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A doença do chefe

Opinião  »  2009-05-07  »  Anabela Santos

Começa a ser insuportável. A obsessão do Sr. Sócrates. Pelo número­ de vezes que aparece na televisão. Os jornais dão-se ao luxo. De publicarem periodicamente. O número de minutos ou até horas. Atri­buídos a cada membro do Governo. Todo este tipo de estatísticas podem ter interesse. Ou começarem a revelar-se como um sintoma de uma doença obsessiva. Manipulada como anda a ser. Reflecte uma projecção narcisista de uma personalidade que se vai embriagando com o poder. E a afastar-se da realidade. Ao mesmo tempo,­ o discurso vai evoluindo dum modo que parece inciso. Revela cada vez mais insegurança. É a maneira como aparece. Dando a quem está menos atento. Um aspecto de segurança e autoridade. É filho dum mecanismo de repetição. Tão vago. Que se pode adaptar a quase tudo. Mal lhe mudando as palavras. E tudo isto, acompanhado de um sorriso que se tem aperfeiçoado. E se aproxima de forma estereo­tipada dos sorrisos de grupo. Para a fotografia junto do Palácio de Versailles. Onde o artista nos manda a todos.­ Dizer a palavra “whisky”, na altura do disparo. De facto, o que está em jogo é o obsessivo desejo de ganhar as eleições. Para isso. Intimidam-se os jornalistas de TV onde Sócrates ainda não governa. Depois o sentimento de perseguição. Ao instaurar processos a jornalistas. E mais recente. Fernanda Câncio ofende-se e processa um qualquer colega de um qualquer jornal. Porque não quer ser tratado pelo nome de namorada de José Sócrates. Neste carrossel faz doer, que se fale de tudo. Menos dos grandes problemas do país. O Governo este prisioneiro dos bancos. E os bancos seguros porque se mantiveram de pé com a ajuda do Governo. É pouco sério, ouviu um procurador geral que saiu do seu mandato. Por terminar o tempo. E falar dos versos do Zeca Afonso. Porque – diz ele – o partido socialista já pouco tem onde não mande. E refere a célebre frase de “eles vêm de noite, com passos de veludo... e comem tudo e não deixam nada”.

Não há classificação para se perder mais de meia hora de noticiário, a discutir se o PCP deve ou não pedidos de desculpa ao Partido Socialista.

Reparem que o silêncio cai sobre a cidade. O Governo faz-se insensível à voz do povo. Para se manter coeso na defesa do bolo da gestão das finanças.

Não há já pedófilos. Não há gente que se deixe comprar. Não há violência não há desemprego. A mudança de pirâmide etária, faz com que os jovens se abstenham da política. A não ser aqueles que já descobriram que é fácil viver dela.

Os mais velhos vão votar.­ Para esses, uma palavra sobre um miserável aumento­ de reforma, que na realidade nunca será. Os despe­dimentos e o desemprego estão legalizados. E em breve. Para cúmulo de vergonha. Os senhores em­presários. Ainda terão um subsídio por cada novo tra­balhador que admitirem.

 

 

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