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O regresso da caridade

Opinião  »  2008-07-31  »  João Lérias

Para caracterizar uma época histórica, em geral, é necessário algum distanciamento dos acontecimentos, para que todas as variáveis sejam correctamente analisadas e os contraditórios possam esbater-se com a discussão. No entanto, os anos entre o fim da Segunda Guerra Mundial e choque petrolífero dos finais dos setenta, são unanimemente apresentado como um período de inaudita prosperidade.

Eric Hobsbawn, um dos mais conceituados historiadores da Contemporaneidade, não hesita mesmo em classificá-lo como as ”décadas de ouro” do modelo capitalista. De facto, o crescimento económico desta época, teve sempre uma correspondência directa com o bem-estar das populações. Tudo isto temperado com um clima de paz nunca antes observável na História. Segredo do sucesso? A incorporação de elementos de economia socialista – destaque-se a difusão do Estado Previdência, da política de altos salários e desemprego praticamente inexistente, assente na profusão de emprego público, a par da nacionalização de parte do tecido produtivo – geralmente denominados de keynesianos, para mitigar a assunção de que o modo de produção antagónico, afinal tinha virtudes indiscutíveis.

Tenhamos em atenção que partíamos de uma situação próxima da catástrofe, com a Europa em ruínas, as economias totalmente descapitalizadas, o mercado extremamente dormente e as potências coloniais espoliadas das suas coutadas de matéria-prima… Assim, a argumentação esgrimida pelos socialistas ”modernos”, que se justificam com a conjuntura internacional, para levar a cabo uma das maiores ofensivas de sempre ao que realmente importa para os comuns dos mortais – as condições da obtenção do seu salário e o valor do mesmo – apresenta-se próxima do ridículo.

Assiste-se mesmo a um recuo generalizado nas modalidades da política social, que nos transportam para os tristes momentos da via assistencial e caritativa. Muito respeitador do consenso de Washington, o nosso primeiro-ministro vai distribuindo descontos nos transportes públicos e nos impostos sobre os imóveis, deixando praticamente intactos os grilhões chamados recibos verdes, mantendo um salário mínimo que roça a indigência e preparando o assalto final ao direito às férias.

Comportamentos tão diversos de partidos denominados socialistas, conduzem inevitavelmente à conclusão avançada pelo investigador já citad o labor aparentemente socializante e democrático, entre 1945-1980, foi basicamente um aluguer da paz social, autorizado pelo Capital, entretanto assustado pela catástrofe bélica, mas ainda mais pelo expansionismo soviético. Demonstrando que, em última analise, os partidos próximos do centro, tendem a obedecer à voz do dono, esquecendo a dos seus votantes.

Aparentemente, no seio do nosso PS, vão-se levantando vozes que não abdicam da carga ideológica que a denominação deveria acarretar. Aguardemos os passos futuros, esperando que sejam consequentes com as suas reivindicações e posicionamentos. Caso contrário, cumprirão a incómoda posição de contribuir para a sobrevivência de políticas que afirmam contestar.

 

 

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