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Saco cheio

Opinião  »  2010-06-25  »  Denis Hickel

Na cidade do Cabo, África do Sul, a selecção de Portugal disputou o segundo jogo desta fase de grupos do Campeonato do Mundo de Futebol, frente à selecção da Coreia do Norte, cujo seleccionador declarou querer vingar a célebre derrota por 5-3 no ano de 1966, na prova que foi disputada em Inglaterra, depois de ao intervalo os asiáticos baterem a selecção portuguesa por 3-0 e que terminou com a vitória da selecção lusa com Eusébio em grande plano a virar o resultado e garantir a vitória para Portugal.

O jogo iniciou-se de forma cautelosa por parte das duas equipas, com a selecção portuguesa a dar mostras de cedo querer resolver o jogo, partindo de forma tímida para o ataque mas sem criar ocasiões soberanas de golo, merecendo destaque a iniciativa do defesa central Ricardo Carvalho que cabeceou uma bola que, caprichosamente, foi devolvida pelo poste da baliza norte coreana. Responderam os homens da selecção da Coreia do Norte que criaram alguns lances de ataque, obrigando a equipa portuguesa a baixar as suas linhas para proteger a sua área, não sem que passasse por alguns sustos e beneficiando da fraca qualidade técnica dos jogadores norte coreanos. A exibição da equipa das quinas vinha sendo descolorida, Cristiano Ronaldo não aparecia no jogo, mas aos vinte e nove minutos tudo mudou. Uma boa combinação entre Tiago e Raul Meireles já no meio campo defensivo da Coreia do Norte permitiu que a bola fosse endossada com mestria para o interior da área asiática onde surgiu Raul Meireles, isolado, para chutar para a baliza, fazendo um golo de belo efeito.

O intervalo chegou com o resultado de 1-0 favorável à selecção de Portugal. Esperava-se no segundo período forte reacção da selecção da Coreia do Norte, mas tal não sucedeu. A equipa abriu mais os seus espaços, desarticulou-se a olhos vistos e a selecção portuguesa aproveitou as liberdades concedidas para aumentar para 2-0 a sua vantagem por intermédio de Simão Sabrosa.

A partir daqui foi o descalabro completo da selecção da Coreia do Norte. Os golos da selecção de Portugal sucederam-se a um ritmo que há muito não se via, fazendo o que quis da selecção asiática cuja fragilidade foi por demais evidente quando quer jogar ao ataque, sem capacidade de reacção para suster a velocidade dos jogadores portugueses e com a sua defesa a cometer erros de palmatória que lhe custou uma goleada de 7-0, a mais elevada neste Campeonato do Mundo até este momento e que dificilmente será superada nos jogos que faltam.

Com este resultado poderá desde já dizer-se que a selecção de Portugal será apurada para a fase seguinte. É crível que a selecção da Costa do Marfim vença o jogo frente à Coreia do Norte, mas certamente não conseguirá ultrapassar a diferença de golos que a selecção de Portugal já detém. O próximo jogo será com a selecção do Brasil e esta quer, certamente, ficar na frente do grupo. Para isso, terá de vencer ou empatar com Portugal mas, com a exibição produzida na segunda parte, a selecção portuguesa ainda pode sonhar com o primeiro lugar, vencendo a selecção brasileira. O que não será um feito de grande monta, mesmo considerando o superior talento da selecção verde a amarela.

Nos outros jogos, assinala-se as derrotas das favoritas Alemanha, França e Espanha, do empate da Itália (o segundo) e do escândalo que gira em volta da selecção francesa que obrigou à intervenção do governo francês. Resultados normais nos restantes jogos.

 

 

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