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As folgas dos democratas

Opinião  »  2008-06-26  »  João Lérias

Durante décadas, a palavra liberdade foi o ás de espadas da esgrima ideológica que ficou conhecida como Guerra-fria. Mesmo desconfiando, por exemplo de paradoxos como o Chile de Pinochet e considerando outros condicionalismos, como a disponibilidade financeira ou a instrução, importantes grilhões das opções individuais, parecia claro à imensa maioria das populações que estas contradições eram preferíveis a viver do lado de lá da Cortina de Ferro. Perspectiva que advinha essencialmente da capacidade de eleger os seus representantes, de comandar parte do seu destino. Liberdade abandonava o plano dos conceitos e tornava-se palpável, vivida a partir da democracia, que tinha nos actos eleitorais o seu esteio mais importante. Os excêntricos primeiros anos do século XXI, desenterraram um mundo espartilhado, se bem que menos polarizado. Se os democratas, eram os de sempre, os tiranos indesejáveis apresentavam agora nuances várias. Aos recém chegados ao grupo, apontou-se o estigma da interpretação radical de uma religião, com a correspondente acção terrorista. Aos mais clássicos, governos interessados em implementar novas formas de relacionamento económico, divergentes dos “democráticos” OMC e FMI, tornou-se mais difícil aplicar o carimbo. Como o de Hugo Chavez, um dos regimes mais plebiscitados de que há memória, o que não impede que a guarda pretoriana do modelo dominante, acantonada pelas colunas de opinião da imprensa escrita e pelas tertúlias televisivas e radiofónicas, propriedade dos seus Neros, continuasse a invectivar o que consideram um episódio anacrónico do “ caminho para a servidão” socialista. Revelando, no fundo, que as palavras liberdade e democracia, nalgumas vozes, são apenas uma espécie de formula mágica, com o duplo objectivo de induzir uma falsa sensação de protagonismo aos seus eleitores e, paralelamente, como forma de exorcizar qualquer heterodoxia no plano económico. Afirmação que sai reforçada pelos últimos acontecimentos, sendo sintomáticas algumas reacções ao Não irlandês, país onde praticamente toda a classe politica local tinha expresso opinião diversa. Por cá, muitos - entre os quais os mais ardentes defensores da exportação à bomba da democracia para o Iraque e Afeganistão - defenderam, com a habitual congruência que caracteriza as suas declarações, um ponto comum: 800.000 ruivos emperram agora a marcha de 500 milhões de europeus rumo ao paraíso, sendo necessário calar a sua voz, seja com novo plebiscito, seja “castigando” os ingratos com a exclusão momentânea da vanguarda da construção da sua Europa, aquela que, por exemplo, abre a porta ao prolongamento dos horários de trabalho até á insanidade ou se prepara para tratar os trabalhadores estrangeiros como criminosos. Se calhar, estou a resvalar também para a barricada do terrorismo, da tirania, da opressão, mas a minha leitura é um pouco diversa. Parece-me antes que, mais metade dos 100% de europeus efectivamente chamados a expressar a sua opinião, recusaram o diktat e não querem este modelo de integração europeia. Veremos até onde chega esta autista dissociação entre a vontade popular e os peões do poder económico, um jogo perigosíssimo para o elo mais fraco. Vários exemplos históricos demonstram, que os senhores do Mundo, em última instancia, mandam a toalha ao chão, esquecem o discurso que os legitimou anteriormente e voltam ao esquema da bota cardada e do bastão. Em geral, para o justificar, só precisam de um inimigo externo e outro interno. Ora, nos canais de propaganda da especialidade tem-se falado, demasiado insistentemente, do binómio potências emergentes/imigração ilegal…

 

 

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