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Genéricos

Opinião  »  2009-05-22  »  Anabela Santos

Tenho seguido com interesse, a guerra dos genéricos. Isto, aliás, é uma luta, que vem de longe. Quando andou pelos jornais, o caso do Sr. Pequito. Delegado de Informação médica de um laboratório. E iam dando com o homem em doido. Como se fosse um anormal extraterrestre. Toda a gente sabe que em parte ele tinha razão, que a denúncia foi mal feita. Que as razões não eram as mais correctas. Mas o Sr. Pequito levantou uma frente do véu de um enorme problema. Recordo que meu pai era abordado por delegados de informação. Que no fim da visita lhe deixavam mata-borrões ou esferográficas. Houve depois uma evolução. E as empresas analisavam os potenciais clínicos com maior capacidade de receituário. Daí, até começarem as ofertas de idas a congressos. Pagos pela indústria farmacêutica. Foi um salto. Não há nenhum problema em aceitar uma oferta de género. Desde que se comunique à Administração Regional de Saúde. E seja autorizado a deslocação. Com a condição de se ir mesmo assistir às sessões do congresso. Ficamos a dever muito convívio entre colegas. Quando na sequência de um encontro um professor credenciado, fazia uma conferência, sobre assuntos em debate. E é frequente e normal. Com a divulgação devida. Que no final fosse servido um jantar. Já não era tão linear o processo. Quando grande parte dos médicos. Não comparecem nas sessões de trabalho. Ficou célebre um congresso. Em que Portugal levou a maior representação. E na sala de trabalhos. Não estar nenhum presente. Surgem entretanto os chamados genéricos. Aí começam a aparecer as benesses aos farmacêuticos. Quando o farmacêutico recomenda um genérico. Não quer dizer que aconselhe o melhor. Mas aquele que para ele, alegadamente dá mais lucro.

Os genéricos não são todos iguais. Do mesmo produto há os de marca, mas há também as cópias. A luta de laboratórios é tão grande. Que se oferece às farmácias. Determinado número de embalagens. De acordo com o número de unidades que vendem. Assim se aumente o lucro. O sistema de saúde evolui de tal maneira. Que o governo não tem dinheiro para pagar as farmácias. Algumas têm dificuldades de tesouraria. Aí, o Sr. Cordeiro, cria um fundo de pagamento a juro baixo. Às farmácias em dificuldades. Cria assim uma espécie de banco. Ao mesmo tempo vem com o discurso misericordioso de que os doentes, poupam imenso. Se levarem os genéricos aconselhados pelos farmacêuticos. Que entretanto se transformam em “alfaces”. Individualizando assim a cor da bata. E procuram fidelizar os clientes com o cartão das farmácias. Como neste tempo todo, a Associação Nacional das farmácias, começa a ter laboratórios que produzem genéricos. Está fechado o circuito. Eles aconselham o genérico. O genérico é fabricado pelos laboratórios da sua cadeia. E o lucro aumenta debaixo do aspecto misericordioso de fornecer mais barato aos doentes.

Só que eu concordo e defendo, receitar pelo princípio activo, como se faz nos hospitais. Exemplo, a “amo­xilina”, que se vende com o nome de cipamox, clamoxyl ou outros. Mas o efeito não é igual para todos. O Diaze­pam, que se vende com o nome original a “Rocha” de valium, não tem o mesmo efeito nos doentes que conheço que outro similar, muito eficaz, que se encontra no mercado. Mas cujo efeito não é igual. O Pareceta­mol, chamado de bem.u.ron, actua com uma rapidez diferente dos genéricos que por aí andam.

Foi em espanto que ouvi na televisão há tempo um anúncio de que “para pequenas e grandes urgências procure o seu farmacêutico”.

E fiquei a idealizar o que era um traumatismo cra­neano ou um A.V.C em evolução, à espera à porta de uma farmácia. Uma senhora que dá pelo nome de Elisabete Faria, dizia há tempos que só os farmacêuticos tinham formação para receitas. E eu pergunto, a Sr. ª Bas­tonária dos farmacêuticos, qual é o seu crité­rio clínico para adequar o medicamento à doença.

O mundo da saúde envolve demasiado dinheiro. Para não haver guerra à volta dele. Até chegaremos ao ponto. De criarem custos insustentáveis. E numa reunião recente, haver quem proponha que a partir de certa fase. Não se gaste mais dinheiro do estado com os doentes. Imagine-se o que isto leva às instituições privadas a ganhar com esse futuro.

Sejamos claros. Que há médicos e farmacêuticos honestos. E há-os desonestos. Que o aumento da esperança de vida faz dos idosos um espantoso mercado emergente. Que a falta de política social do governo, leva à antecâmara de casas mortuárias, que são os “Lares de Idosos”, sem certificação.

A imensa luta pela vida, pode correr o risco de se transformar. Num enorme campo­ de guerra pelo dinheiro.

 

 

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