Warning: file_get_contents(http://api.facebook.com/restserver.php?method=links.getStats&urls=jornaltorrejano.pt%2Fopiniao%2Fnoticia%2F%3Fn-24d6605a): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 404 Not Found in /htdocs/public/www/inc/inc_pagina_noticia.php on line 148
Jornal Torrejano
 • SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quinta, 11 Junho 2026    •      Directora: Inês Vidal; Director-adjunto: João Carlos Lopes    •      Estatuto Editorial    •      História do JT
   Pesquisar...
Dom.
 35° / 18°
Céu limpo
Sáb.
 38° / 19°
Céu limpo
Sex.
 38° / 21°
Períodos nublados
Torres Novas
Hoje  37° / 16°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O rio que maltratamos mata-nos a sede

Opinião  »  2026-05-18  »  António Mário Santos

Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo.

A ausência duma comissão municipal da cultura a sério, capaz de pensamento crítico e ligação profunda com o meio, independente de interesses partidocráticos, da defesa de cargos de nomeação que se ocupam, ou dos subsídios de que se depende, conduziu, no passado, a uma desvalorização do que se considera a produção criativa local, em troca de acções estruturadas com figuras ditas de relevo, pagas muitas vezes a peso de ouro, que, após o fulgor momentâneo da sua intervenção, não deixaram sementes aptas a criar raízes e gerar frutos. Em cinco sectores municipais, a Biblioteca Gustavo Pinto Lopes, o Museu Municipal Carlos Reis, o Centro Documental Humberto Delgado, a sala de espetáculos Virgínia, a Central do Caldeirão, se concentrava, com programas autónomos, concorrenciais, por vezes conflituantes, a acção cultural do município, sem qualquer intervenção directa da comunidade, e nenhuma autoavaliação crítica posterior conhecida dos resultados atingidos.

Não sou dos que, quando o poder muda de mãos, mesmo que de forma parcial, coloque o selo da negatividade no que se diz querer mudar. Há sempre um tempo de espera, de adaptação, que assenta no que já existe, e que num mandato de quatro anos, pode começar a ser diferente, na prática, quando se aproxima o tempo do próprio programa, quase no final do primeiro ano.

O actual presidente da Câmara, Dr. José Manuel Trincão Marques, apresentou-se ao eleitorado, e venceu, sob o signo da mudança.

Herdara, do seu partido, uma difícil gestão de muita parra e pouca uva, treinada na aparência e quase ignara na produtividade, que perdera, entre os munícipes, a credibilidade, mas da qual, como presidente da Assembleia Municipal cessante, não poderia alhear-se, nem mostrar ignorância.

A sua vitória na direcção concelhia assentara na necessidade duma decisiva viragem. Mesmo com a renovação das listas eleitorais do PS, a vitória do PSD/CDS ameaçara ser credível, e o aparecimento do Chega propulsionado pela propaganda Ventura em todos os canais televisivos e redes sociais, prepararam terreno a uma viragem à direita, que um populismo com espírito de crença liberal/conservadora de cariz religioso sustentava no concelho rural e no semiurbano.

Por outro lado, à sua esquerda, a multiplicidade partidária, perdida nos seus labirintos com mais dum século de desavenças, que lhe ia retirando o encanto da solidariedade colectiva da revolução de Abril e dos seus sonhos de mudança e de progresso, com boas intenções e projectos, mas sem força para uma união consequente dos defensores da Democracia e da Constituição, pulverizada numa cada vez menor aceitação, expresso no voto, ante o ataque diário do poder multimilionário do capitalismo selvagem, do seus aliados neoliberais e do neofascismo ressuscitado.

O Dr. José Manuel Trincão Marques, ao vencer as eleições municipais, sem maioria, assumiu essa desvantagem, dizendo que com ele iria mudar, na relação com o munícipe, na acção da Câmara em relação ao concelho, na atenção dada aos problemas herdados e não resolvidos, na distribuição dos pelouros pelos vereadores eleitos do PS, na estruturação para um próximo programa, dalgumas alterações no quadro de pessoal, em acções de mudança no funcionamento dos serviços municipais.

Seis meses depois, desaparecido o obstáculo duma tentativa de derrube, pela aliança PSD/CDS com o Chega, por o vereador deste último ter abandonado o partido, mantendo-se como independente, o que, para quem saiba ler, mudou por completo o modo do jogo no actual xadrez político municipal, não se estranha que nas redes sociais, o Dr. José Manuel Trincão Marques venha assumir que o trabalho por si concretizado até o momento demonstre mudança, com respeito pelo outro, em defesa da democracia.

Pessoalmente, creio que é cedo para tal demonstração de sucesso.

Há algo que, para mim, marca, decisivamente, a qualidade dum político: a humildade e a autocrítica. Acima de tudo, vigiar-se na euforia, quando se começa a desembrulhar a meada dum concelho, com anos de muito pouco respeito pelos seus concidadãos. O caminho não é nada fácil, caro presidente!

No caso da cultura, tema que me trouxe a esta reflexão, o novelo, por muito boa vontade de mudança, ainda mal iniciou o desenrolar o fio de Ariadne que conduzirá Teseu ao Minotauro.

A verba orçamentada, ainda por cima, não permite senão meros paliativos em algo que necessita de sério tratamento cirúrgico.

Eu identifico-a a um rio, no seu próprio tempo, e no dos que o utilizam. Dois tempos diferentes, que se interligam, num mútuo respeito. E, desculpe-se-me a citação da cientista escritora Vanessa Taylor, no suplemento, de domingo último, do Público: «os rios nunca são neutros, são canais de poder, quanto de água…; o que fazemos com os nossos rios, diz-nos quem tem o poder e o que valorizamos».

 

 

 

 


 


 

 

 Outras notícias - Opinião


A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia »  2026-06-07  »  Jorge Carreira Maia

 

A primeira encíclica do Papa Leão XIV – Magnifica Humanitas – toca em duas áreas fulcrais para a humanidade. A área da tecnologia e a área política. A Inteligência Artificial (IA) não é rejeitada pelo Vaticano.
(ler mais...)


Minudências que consomem - carlos paiva »  2026-06-07  »  Carlos Paiva

A micro gestão, em inglês micromanagement, é um dos erros de gestão mais combatido nas estruturas empresariais. Caracterizada pela centralização de decisões, ausência de delegação de tarefas e responsabilidades, obsessão com detalhes e comunicação unilateral entre camadas hierárquicas.
(ler mais...)


O precipício ao virar da esquina - antónio mário »  2026-06-07  »  António Mário Santos

Algo vem ganhando força e expressão, nos últimos tempos, a nível nacional: a consciência da ingovernabilidade do sistema político.

O aumento do descontentamento popular, ante a realidade sociopolítica da degradação da qualidade de vida no mundo do capitalismo neoliberal, alimentou o crescimento da extrema-direita.
(ler mais...)


A verdade dos números - antónio gomes »  2026-06-07  »  António Gomes

Realizou-se recentemente um debate sobre segurança e criminalidade em Torres Novas, promovido pela respectiva Assembleia Municipal e que contou com um conjunto de entidades oficiais – Secretária Geral do Sistema de Segurança Interna, comandante do Destacamento territorial da GNR, subcomissário da esquadra da PSP de Torres Novas, do coordenador da protecção Civil concelhia e ainda da procuradora da República e coordenadora da Comarca de Santarém.
(ler mais...)


Labregos & rufiões - acácio gouveia »  2026-06-07  »  Acácio Gouveia

(...) e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os chifres dez diademas, e sobre as cabeças um nome de blasfémia” - Apocalipse S. João 13.1

Parece mesmo um argumento de filme apocalíptico, saído dos estúdios de Holywood, candidato a um sucesso de bilheteira.
(ler mais...)


Da importância da redenção »  2026-05-18  »  Jorge Carreira Maia

Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo.
(ler mais...)


Obras públicas concelhias »  2026-05-18  »  António Gomes

Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário.

Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar.
(ler mais...)


Todo bem vestido e sem sítio para ir »  2026-05-18  »  Carlos Paiva

Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório.
(ler mais...)


A aposta na mobilidade não pode parar »  2026-05-04  »  António Gomes

Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2026-05-18  »  Jorge Carreira Maia Da importância da redenção
»  2026-05-18  »  Carlos Paiva Todo bem vestido e sem sítio para ir
»  2026-05-18  »  António Gomes Obras públicas concelhias
»  2026-05-18  »  António Mário Santos O rio que maltratamos mata-nos a sede
»  2026-06-07  »  Jorge Carreira Maia A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia