Labregos & rufiões - acácio gouveia
Opinião
» 2026-06-07
» Acácio Gouveia
(...) e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os chifres dez diademas, e sobre as cabeças um nome de blasfémia” - Apocalipse S. João 13.1
Parece mesmo um argumento de filme apocalíptico, saído dos estúdios de Holywood, candidato a um sucesso de bilheteira. Só que é realidade e não ficção cinematográfica. A mais poderosa superpotência mundial, pioneira do neo-iluminismo do século XX/ XXI, vanguardista da tecnologia e do conhecimento, ultramundana e pluriétnica, com historial de sucessos diplomáticos e com influência global inquestionável, herdeira de dois séculos de vivência democrática, essa mesmo, está entregue a um autocrata narcisista, incompetente e arruaceiro. Trump! Mais ganancioso que Crasso, palavroso como Fidel, boçal como Mao, vaidoso como Bokassa, perverso como Tamerlão, corrupto como Mugabe, falso como Pizarro, mesquinho como Salazar, fanfarrão como Idi Amin Dada, ridículo como Heliogábalo, instigador de ódio como Pol Pot, vaidoso como Nero, fanático religioso como Torquemada, nepotista como Napoleão, senhor duma incompetência diplomática confrangedora, para a qual não encontro paralelo. Foi esta “prenda” que americanos escolheram para dirigir os destinos do país e, por arrasto, do resto do mundo.
Em termos de política interna, a quadrilha trumpista têm-se esmerado por desmantelar o regime democrático instaurado pelos pais fundadores há dois séculos e meio. Empenham-se em promover o ódio entre os americanos, o racismo, o obscurantismo científico e cultural, a misoginia e a incrementar as desigualdades sociais. Enfim... a boçalidade tomou o poder da superpotência dominante.
Desiluda-se quem julgue que estamos perante o regresso do isolacionismo de outras eras. Esta súcia de flibusteiros, sob a batuta do actual presidente, está engajada numa cruzada de metastização ideológica tendo como alvos prioritários os regimes democráticos liberais da Europa. Assim se explica o apoio desbragado a Orban e aos partidos de extrema-direita europeus, pretensamente “identitários”; assim se justifica a simpatia trumpista pelo expansionismo imperialista de Putin. Estamos perante uma doutrina Monroe para a Europa, que se traduz numa tentativa de exportação de valores MAGA: governação ditatorial, intolerância ideológica, religiosa, racial e sexual, obscurantismo científico e cultural, destruição do estado social, substituição de imprensa livre pela mentira sistemática, à boa maneira orweliana. Enfim: o culto do ódio e da ignorância. Uma vez destruída a União Europeia, e substituída por uma série de regimes ditos “identitários”, desengane-se quem acredita na Europa das nações livres.
O paradoxo destes partidos nacionalistas europeus, que clamam pela emancipação nacional face ao “poder de Bruxelas”, reside na sua submissão aos ideólogos e valores estrangeiros de além Atlântico. Portanto, deles pode-se esperar tudo menos independências nacionais e autonomias culturais nas várias nações europeias. Não passam de submissas quintas colunas da administração de alarves e arruaceiros actualmente sediada na Casa Branca. Desde os cercos de Viena pelo Império Otomano que a Europa não enfrentava uma tal ameaça existencial. Desde a ascensão do nazismo que a alma europeia não enfrentava tal desafio.
E Portugal? Sabemos qual foi o único líder partidário convidado para a histriónica tomada de posse do 47.º presidente dos EUA. A cartilha do partido Chega está em sintonia com a mensagem obscurantista, xenófoba e fundamentalista religiosa, propagada pelo sinistro vice Vance. Contrariamente ao mantra “identitário”, esta receita vinda do outro lado do Atlântico é alheia à nossa tradição cultural europeia e, portanto, portuguesa.
Que queremos para o nosso país? Um povo dividido em conflito permanente? Transplantar para Portugal o racismo do Alabama? Desejamos o fim do Estado laico e da liberdade religiosa? A homofobia e o regresso ao marialvismo bacoco? A liberalização do uso de armas de fogo? A falsificação científica e a consagração das vigarices dum Kennedy – personagem que nenhum país de terceiro mundo aceitaria como ministro da saúde - em vez de saúde pública? A transformação das forças policiais em milícias partidarizadas? O fim da independência dos tribunais? É isto que almejamos? Queremos um Portugal europeu ou uma metástase do que pior surgiu nos EUA: a ideologia MAGA?
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Labregos & rufiões - acácio gouveia
Opinião
» 2026-06-07
» Acácio Gouveia
(...) e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os chifres dez diademas, e sobre as cabeças um nome de blasfémia” - Apocalipse S. João 13.1
Parece mesmo um argumento de filme apocalíptico, saído dos estúdios de Holywood, candidato a um sucesso de bilheteira. Só que é realidade e não ficção cinematográfica. A mais poderosa superpotência mundial, pioneira do neo-iluminismo do século XX/ XXI, vanguardista da tecnologia e do conhecimento, ultramundana e pluriétnica, com historial de sucessos diplomáticos e com influência global inquestionável, herdeira de dois séculos de vivência democrática, essa mesmo, está entregue a um autocrata narcisista, incompetente e arruaceiro. Trump! Mais ganancioso que Crasso, palavroso como Fidel, boçal como Mao, vaidoso como Bokassa, perverso como Tamerlão, corrupto como Mugabe, falso como Pizarro, mesquinho como Salazar, fanfarrão como Idi Amin Dada, ridículo como Heliogábalo, instigador de ódio como Pol Pot, vaidoso como Nero, fanático religioso como Torquemada, nepotista como Napoleão, senhor duma incompetência diplomática confrangedora, para a qual não encontro paralelo. Foi esta “prenda” que americanos escolheram para dirigir os destinos do país e, por arrasto, do resto do mundo.
Em termos de política interna, a quadrilha trumpista têm-se esmerado por desmantelar o regime democrático instaurado pelos pais fundadores há dois séculos e meio. Empenham-se em promover o ódio entre os americanos, o racismo, o obscurantismo científico e cultural, a misoginia e a incrementar as desigualdades sociais. Enfim... a boçalidade tomou o poder da superpotência dominante.
Desiluda-se quem julgue que estamos perante o regresso do isolacionismo de outras eras. Esta súcia de flibusteiros, sob a batuta do actual presidente, está engajada numa cruzada de metastização ideológica tendo como alvos prioritários os regimes democráticos liberais da Europa. Assim se explica o apoio desbragado a Orban e aos partidos de extrema-direita europeus, pretensamente “identitários”; assim se justifica a simpatia trumpista pelo expansionismo imperialista de Putin. Estamos perante uma doutrina Monroe para a Europa, que se traduz numa tentativa de exportação de valores MAGA: governação ditatorial, intolerância ideológica, religiosa, racial e sexual, obscurantismo científico e cultural, destruição do estado social, substituição de imprensa livre pela mentira sistemática, à boa maneira orweliana. Enfim: o culto do ódio e da ignorância. Uma vez destruída a União Europeia, e substituída por uma série de regimes ditos “identitários”, desengane-se quem acredita na Europa das nações livres.
O paradoxo destes partidos nacionalistas europeus, que clamam pela emancipação nacional face ao “poder de Bruxelas”, reside na sua submissão aos ideólogos e valores estrangeiros de além Atlântico. Portanto, deles pode-se esperar tudo menos independências nacionais e autonomias culturais nas várias nações europeias. Não passam de submissas quintas colunas da administração de alarves e arruaceiros actualmente sediada na Casa Branca. Desde os cercos de Viena pelo Império Otomano que a Europa não enfrentava uma tal ameaça existencial. Desde a ascensão do nazismo que a alma europeia não enfrentava tal desafio.
E Portugal? Sabemos qual foi o único líder partidário convidado para a histriónica tomada de posse do 47.º presidente dos EUA. A cartilha do partido Chega está em sintonia com a mensagem obscurantista, xenófoba e fundamentalista religiosa, propagada pelo sinistro vice Vance. Contrariamente ao mantra “identitário”, esta receita vinda do outro lado do Atlântico é alheia à nossa tradição cultural europeia e, portanto, portuguesa.
Que queremos para o nosso país? Um povo dividido em conflito permanente? Transplantar para Portugal o racismo do Alabama? Desejamos o fim do Estado laico e da liberdade religiosa? A homofobia e o regresso ao marialvismo bacoco? A liberalização do uso de armas de fogo? A falsificação científica e a consagração das vigarices dum Kennedy – personagem que nenhum país de terceiro mundo aceitaria como ministro da saúde - em vez de saúde pública? A transformação das forças policiais em milícias partidarizadas? O fim da independência dos tribunais? É isto que almejamos? Queremos um Portugal europeu ou uma metástase do que pior surgiu nos EUA: a ideologia MAGA?
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |
Seis meses já dão para refletir se há ou não mudança?
» 2026-06-20
» António Mário Santos
Tenho, no ano que corre, seguido com a maior atenção as sessões públicas, quer do executivo camarário, quer da Assembleia Municipal, algo que nunca fiz nas duas últimas décadas. A maioria absoluta do Partido Socialista, no município, criara uma mentalidade de arrogância autoritária, geradora, por um lado, dum distanciamento entre governantes e governados, e, por outro, na formação duma coorte de lambebotismo acéfalo, cujos interesses próprios ou familiares assentavam na oportunidade de emprego nos quadros do pessoal municipal, nas bem aventuranças de subsídios, na aprovação de projectos de obras nunca bem clarificados, em festas e publicidade a esmo, num despesismo rotineiro não fiscalizado, que deixava um rasto de dúvidas sobre a legalidade de muitos actos de gestão. |
CH4
» 2026-06-20
» Carlos Paiva
Podemos enumerar os argumentos que habitualmente nos escudam de uma análise crítica, como se a escala económica, dimensão de mercado, localização geográfica, justificassem decisões péssimas, essencialmente motivadas por falta de verticalidade. |
Marxismo cultural, uma fantasia - jorge carreira maia
» 2026-06-20
» Jorge Carreira Maia
Há dias, deparei-me com um vídeo em espanhol sobre uma mudança irrevogável do Ocidente gerada por seis homens. O vídeo faz parte do conflito ideológico com o marxismo cultural. É um exemplo da linguagem que parte da direita e a extrema-direita usa na guerra cultural que desencadeou há anos. |
A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia
» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
A primeira encíclica do Papa Leão XIV – Magnifica Humanitas – toca em duas áreas fulcrais para a humanidade. A área da tecnologia e a área política. A Inteligência Artificial (IA) não é rejeitada pelo Vaticano. |
Minudências que consomem - carlos paiva
» 2026-06-07
» Carlos Paiva
A micro gestão, em inglês micromanagement, é um dos erros de gestão mais combatido nas estruturas empresariais. Caracterizada pela centralização de decisões, ausência de delegação de tarefas e responsabilidades, obsessão com detalhes e comunicação unilateral entre camadas hierárquicas. |
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» 2026-06-23
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes |
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» 2026-06-20
» Jorge Carreira Maia
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» 2026-06-20
» Carlos Paiva
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» 2026-06-20
» António Mário Santos
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» 2026-06-20
» António Gomes
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