Ai Jesus, uma lição sobre a contemporaneidade
Opinião
» 2015-06-05
» Jorge Carreira Maia
"A transferência de Jesus, (...), tem sido uma verdadeira lição sobre as sociedades contemporâneas."
A transferência do treinador Jorge Jesus do Benfica para o Sporting é um daqueles momentos privilegiados em que podemos perceber onde reside a força simbólica do futebol, força que permite agregar milhões de pessoas, dando vazão aos sentimentos e às emoções que a vida obriga a recalcar. Como todos os grandes símbolos, o futebol tira a sua força da ambiguidade que reside nele.
Por um lado, é o emblema das sociedades de mercado, assentes na competição e na concorrência, onde, com excepção daquilo que é explicitamente ilegal (e mesmo aí...), tudo é possível, não havendo quaisquer limites ético-morais que travem a busca da vitória sobre o rival. E as multidões de adeptos, onde se incluem pessoas de elevada honradez, compreendem este tipo de práticas e, mais do que isso, exigem-nas.
Por outro, o futebol acorda, nessas mesmas multidões ávidas de vitórias custe o que custar, uma estranha nostalgia por uma comunidade ética perfeita. Valores como fidelidade, gratidão, respeito, reconhecimento são trazidos à luz do dia e esgrimidos contra aqueles que, movidos pelo seu interesse pessoal, fazem escolhas que contrariam o coração do adepto. A reacção dos benfiquistas à saída de Jorge Jesus é apenas mais um exemplo dessa nostalgia de uma comunidade ética sem a mácula da traição.
O futebol atrai multidões porque é o dispositivo simbólico que consegue soldar, em milhões e milhões de seres humanos, a necessidade de ser moderno e competitivo, adequado à sociedade concorrencial em que vivemos, com o apelo nostálgico de uma comunidade solidária, de valores morais irrepreensíveis. O futebol alimenta tanto a razão calculadora do homem como o foco imaginário de uma utopia social construída na nostalgia de uma ordem pré-moderna. A transferência de Jesus, para além do seu significado escatológico e sotereológico clubista, tem sido uma verdadeira lição sobre as sociedades contemporâneas.
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Ai Jesus, uma lição sobre a contemporaneidade
Opinião
» 2015-06-05
» Jorge Carreira Maia
A transferência de Jesus, (...), tem sido uma verdadeira lição sobre as sociedades contemporâneas.
A transferência do treinador Jorge Jesus do Benfica para o Sporting é um daqueles momentos privilegiados em que podemos perceber onde reside a força simbólica do futebol, força que permite agregar milhões de pessoas, dando vazão aos sentimentos e às emoções que a vida obriga a recalcar. Como todos os grandes símbolos, o futebol tira a sua força da ambiguidade que reside nele.
Por um lado, é o emblema das sociedades de mercado, assentes na competição e na concorrência, onde, com excepção daquilo que é explicitamente ilegal (e mesmo aí...), tudo é possível, não havendo quaisquer limites ético-morais que travem a busca da vitória sobre o rival. E as multidões de adeptos, onde se incluem pessoas de elevada honradez, compreendem este tipo de práticas e, mais do que isso, exigem-nas.
Por outro, o futebol acorda, nessas mesmas multidões ávidas de vitórias custe o que custar, uma estranha nostalgia por uma comunidade ética perfeita. Valores como fidelidade, gratidão, respeito, reconhecimento são trazidos à luz do dia e esgrimidos contra aqueles que, movidos pelo seu interesse pessoal, fazem escolhas que contrariam o coração do adepto. A reacção dos benfiquistas à saída de Jorge Jesus é apenas mais um exemplo dessa nostalgia de uma comunidade ética sem a mácula da traição.
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ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem!
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A Fraude - I
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» Acácio Gouveia
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Do diáfano do imaginário à aridez da realidade
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Numa conversa recente, motivada pelos exames e o futuro da educação concelhia, veio ao de cima o actual desencanto da juventude, que, após o fim do secundário, ou entra numa universidade, ou sem posses para as mesmas, sedeadas nas principais cidades do país, opta pelo ensino superior tecnológico, diversificado no Médio Tejo, em Abrantes, Tomar ou Santarém. |
Esposas, mães, filhas, irmãs, mulheres
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Para escrever as crónicas no Jornal Torrejano, habitualmente faço previamente um périplo pela imprensa regional para me inteirar da realidade, ficar a saber o que se passa. Nem sempre o tema seleccionado é o mais relevante da actualidade, depende da inspiração para escrever, depende de factores, muitas vezes, aleatórios. |
Cinismo e humilhação - jorge carreira maia
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A recente visita do Presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, é, por parte do presidente chinês, um exercício de cinismo e de humilhação do país anfitrião. Não fora Donald Trump o presidente em exercício, e seria duvidoso que a atitude de Jinping fosse a mesma. |
Biometano versus solar e eólico
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O Governo aprovou recentemente o “Mapa Verde” para as energias renováveis, ou seja, criou as chamadas Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER), uma espécie de autoestrada para os projectos de energia com origem no solar e no eólico. |
A liberdade de informação e o poder político
» 2026-09-19
» António Mário Santos
A leitura recente da página digital do Jornal Torrejano deixou-me preocupado. Ante a publicação duma notícia sobre um ajuste directo feito pelo presidente da Câmara, no valor de 10.500 euros, com o “Mirante”, para publicação de notícias sobre a actividade autárquica, extraída dum comunicado da concelhia do PSD, informando que os seus vereadores no executivo municipal iriam pedir informações mais detalhadas, já porque o quadro camarário já contempla para este efeito, 10 postos de trabalho, 8 ocupados, 2 cativos, surgiu um protesto dum dos proponentes da lista do actual presidente, considerando que o jornal se estava a transformar num órgão de oposição ao actual presidente socialista. |
Salve-se quem puder
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O Princípio da Realidade
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» Jorge Carreira Maia
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