela para uma bruschetta, queijo feta para a salada, cogumelos frescos para saltear ou rechear ou um pacotinho de risoto do tipo arbório (já nem penso no carnaroli ou no vialone nano). Ah, e o parmesão ralado que me fez passar dos carretos!

Caí em mim para perceber que isso não passa de uma tremenda parvoíce, por não ser capaz de perceber a diferença entre aquilo de que se necessita e o que se deseja. Ai, a falta que me faz de vez em quando o meu Séneca! O ser humano, ao contrário do animal tem o dom de transformar o artificial em natural. É mesmo assim e não tem de ser mau. Mas já o será se desejarmos de forma obsessiva ou até doentia coisas das quais não necessitamos (à excepção do chocolate, claro, por se tratar de um mundo à parte). Podemos gostar de risoto, de cheesecake ou de tiramisu e temos todo o direito de gostar. Mas isso não tem de fazer de nós escravos deles. Se pudermos, comemos, se não pudermos, não comemos, evitando-se assim as frustrações que aumentam à medida que também aumentam os desejos.

E por falar em parvoíce, que fique como exemplo moral a frase que Lope da Vega mandou escrever sobre a porta da sua casa, hoje museu, na rua Cervantes: PARVA PROPRIA MAGNA, MAGNA ALIENA PARVA. Mais coisa, menos coisa: o pequeno, sendo nosso, é grande, o grande, sendo dos outros, é pequeno. Toma e embrulha!

 

 

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