Crimes: aparências e realidade - jorge carreira maia
Opinião
» 2025-07-22
» Jorge Carreira Maia
Um estudo, proveniente do Observatório de Segurança e Defesa da SEDES, mostra que a criminalidade desceu em Portugal nos últimos 25 anos. Contudo, a percepção de insegurança cresceu bastante. Um dos factores que desencadeia essa falsa percepção é a atenção mediática dada ao fenómeno do crime. A forma como jornais, rádios e televisões tratam do assunto é cada vez mais intensa, criando no público uma sensação contrária à realidade. Sabemos que, durante o regime de Salazar e Caetano, a censura era muito grande em relação à criminalidade. O regime protegia-se, ocultando tudo o que pudesse mostrar como falsa a visão de um país sereno e de brandos costumes. Em democracia, uma parte, cada vez maior, dos órgãos de comunicação encontrou no crime um espaço noticioso preferencial.
Existem duas grandes motivações por detrás deste interesse pela criminalidade. Uma estará ligada à lógica de mercado: o crime dá audiências na televisão e tiragens na imprensa. É o mercado a funcionar. As pessoas interessam-se por esses acontecimentos e o mercado satisfaz-lhes os desejos. A segunda motivação é de natureza política. Assim como os dirigentes do Estado Novo temiam que a criminalidade do país estragasse a imagem do regime, também os inimigos da democracia liberal utilizam a percepção da criminalidade como estratégia para desgastar as instituições democráticas. Fomentam um enorme alarido social em torno da segurança, quando o país é um dos mais seguros do mundo. Mesmo para um observador arguto, nem sempre é fácil distinguir, na exploração dos crimes, entre a motivação económica e a política.
Durante muito tempo, foi vital para as democracias liberais a existência de uma esfera informativa livre, onde a concorrência de ideias, para alimentar o debate em torno do bem comum, se podia expressar sem censura. Essa esfera tornou-se, agora, num dos elementos centrais da guerra contra a democracia. A criação de falsas percepções no público tem um efeito arrasador das instituições e está a alimentar o progresso eleitoral da extrema-direita. Isto não significa que não existam órgãos da comunicação social que tentam fazer um trabalho responsável. Existem. Contudo, a cultura instalada por parte significativa dos media está a tornar os cidadãos pouco permeáveis à verdade, preferindo as aparências à realidade. Salazar dizia que, em política, o que parece é. Os seus admiradores não esqueceram a lição: criam a aparência de um país à beira do caos, para as pessoas crerem que assim é e se entregarem nas mãos do salvador de serviço.
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Crimes: aparências e realidade - jorge carreira maia
Opinião
» 2025-07-22
» Jorge Carreira Maia
Um estudo, proveniente do Observatório de Segurança e Defesa da SEDES, mostra que a criminalidade desceu em Portugal nos últimos 25 anos. Contudo, a percepção de insegurança cresceu bastante. Um dos factores que desencadeia essa falsa percepção é a atenção mediática dada ao fenómeno do crime. A forma como jornais, rádios e televisões tratam do assunto é cada vez mais intensa, criando no público uma sensação contrária à realidade. Sabemos que, durante o regime de Salazar e Caetano, a censura era muito grande em relação à criminalidade. O regime protegia-se, ocultando tudo o que pudesse mostrar como falsa a visão de um país sereno e de brandos costumes. Em democracia, uma parte, cada vez maior, dos órgãos de comunicação encontrou no crime um espaço noticioso preferencial.
Existem duas grandes motivações por detrás deste interesse pela criminalidade. Uma estará ligada à lógica de mercado: o crime dá audiências na televisão e tiragens na imprensa. É o mercado a funcionar. As pessoas interessam-se por esses acontecimentos e o mercado satisfaz-lhes os desejos. A segunda motivação é de natureza política. Assim como os dirigentes do Estado Novo temiam que a criminalidade do país estragasse a imagem do regime, também os inimigos da democracia liberal utilizam a percepção da criminalidade como estratégia para desgastar as instituições democráticas. Fomentam um enorme alarido social em torno da segurança, quando o país é um dos mais seguros do mundo. Mesmo para um observador arguto, nem sempre é fácil distinguir, na exploração dos crimes, entre a motivação económica e a política.
Durante muito tempo, foi vital para as democracias liberais a existência de uma esfera informativa livre, onde a concorrência de ideias, para alimentar o debate em torno do bem comum, se podia expressar sem censura. Essa esfera tornou-se, agora, num dos elementos centrais da guerra contra a democracia. A criação de falsas percepções no público tem um efeito arrasador das instituições e está a alimentar o progresso eleitoral da extrema-direita. Isto não significa que não existam órgãos da comunicação social que tentam fazer um trabalho responsável. Existem. Contudo, a cultura instalada por parte significativa dos media está a tornar os cidadãos pouco permeáveis à verdade, preferindo as aparências à realidade. Salazar dizia que, em política, o que parece é. Os seus admiradores não esqueceram a lição: criam a aparência de um país à beira do caos, para as pessoas crerem que assim é e se entregarem nas mãos do salvador de serviço.
Democracia ou totalitarismo, eis a questão! - antónio mário santos
» 2026-02-02
O resultado da primeira volta é esclarecedor. A direita neoliberal e social-democrata, dividida por três candidatos, saiu derrotada. A AD e a Iniciativa Liberal, os que mais sofreram: se Luís Marques Mendes soube assumir, com dignidade a derrota, João Cotrim Figueiredo demonstrou, de forma arrogante, a incapacidade duma perda absolutamente esperada, já que o centro-direita que a AD representa, nele, numa primeira volta, não votaria, e parte da sua base de apoio não liberal estava a ser disputada, nas redes sociais, pelo Chega. |
Primeira volta das Presidenciais - jorge carreira maia
» 2026-02-02
» Jorge Carreira Maia
As eleições de domingo, apesar de faltar ainda uma volta, têm vencedores e derrotados claros. Vencedores: António José Seguro. A sua vitória e votação, bem acima do expectável, tem um único protagonista: ele mesmo. |
Candidato à altura…
» 2026-01-15
» Hélder Dias
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Foi em legítima defesa!
» 2026-01-15
» Hélder Dias
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Heil Trump
» 2026-01-15
» Hélder Dias
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O teu petróleo ou a tua vida!
» 2026-01-15
» Hélder Dias
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Não há volta a dar. Não há volta a dar? - antónio mário santos
» 2026-01-14
» António Mário Santos
Não há volta a dar. Trump aplicou a doutrina Monroe e mais do que ela, segundo afirmou na conferência de imprensa sobre a captura de Maduro e de quem é quem no governo venezuelano. Os Estados Unidos da América irão governar, até haver uma transição, quando a considerarem, a seu interesse, possível. |
A esquerda e as presidenciais - jorge carreira maia
» 2026-01-14
» Jorge Carreira Maia
Olhemos para as eleições presidenciais. Mais especificamente, para as esquerdas e os seus candidatos, para comentar a estratégia de hara-kiri em que essas esquerdas parecem ser especialistas. Suicidar-se com honra, como velhos samurais caídos em desgraça perante o seu senhor. |
Silvester - carlos paiva
» 2026-01-14
» Carlos Paiva
A primeira corrida de S. Silvestre aconteceu no Brasil, em 1925. Assinala a data do falecimento de S. Silvestre, o trigésimo terceiro Papa, em 31 de Dezembro de 335. Foi durante o seu pontificado que terminou a perseguição romana aos cristãos. |
O primeiro orçamento deste novo ciclo autárquico é a prova dos nove - antónio gomes
» 2026-01-14
» António Gomes
Veremos o que aí vem, uma coisa é certa, orçamento que não olhe para o TUT e para o futuro da mobilidade urbana sustentável no território concelhio, assegurando um serviço de qualidade que passa, necessariamente, pelo aumento de autocarros a circular e alargando o seu âmbito territorial, não é um orçamento para o povo. |
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» 2026-01-15
» Hélder Dias
Candidato à altura… |
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» 2026-01-15
» Hélder Dias
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» 2026-01-15
» Hélder Dias
Heil Trump |
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» 2026-01-15
» Hélder Dias
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» 2026-01-14
» Carlos Paiva
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