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Os dinossauros

Opinião  »  2009-04-02  »  Anabela Santos

Vem então a comunidade europeia. Para tristeza de muita gente. Dizer que vão ser abolidas. As distinções de profissão. Deste modo no parlamento europeu. Não se vai chamar mais o Sr. Dr., nem o senhor engenheiro. Apenas, e simplesmente, o senhor.

Há pouco tempo ainda, quando Koffi Hanan. Ex-secretário geral das Nações Unidas. Esteve em Portugal. O Mário Soares lhe chamou na sessão do congresso em que estavam. De Dr. Koffi Hanan ao apresentá-lo à assistência . Delicadamente este chamou a atenção de que na América, só os médicos têm direito ao Dr.. O Sr. Mário Soares. Deixou empalidecer o sorriso nas sábias bochechas e continuou a falar do Sr. Koffi Hanan.

É simpáticos. Ao fim de um dia de trabalho. Sermos convidados para ”una copa” pela Directora de um serviço do hospital central. E sentir que os ouvidos descansam, ao ouvir um descontraído convite à conversa: ”Dime entonces Carlos, lo que pasa?”

A entrar em vigor a norma da CE não calculo a desilusão. De muito apregoado senhor. A tirarem à pressa uma amostra de estudo universitário. Para subirem ao poleiro da galinha. O sofrimento que não terá Armando Vara, José Sócrates e outros mais pequenos da nossa praça. A recolherem os canudos de uma qualquer universidade. Feita à pressa para sustentar vaidades. Mas vamos deixar-nos disto e ficarmos pasmados com o que vemos. Não sei o que sentem, os que lutaram pela abolição da censura dos tempos do Estado Novo. O novo estado em que estamos. Não permite graças com as notícias. Controla o número de fotografias diárias do mestre. Não se permite uma frase menos abonatória. O 5.º canal de TV, vai para o lixo. Não vá haver perigo de abrir a dizer mal do todo poderoso.

À sua volta, a tertúlia do poder arrecada o dinheiro. Classe média não existe. Há ricos e pobres. O pão custa na Alemanha o mesmo que cá. Só que ganhamos um terço da Alemanha. Não fosse o Euro. E já o fundo mundial (FMI) nos pedia contas. Os bancos seguram o poder. O poder segurados bancos. O património vende-se. Os quartéis são vendidos. Os militares não têm poder.

No 25 de Abril era importante convencer os capitães de que mandavam. Mas ninguém reparou que Mário Soares há muito que esperava o seu tempo. Onde andam os capitães de Abril? Desde sempre fomos um país à procura de pai. Tivemos o D. João V, o Salazar. E um monte de gente séria agarrada ao poder. Como o Valentim, que tanto protegeu o Nino Vieira. A Fátima Felgueiras. O inefável Isaltino que se tem sido um bom autarca. Tem sido discretamente um bom ladrão. Como o Ferreira Torres absolvido e pronto para nova campanha eleitoral. Salgueiro Maia por pouco ficava esquecido num armazém da Câmara se Santarém.

Porque ao poder, no fundo não interessam homens sérios.

Tal como ao mundo – a parte do mundo – não interessa o papa. A grande revolução da informática ainda começou agora. O futuro luta para ser ”gay”. Não sei se do Manuel Alegre. Ou por outro qualquer defensor. De que até os homens podem dar à luz.

 

 

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