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A Cruzada

Opinião  »  2008-06-20  »  João Lérias

Antes de iniciar, devo anunciar, que não sou, nem nunca fui funcionário público, não tenho familiares próximos que o sejam e poucos dos meus amigos o são. Não me é exigida explicitamente esta declaração de interesses, como era o repúdio de ideias subversivas no Portugal de 1973 ou na Califórnia de ontem à tarde (http://www.guardian.co.uk/world/2008/may/16/usa1 ), mas o meu instinto de sobrevivência transmuta-se, neste caso, em auto-coação. È que eu não quero ser alvo de uma turba enfurecida, ávida de justiça, a tentar caçar mais um “ privilegiado”. De facto, não causa estranheza que o funcionário público seja um dos alvos preferidos dos grupos menos informados da sociedade portuguesa, habituados que estamos a observar sucessivas manifestações de uma das mais intrigantes características de alguns sectores do povo luso: o de culpabilizar pelo “estado a que isto chegou” um qualquer grupo, socialmente mais fraco. Assim, passeemo-nos pelas conversas públicas e privadas da nossa comunidade e muito mais facilmente ouviremos diatribes contra os que auferem o rendimento mínimo de inserção, como os responsáveis pelo défice público, em detrimento das fugas fabulosas aos impostos dos mais poderosos dos poderosos. Já o desemprego e salários baixos, são claramente responsabilidade dos “kosovares” e alienígenas afins que nos roubam o trabalho. Nunca da grande cadeia de mercado a grosso e cultura dominical, que tortura o salário mínimo com avidez proporcional aos seus lucros. E quem são os criminosos? Os pretos da cova da Moura - que deviam era ser pedreiros e bombos da festa de racismos vários, como os pais - e nunca, mas nunca, o piedoso empreendedor que se instala no nosso país, rapina recursos materiais e humanos, antes de abalar para a Roménia ou Paquistão, em busca de mais 0,0005 €, por cada cabo eléctrico que saia da sua empresa, roubando o futuro a variadíssimas famílias. O que têm estes exemplos a ver com a função publica? A pergunta é pertinente. Como pode um grupo demográfica, social e economicamente vetusto, tornar-se alvo de bullying generalizado por parte de um povo muito respeitador de qualquer forma de autoridade? A explicação parece-me relativamente simples. O tapete foi-lhe tirado pela esmagadora maioria da classe política, que se tornou mesmo uma activa dinamizadora e publicista do preconceito. Aos olhos dos neo-liberais militantes, a simples hipótese de que exista um grupo com capacidade de acções “anacrónicas”, como luta pelos suas prerrogativas laborais, que tenha um horário de trabalho definido ou que veja respeitado o seu direito ao lazer, só pode ser uma pedra no sapato da economia. Para estes senhores o Portugal perfeito será o de 6.000.000 de recibos verdes. Greve? Nem pensar. Horas extraordinárias? Não conhecemos o conceito. No próximo sábado gostavas de dormir até tarde, aproveitando a companhia? Trabalha, malandro… Buscar a criança ao infantário? Impossível, isto tem que estar pronto hoje. Estes são alguns diálogos de sonho para muitos dos nossos últimos ministros. E a função pública, afastada pelo, menos por agora, da cupidez do lucro desenfreado, é o ultimo bastião. Pelo que, sempre que um cidadão, explicitamente ou sub-repticiamente, se sentir tentado a ingressar nesta cruzada, tenha consciência de que os seus dinamizadores, querem mesmo é transformar este País num paraíso de desregulamentação no plano laboral, com um modelo de desenvolvimento baseado em salários ainda mais baixos, para atrair o sacrossanto “investimento privado”, pelo que esse assalto, tarde ou cedo, terá consequências na sua própria vida. Obviamente o discurso vai colhendo. Todos gostaríamos de ver a produtividade dos diversos serviços públicos aumentar, mas à custa de rigor na avaliação, transparência na contratação e formação profissional, não de perseguição económica e chantagem política. Se existirem dúvidas de que grande parte dos políticos portugueses encaram o País como uma grande corporação, em que importam apenas as contas finais, muito pouco a qualidade do serviço prestado e menos ainda as condições de quem trabalha, basta acompanhar a novela das reformas douradas de vários ministros portugueses, ilustrando como estas duas esferas estão em permanente osmose, explicitada de forma obscena junto dos passivos e fiéis eleitores. Param sempre nos cargos dirigentes, claro. Salários baixos é castigo que só merecem os malandros pertinazes…Tão verdade como tudo ser política, é que toda a política é ideologia em acção.

 

 

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