A DIRÉCTICA DA ERRÁTICA TRUMPISTA
Opinião
» 2025-09-06
» José Alves Pereira
O comportamento de Trump lançou a confusão e mesmo a desorientação em muitos sectores opinativos apressados em construir alinhamentos e objectivos estratégicos despropositados.
A ideia de que a sua prática política, dita errática, carecia de motivações ideológicas, é uma ilusão que convém desmontar. Funcionando como truão do sistema, mascara o clima de degradação social e democrática que nos EUA se vem desenrolando há anos. Mais que causa, Trump é consequência.
O discurso argumentativo primário e mesmo de contornos boçais tende a esconder os objectivos bem precisos da sua política. Os aparentes tropeços e contradições fazem parte de um estilo que privilegia o exótico e mesmo o anedótico, visando escamotear o essencial.
As denúncias, interpretações, jocosidades, dislates, pessoalizando os comportamentos, mais não fazem que singularizar as orientações estratégicas que enformam as classes económicas, financeiras, militares e mediáticas, base estrutural do imperialismo dos EUA.
São os sinais de um sistema que mergulhado na decadência económica, financeira e social, se agarra com as forças poderosas que ainda dispõe a um universo unipolar já inexistente. O sistema mediático dependente dos dois polos em desagregação, oscilando entre eles, vai dando cobertura ao manobrismo de totalitarismo classista. Comentadores, ufanos mas cegos, vão falando de uma sociedade equilibrada por contrapoderes. Os EUA estão hoje vivendo num sistema perigosamente bloqueado, sem alternativas a não ser a desagregação, a conflitualidade permanente dentro de si e com o resto do mundo.
A “errática” trumpista é uma nebulosa por onde corre uma “diréctica” muito persistente e bem definida linha ideológica de protecção aos detentores dos vários poderes.
O que distingue Republicanos de Democratas não é muito. Diferem no estilo porque na prática representam polos diferentes de defesa dos mesmos interesses. É preciso perspicácia e boa vontade para encontrar contradições profundas entre os Reagan, Busch, Clinton, Obama, Biden, etc.
Com Trump, os conglomerados financeiros, económicos e militares tomaram despudoradamente o poder sem olhar a entraves nem cuidados de imagem moral e democrática. Com objectivos estratégicos orientados para outras partes do mundo, nomeadamente a China, passaram a desprezar os seus amigos, nomeadamente europeus, que outra coisa não foram nunca senão vassalos. No plano interno, o chamado Partido Democrático funciona como um zombie; depois de apearem o gangster senil e de lhe retirarem a mesada financeira para a campanha, empurraram santa Kamala para a tentativa de salvação.
O estilo faz a política, mas é esta que determina os objectivos. Os seus adeptos, internos e externos, simulam críticas secundárias e dão cobertura e justificação às suas acções agressivas e terroristas contra outros povos, num permanente desrespeito por países e instituições. Da protecção ao genocida Netanyahu e a Bolsonaro, à ameaça de assassinar governantes de outros países ou de os bombardear quando lhe apetecer; da perseguição aos juízes do TPI ao desígnio de atacar a Venezuela e Irão ou construir uma riviera em Gaza expulsando os palestinianos. É o vale tudo num profundo e persistente exercício de imoralidade e venalidade política. Da infantilização dos Musks aos torturadores de Abu Ghraib, da prisão concentracionária de Guantanamo às armas de destruição maciça e aos desinfectantes para tratar o Covid 19, e tantos, tantos outros crimes, se forma o arco da degenerescência social que encobre uma política continuada de banditismo de classe através do aparelho de estado.
Com um tecido económico depauperado e um déficit astronómico, os EUA, com Trump à cabeça ensaiam resolver os seus problemas usando as pressões económicas, sanções, ameaças militares, chantagens territoriais, etc.
É indecoroso e seria susceptível de vergonha, coisa que infelizmente os governantes europeus não têm, ouvir Trump vangloriar-se de que está a ganhar dinheiro com a guerra da Ucrânia, sendo os europeus a pagar as armas que compram aos EUA. Pergunta-se, porque se submete a UE a estes enxovalhos? É que a UE, leia-se as suas castas dominantes, também têm interesses próprios a defender e sabem que a aliança, mesmo submissa e espúria, com o seu poderoso patrono, é preferível a ver a “populaça” na rua a exigir outras políticas.
Os governos amestrados da europa, incluindo o português, defensores dos interesses dos grupos classistas dos seus países, empalmados entre o discurso e a acção, vão tentando equilibrar-se na corda bamba. A oratória desconcertante de Trump funciona como bóia de salvação de políticos que assim encontram pretexto para fugir à discussão do essencial.
Se a alguém desorientou foi aos comentadores que avaliam a política pela retórica propagandística, pelo foguetório reaccionário e pelos soundbites e não pelos objectivos de classe que o atravessam e determinam . As farroncas ameaçadoras de Trump servem para os heróis de sofá exibirem a sua macheza verbal, disparando ciscos e coriscos contra os infiéis. No plano pessoal Trump é, todavia, a demonstração de um sujeito sem carácter, perigoso para a humanidade.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
A DIRÉCTICA DA ERRÁTICA TRUMPISTA
Opinião
» 2025-09-06
» José Alves Pereira
O comportamento de Trump lançou a confusão e mesmo a desorientação em muitos sectores opinativos apressados em construir alinhamentos e objectivos estratégicos despropositados.
A ideia de que a sua prática política, dita errática, carecia de motivações ideológicas, é uma ilusão que convém desmontar. Funcionando como truão do sistema, mascara o clima de degradação social e democrática que nos EUA se vem desenrolando há anos. Mais que causa, Trump é consequência.
O discurso argumentativo primário e mesmo de contornos boçais tende a esconder os objectivos bem precisos da sua política. Os aparentes tropeços e contradições fazem parte de um estilo que privilegia o exótico e mesmo o anedótico, visando escamotear o essencial.
As denúncias, interpretações, jocosidades, dislates, pessoalizando os comportamentos, mais não fazem que singularizar as orientações estratégicas que enformam as classes económicas, financeiras, militares e mediáticas, base estrutural do imperialismo dos EUA.
São os sinais de um sistema que mergulhado na decadência económica, financeira e social, se agarra com as forças poderosas que ainda dispõe a um universo unipolar já inexistente. O sistema mediático dependente dos dois polos em desagregação, oscilando entre eles, vai dando cobertura ao manobrismo de totalitarismo classista. Comentadores, ufanos mas cegos, vão falando de uma sociedade equilibrada por contrapoderes. Os EUA estão hoje vivendo num sistema perigosamente bloqueado, sem alternativas a não ser a desagregação, a conflitualidade permanente dentro de si e com o resto do mundo.
A “errática” trumpista é uma nebulosa por onde corre uma “diréctica” muito persistente e bem definida linha ideológica de protecção aos detentores dos vários poderes.
O que distingue Republicanos de Democratas não é muito. Diferem no estilo porque na prática representam polos diferentes de defesa dos mesmos interesses. É preciso perspicácia e boa vontade para encontrar contradições profundas entre os Reagan, Busch, Clinton, Obama, Biden, etc.
Com Trump, os conglomerados financeiros, económicos e militares tomaram despudoradamente o poder sem olhar a entraves nem cuidados de imagem moral e democrática. Com objectivos estratégicos orientados para outras partes do mundo, nomeadamente a China, passaram a desprezar os seus amigos, nomeadamente europeus, que outra coisa não foram nunca senão vassalos. No plano interno, o chamado Partido Democrático funciona como um zombie; depois de apearem o gangster senil e de lhe retirarem a mesada financeira para a campanha, empurraram santa Kamala para a tentativa de salvação.
O estilo faz a política, mas é esta que determina os objectivos. Os seus adeptos, internos e externos, simulam críticas secundárias e dão cobertura e justificação às suas acções agressivas e terroristas contra outros povos, num permanente desrespeito por países e instituições. Da protecção ao genocida Netanyahu e a Bolsonaro, à ameaça de assassinar governantes de outros países ou de os bombardear quando lhe apetecer; da perseguição aos juízes do TPI ao desígnio de atacar a Venezuela e Irão ou construir uma riviera em Gaza expulsando os palestinianos. É o vale tudo num profundo e persistente exercício de imoralidade e venalidade política. Da infantilização dos Musks aos torturadores de Abu Ghraib, da prisão concentracionária de Guantanamo às armas de destruição maciça e aos desinfectantes para tratar o Covid 19, e tantos, tantos outros crimes, se forma o arco da degenerescência social que encobre uma política continuada de banditismo de classe através do aparelho de estado.
Com um tecido económico depauperado e um déficit astronómico, os EUA, com Trump à cabeça ensaiam resolver os seus problemas usando as pressões económicas, sanções, ameaças militares, chantagens territoriais, etc.
É indecoroso e seria susceptível de vergonha, coisa que infelizmente os governantes europeus não têm, ouvir Trump vangloriar-se de que está a ganhar dinheiro com a guerra da Ucrânia, sendo os europeus a pagar as armas que compram aos EUA. Pergunta-se, porque se submete a UE a estes enxovalhos? É que a UE, leia-se as suas castas dominantes, também têm interesses próprios a defender e sabem que a aliança, mesmo submissa e espúria, com o seu poderoso patrono, é preferível a ver a “populaça” na rua a exigir outras políticas.
Os governos amestrados da europa, incluindo o português, defensores dos interesses dos grupos classistas dos seus países, empalmados entre o discurso e a acção, vão tentando equilibrar-se na corda bamba. A oratória desconcertante de Trump funciona como bóia de salvação de políticos que assim encontram pretexto para fugir à discussão do essencial.
Se a alguém desorientou foi aos comentadores que avaliam a política pela retórica propagandística, pelo foguetório reaccionário e pelos soundbites e não pelos objectivos de classe que o atravessam e determinam . As farroncas ameaçadoras de Trump servem para os heróis de sofá exibirem a sua macheza verbal, disparando ciscos e coriscos contra os infiéis. No plano pessoal Trump é, todavia, a demonstração de um sujeito sem carácter, perigoso para a humanidade.
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» Acácio Gouveia
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» Jorge Carreira Maia
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» António Gomes
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» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
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» 2026-05-18
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» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
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