Síndroma da gravata
Opinião
» 2011-11-10
» Jorge Cordeiro Simões
Como é usual, a manifestação era dirigida e enquadrada por elementos que - pelo que tenho observado ao longo de dezenas de anos - não desistem de aproveitar o mais que podem, o justo descontentamento de quem trabalha, com vista à sua promoção política. Que sentido tem fazer manifestações em frente da estação no Entroncamento? Está por acaso ali algum dos responsáveis pela situação a que aqueles e muitos outros trabalhadores da EMEF chegaram para lhes exigirem respostas e soluções para a amarga situação a que vão chegando? Que eu saiba, não.
Por isso, fazer manifestações naquele local, julgo que só interessa para fazer ou promover a ”notícia”. Parece pouco face aos problemas existentes. Creio aliás que a estratégia de ”fazer notícia”, ajudou a trazer-nos até á situação em que estamos. Como pertenço ao grupo de pessoas que se enganam e têm sido enganadas, posso estar também aqui em erro. Porém, creio ser elementar que para poderem ter algum fruto - mesmo que escasso - estes tipos de manifestação deveriam ser menos politizadas e feitas frente àqueles que foram e continuam a ser responsáveis pelo descalabro a que a EMEF - uma das mal geridas empresas fantasma da CP – chegou.
A situação resulta da cada vez mais dramática falta de competitividade, a que entre nós chegou o transporte ferroviário, no essencial fruto do desbragado esbanjamento de recursos, em desnecessárias, ruinosos e ás vezes até ridículas obras, contratos e iniciativas, além do custeamento duma estrutura hierárquica desmesuradamente pesada e com injustificadas e dispendiosas mordomias, onde alguns maduros engravatados, a troco do proverbial ”prato de lentilhas”, se prestaram e prestam, ao serviço de por todos os meios manter a tranquilidade e o ”status quo”, indispensáveis ao tranquilo usufruto dos iníquos privilégios de quem está mais acima. Andam de gravata e embora trabalhando numa empresa do sector ferroviário, como dispõem de automóvel, combustível e pagamento de portagens à custa de quem paga impostos, deslocam-se preferencialmente por estrada. E lá no topo desta pesadíssima hierarquia, chegou a haver (não sei se ainda há) quem utilizasse o avião para se deslocar entre Lisboa e o Porto. O que neste país ”ao fim e ao cabo”, apenas segue os péssimos exemplos de dispendiosa ostentação terceiro mundista, vindos das mais altas hierarquias do Estado.
No caso da EMEF, este tipo de personagens concentra-se na Amadora, com um digno representante no Entroncamento. Creio que é a essa gente que devem ser pedidas contas.
Permitam-me aqui a explicação sobre alguma aversão que criei em relação à gravata. Até finais da década de oitenta do século passado, eu mesmo usei este tipo de adorno com alguma frequência, sempre que me apetecia ou as circunstâncias o aconselhavam. Tenho o devido respeito pelas pessoas que por motivos profissionais a têm de utilizar no dia-a-dia, como é o caso de trabalhadores da banca, alguns comerciantes, delegados de propaganda médica, etc. Incluo naturalmente neste grupo, também muitos cidadãos que simplesmente a usam porque gostam e se habituaram a isso. Mas, para além das abundantes notícias que nos submergem, relativas a muitos bandidos engravatados que não param de sugar a sociedade portuguesa, aconteceu que um dia no gabinete dum director, estando com a minha bata oficinal naturalmente algo suja, perante uma piadinha que ali ouvi sobre as condições em que me apresentei, respondi que aquele era para mim o traje normal de um engenheiro. Ouvi de imediato que o traje do engenheiro
era a gravata. Embora isto tenha sido dito em tom de brincadeira, face a muita coisa que já observara e aprendera na vida, esta resposta fez sentido e a partir
desse momento, gravata só mesmo em raríssimas ocasiões muito especiais.
É que tal como a muitos agricultores foram dados subsídios para deixarem de cultivar a terra, a muitos engenheiros foram dadas ”gravatas”, para que deixassem de exercer a engenharia para a qual tinham obtido qualificações, promovendo-os em alguns casos, a gestores de ”meia-tijela”.
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Síndroma da gravata
Opinião
» 2011-11-10
» Jorge Cordeiro Simões
Como é usual, a manifestação era dirigida e enquadrada por elementos que - pelo que tenho observado ao longo de dezenas de anos - não desistem de aproveitar o mais que podem, o justo descontentamento de quem trabalha, com vista à sua promoção política. Que sentido tem fazer manifestações em frente da estação no Entroncamento? Está por acaso ali algum dos responsáveis pela situação a que aqueles e muitos outros trabalhadores da EMEF chegaram para lhes exigirem respostas e soluções para a amarga situação a que vão chegando? Que eu saiba, não.
Por isso, fazer manifestações naquele local, julgo que só interessa para fazer ou promover a ”notícia”. Parece pouco face aos problemas existentes. Creio aliás que a estratégia de ”fazer notícia”, ajudou a trazer-nos até á situação em que estamos. Como pertenço ao grupo de pessoas que se enganam e têm sido enganadas, posso estar também aqui em erro. Porém, creio ser elementar que para poderem ter algum fruto - mesmo que escasso - estes tipos de manifestação deveriam ser menos politizadas e feitas frente àqueles que foram e continuam a ser responsáveis pelo descalabro a que a EMEF - uma das mal geridas empresas fantasma da CP – chegou.
A situação resulta da cada vez mais dramática falta de competitividade, a que entre nós chegou o transporte ferroviário, no essencial fruto do desbragado esbanjamento de recursos, em desnecessárias, ruinosos e ás vezes até ridículas obras, contratos e iniciativas, além do custeamento duma estrutura hierárquica desmesuradamente pesada e com injustificadas e dispendiosas mordomias, onde alguns maduros engravatados, a troco do proverbial ”prato de lentilhas”, se prestaram e prestam, ao serviço de por todos os meios manter a tranquilidade e o ”status quo”, indispensáveis ao tranquilo usufruto dos iníquos privilégios de quem está mais acima. Andam de gravata e embora trabalhando numa empresa do sector ferroviário, como dispõem de automóvel, combustível e pagamento de portagens à custa de quem paga impostos, deslocam-se preferencialmente por estrada. E lá no topo desta pesadíssima hierarquia, chegou a haver (não sei se ainda há) quem utilizasse o avião para se deslocar entre Lisboa e o Porto. O que neste país ”ao fim e ao cabo”, apenas segue os péssimos exemplos de dispendiosa ostentação terceiro mundista, vindos das mais altas hierarquias do Estado.
No caso da EMEF, este tipo de personagens concentra-se na Amadora, com um digno representante no Entroncamento. Creio que é a essa gente que devem ser pedidas contas.
Permitam-me aqui a explicação sobre alguma aversão que criei em relação à gravata. Até finais da década de oitenta do século passado, eu mesmo usei este tipo de adorno com alguma frequência, sempre que me apetecia ou as circunstâncias o aconselhavam. Tenho o devido respeito pelas pessoas que por motivos profissionais a têm de utilizar no dia-a-dia, como é o caso de trabalhadores da banca, alguns comerciantes, delegados de propaganda médica, etc. Incluo naturalmente neste grupo, também muitos cidadãos que simplesmente a usam porque gostam e se habituaram a isso. Mas, para além das abundantes notícias que nos submergem, relativas a muitos bandidos engravatados que não param de sugar a sociedade portuguesa, aconteceu que um dia no gabinete dum director, estando com a minha bata oficinal naturalmente algo suja, perante uma piadinha que ali ouvi sobre as condições em que me apresentei, respondi que aquele era para mim o traje normal de um engenheiro. Ouvi de imediato que o traje do engenheiro
era a gravata. Embora isto tenha sido dito em tom de brincadeira, face a muita coisa que já observara e aprendera na vida, esta resposta fez sentido e a partir
desse momento, gravata só mesmo em raríssimas ocasiões muito especiais.
É que tal como a muitos agricultores foram dados subsídios para deixarem de cultivar a terra, a muitos engenheiros foram dadas ”gravatas”, para que deixassem de exercer a engenharia para a qual tinham obtido qualificações, promovendo-os em alguns casos, a gestores de ”meia-tijela”.
A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia
» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
A primeira encíclica do Papa Leão XIV – Magnifica Humanitas – toca em duas áreas fulcrais para a humanidade. A área da tecnologia e a área política. A Inteligência Artificial (IA) não é rejeitada pelo Vaticano. |
Minudências que consomem - carlos paiva
» 2026-06-07
» Carlos Paiva
A micro gestão, em inglês micromanagement, é um dos erros de gestão mais combatido nas estruturas empresariais. Caracterizada pela centralização de decisões, ausência de delegação de tarefas e responsabilidades, obsessão com detalhes e comunicação unilateral entre camadas hierárquicas. |
O precipício ao virar da esquina - antónio mário
» 2026-06-07
» António Mário Santos
Algo vem ganhando força e expressão, nos últimos tempos, a nível nacional: a consciência da ingovernabilidade do sistema político. O aumento do descontentamento popular, ante a realidade sociopolítica da degradação da qualidade de vida no mundo do capitalismo neoliberal, alimentou o crescimento da extrema-direita. |
A verdade dos números - antónio gomes
» 2026-06-07
» António Gomes
Realizou-se recentemente um debate sobre segurança e criminalidade em Torres Novas, promovido pela respectiva Assembleia Municipal e que contou com um conjunto de entidades oficiais – Secretária Geral do Sistema de Segurança Interna, comandante do Destacamento territorial da GNR, subcomissário da esquadra da PSP de Torres Novas, do coordenador da protecção Civil concelhia e ainda da procuradora da República e coordenadora da Comarca de Santarém. |
Labregos & rufiões - acácio gouveia
» 2026-06-07
» Acácio Gouveia
(...) e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os chifres dez diademas, e sobre as cabeças um nome de blasfémia” - Apocalipse S. João 13.1 Parece mesmo um argumento de filme apocalíptico, saído dos estúdios de Holywood, candidato a um sucesso de bilheteira. |
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
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» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Da importância da redenção |
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» 2026-05-18
» Carlos Paiva
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» 2026-05-18
» António Gomes
Obras públicas concelhias |
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» 2026-05-18
» António Mário Santos
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» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia |