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Isto já lá não vai com palmas, Carlos - carlos paiva

Opinião  »  2025-08-25  »  Carlos Paiva

Recentemente, a autarquia usou o seu segundo canal de comunicação favorito, o jornal O Mirante, publicação de âmbito regional sediada noutra cidade, para se lamentar acerca de equipamentos com uso livre, estacionamentos, disponibilizados à população, local, que não estão a ser usufruídos e a população, local, mantém-se a protestar acerca da falta de estacionamento. Bom. Esta aparente banalidade merece alguns comentários.

Primeiro. Se lerem o parágrafo atrás a respeitar as vírgulas, percebem imediatamente o atestado de inutilidade que autarquia passa à comunicação social local. A malta sabe perfeitamente que esta folha onde vos escrevo é reservado aos comunistas e outras esquerdalhas, por isso, vade retro, liminarmente excluído portanto. Não tivessem assassinado o outro. A rádio local, resume o seu propósito ao pagamento de uns salários, porque de resto é perfeitamente inútil. Serviu o seu propósito em tempos idos, depois de cumprida a função, esvaziada de conteúdos e competências, após o advento da world wide web, não houve nem arte nem engenho para a reinvenção, ninguém liga àquilo. O Riachense é o riachense. É estrangeiro, fica de fora. E… pronto, são estes os meios de comunicação social ainda vivos. Este facto por si só, ilustra fidedignamente a vitalidade e crescimento da sociedade torrejana. Ajudada pela tal postura de política de proximidade, slogan de campanha. Vira-se costas ao que é local, ambiciona-se outros palcos mais abrangentes. A fazer figuras tristes, que seja em grande.

Segundo. Estacionamentos das 8 às 20, não entra na definição de estacionamento "livre". É estacionamento condicionado, gratuito. A população que a autarquia tem o dever de servir, não está de forma nenhuma vinculada a usar os equipamentos que a autarquia decide unilateralmente disponibilizar, nos locais e moldes em que a autarquia impõe. Chama-se democracia, isso é outra coisa qualquer. Muito menos, essa população cuja autarquia tem o dever de servir, pode ser apontada como responsável pelo custo financeiro da decisão, qual criança petulante que não ligou nenhuma ao brinquedo de porcelana caríssimo importado de Paris. A soberba resultante das maiorias absolutas leva a que os poderes se isolem da realidade e vivam numa bolha onde toda e qualquer burrada é tida como ideia de génio. Os poderes alucinam.

Terceiro. Confessar numa publicação de âmbito regional que a população, cujo dever da autarquia é servir (por muito que repita isto suspeito que será sempre insuficiente), não passa cartão nenhum aos equipamentos disponibilizados, é de uma imaturidade política pueril. Sendo de borla e a população não usa, é porque não serve as necessidades da população, ponto. Ainda por cima culpar a população, é insulto. Usar um palco com mais visibilidade para confessar as asneiras, brilhante. Nunca vos passou pela cabeça porque é que um confessionário é uma caixinha fechada? Mas já que é assim, aproveitem para divulgar a adesão massiva da população mais a migração turística, àquela orgia de cimento ridícula, à torreira do sol, sem uma única sombra, com vista para os telhados de um centro histórico em ruínas, ao qual decidiram chamar miradouro, onde esbanjaram uma pequena fortuna.

O Sr. Presidente atingiu o limite de mandatos e está de saída. O Sr. Presidente pertence àquela geração que usava exclusivamente a porta da cozinha para entrar e sair de casa. A porta da frente estava sempre fechada e o hall de entrada era tão inacessível quanto imaculadamente limpo, cuja existência se tornava um mito, segredado entre familiares directos. Espero que o próximo, seja ele quem for, pertença a outra geração, use a porta da frente para entrar e, quando sair, saia também por lá. Acabe-se com os mitos, de vez. Sr. Presidente, ponha o alarme no telemóvel para as 19:45h, para ir buscar o carro. Do miradouro ao estacionamento é sempre a descer, quinze minutos devem ser suficientes. Se não parar muitas vezes pelo caminho a agradecer as palmas.

 

 

 

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