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A dama de ferro

Opinião  »  2008-07-03  »  João Lérias

A formação adquirida junto das instituições oficiais, muito embora não seja o único vector de aprendizagem possível, tem uma característica que a torna substancialmente diferente de todas as restantes: mau grado algumas nuances de estilo, têm como público-alvo a esmagadora maioria da população. Assim, assume um papel inequivocamente formatador da sociedade em geral, função que vai sendo utilizada, com gradações várias de subtileza, pelos detentores do poder político. Seja com propaganda declarada ou enviando sinais quase subliminares, os usufrutuários do Estado, mantêm apertada vigilância sobre os conteúdos vinculados. Nos últimos anos, com a argumentação basilar da adaptação dos currículos às necessidades estruturais do mercado de trabalho, tem-se desprezado de forma continuada, disciplinas como a Sociologia, História ou Filosofia.

No entanto, a escola deveria ser não apenas uma linha de montagem de mãos laboriosas, diplomadas ou não, mas antes o esteio da cidadania. Afastando aquelas disciplinas estamos a criar uma massa amorfa de cidadão cuja integração na política - no sentido etimológico da palavra, significando o governo da cidade – não assenta na sua análise a partir de posturas éticas, organizacionais ou diacrónicas, mas meramente na procura de satisfação de necessidades individuais a curto prazo, reduzindo a sua participação a um impulso afectivo.

O que alimenta problemas estruturais, que em última instância se traduzem no definhamento da própria democracia, que todos denunciam, mas muitos apreciam. Um deles o mais evidente, o afastamento da população em geral de tudo o que tenha um leve odor a associativismo, com outra dimensão que não a lúdica, diminuindo assim, voluntariamente, a sua capacidade para se fazer ouvir.

Depois, faltando a noção de devir, o eleitor está constantemente refém da chantagem do mal menor, uma vez que não possui bagagem informativa suficiente para compreender que, sucessivamente, as verdades absolutas de hoje, são construções ideológicas que tem como missão manter o status quo. Tomemos o exemplo da escravatura ou do domínio colonial, que a seu tempo, foram vendidos às populações como modelos económicos, que a serem desmantelados, provocariam recessões e misérias generalizadas.

Por fim, mesmo a mais atávica da medidas ou o mais conservador dos discursos, será conscientemente mascarado de Modernidade, o único produto que vende neste País que foge do cinzentismo salazarista infestando o seu belíssimo território com betão, comprando compulsivamente e endividando-se até aos limites do razoável, sem que o destinatário da mensagem perceba que vêm aí retrocessos civilizacionais de proporções gigantescas.

No fundo, é o cenário ideal para quem tem na vitória do próximo round eleitoral, senão o único, pelo menos o grande estímulo para participar na coisa pública. Mas, por vezes, também ocorrem dissabores, e a mole que foi sufragando cegamente um senhor, apertada pelo torniquete da crise, corre para o regaço de um outro populismo, empurrando-o, e aos seus, para longas travessias do deserto. E todos conhecem estas regras básicas. Na outra bancada do centrão, a Dama de Ferro lusa é agora, toda ela, subsídios sociais e apoios «a quem mais precisa». No país real, já poucos se lembram da amazona tecnocrata e do combate sem tréguas ao défice, usando como munição preferida os rendimentos dos mais descapitalizados.

E o País, o conjunto de todas as nossas pequenas vidas e anseios, enredado na ”alternância democrática”, vai empobrecendo, culturalmente e financeiramente. Felizmente, pelo menos por agora, com o nosso beneplácito.

 

 

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