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Equívocos desastrosos - acácio gouveia

Opinião  »  2025-10-04  »  Acácio Gouveia

Pelos mesmos caminhos não se chega sempre aos mesmos fins

Jean Jacques Rousseau

 

Quando ouço os generais Agostinho Sousa ou Carlos Branco tecerem considerações acerca da guerra na Ucrânia, presumo que estejam cronologicamente desfasados e, ao lançar os olhares para leste, vislumbrem a sigla CCCP e não РФ. Isto é, parecem desconhecer que a União Soviética já não existe e foi substituída pela Federação Russa, que, embora se assuma como sua herdeira, diverge da antecessora no respeitante à área geográfica e à organização político-económica, embora o ímpeto imperialista se mantenha intacto.

Será bom recordar que na URSS os meios de produção estavam nas mãos do estado, mas que após o fim da era soviética a Rússia enveredou pelo capitalismo que assumiu versão oligárquica pautada pela corrupção, geradora de ineficácia e de desigualdade social em crescendo. A título de exemplo, cite-se o regime fiscal russo, que, pelo menos até ao início da presente década, aplicava taxa única de imposto 15% sobre os rendimentos (*). Teremos de recuar mais de um século para encontrar, nos países capitalistas, sistema mais injusto. Quaisquer que fossem os aspectos negativos que se atribuam ao regime soviético, são-lhe indiscutivelmente atribuíveis alguns êxitos, ausentes na Rússia de hoje. Na Federação Russa dificilmente encontraremos vantagens comparada com a antecessora União Soviética. De pioneira na corrida espacial até à década de 70, foi ultrapassada pela Índia na exploração lunar. Para os oito laureados soviéticos com prémios Nobel da Física e da Química, apenas temos dois russos, pós-URSS, a receber o prémio (sendo que um se naturalizou americano e o outro era opositor ao regime de Putin). Os direitos da mulher sofreram retrocesso e o obscurantismo religioso está pujante. Por isso, é fácil entender a simpatia de extremistas, como Trump ou Musk, para com o sistema hipercapitalista russo, já que este tem como vantagens a ausência de oposição parlamentar, de imprensa livre, ou de independência judicial, e o facto da sociedade civil se encontrar totalmente manietada pelo regime. Já surpreendente parece a sintonia que várias esquerdas nutrem, com cambiantes diversos, pelo belicismo de Putin. Quando postos perante a evidencia do carácter fascista do regime actual da Rússia, tentam a quadratura do círculo: distanciar-se do regime capitalista de extrema-direita e justificar o imperialismo militarista.

Para quem estranhe este enleio das esquerdas pelo regime de Putin, que é objectivamente fascizante, há que recordar o miserável tratado Ribbentrop-Molotov celebrado oito décadas e meia atrás, entre os regimes nazi e comunista. Portanto, nada de novo. Dessa vergonhosa parceria resultou política genocida dos povos polaco e bálticos, perpetrado por estes dois bizarros aliados. A ingenuidade de Estaline abriu as portas da URSS à invasão alemã, com consequente sofrimento inenarrável dos povos soviéticos.

Porém, se nos tempos da União Soviética a afinidade ideológica entre esta e os partidos comunistas ocidentais justificava o apoio à política externa russa de então, hoje, perante uma Rússia capitalista, que renunciou ao socialismo, outra razão teremos de procurar para entender a estranha cumplicidade revelada com a invasão russa da Ucrânia, por parte de parte significativa da esquerda portuguesa. Posta a questão doutro modo: o que pode unir as duas filosofias políticas e económicas antagónicas? Ambas têm aversão à democracia representativa. Quer os partidos fascistas, quer os de extrema esquerda rejeitam o parlamentarismo. Por isso, erigindo como inimigo principal a democracia parlamentar, ou burguesa, a constelação de partidos da esquerda aposta numa aliança táctica com a extrema-direita, na esperança de que o fim do parlamentarismo permita, em sua substituição, o estabelecimento de regimes socialistas dirigidos pelos partidos do proletariado. Mas será este cenário realista? Claro que não. O desejado fim da OTAN e o desmantelamento da EU, objectivo da pretérita parceria Trump-Putin, resultaria no fim da soberania das nações europeias e a consequente emergência de regimes hiper-capitalistas autocráticos e sem lugar para o estado social. Resta concluir que a sintonia dos citados oficiais generais e doutros simpatizantes para com a chamada “Operação Militar Especial” se baseia num equívoco trágico. Tal como há 86 anos.

 


(*) Piketty, Thomas, 2019 - “Capital e Ideologia”

 

 

 

 

 

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