Falemos de cultura e do que o município pode criar
Opinião
» 2026-03-22
» António Mário Santos
Com alguma atenção, mas um certo sentido de distância, tenho seguido directamente as sessões destes primeiros meses da política municipal da Câmara de Torres Novas, presidida pelo Dr. José Manuel Trincão Marques.
Nas redes locais tem surgido, como informação municipal, um sem número de medidas, que motivam muitos links de gosto, com poucos de descontentamento. Mas, até o momento, publicidade tipo pescadinha de rabo na boca, que me não parece, em diferença, ultrapassar a face do supérfluo, embora tenha fugido à descarada e desonesta, da anterior edilidade socialista, sempre cheia de inaugurações e de fotografias dos ditos edis, que eram motivo de riso mais do que de siso, e contribuíram, na prática, pelo ricochete provocado, na subida eleitoral da AD e do Chega, com as adversidades que hoje se transformaram no seu dia a dia.
Creio que ainda não mereceu uma reflexão adequada, o problema da informação municipal, quer nas promoções das redes sociais, quer nos boletins informativos e na revista subsidiada, de má memória e mau gosto, com uma confusão de autonomia com apoios camarários e funcionários da mesma, mas de que ficou por se conhecer quanto custou, anualmente, a tentativa duma publicidade enganosa disfarçada de autonomia.
Nos tempos que se vivem, não se compreende uma informação municipal que não seja aberta, plural, incisiva, dialogante.
Se é positiva a emissão, em directo, das sessões públicas camarárias e das da Assembleia Municipal, já o mesmo se não pode dizer das diversas comissões camarárias, de que se não conhece, nem objectivos, nem a sua composição, quanto mais os projectos e deliberações.
Os actuais meios de comunicação deveriam permitir um contacto directo com o cidadão, abrir as futuras revistas municipais ao debate e à opinião pública, ter, inclusive, um conselho de redacção autónomo, onde estivessem e tivessem voz outras pessoas, que não só os técnicos municipais.
Se algo me fez, também, sempre confusão, foi o autismo do poder camarário ante a opinião pública da sua informação jornalística independente, centrada nos periódicos, Jornal Torrejano e o Riachense, já que a Rádio Local, subsidiada, se limitou a apologias do poder, com mínimas aberturas às oposições partidárias a às vozes discordantes. Compará-la com o que foi, quando havia programas diversos e plurais, na década de oitenta, é pura coincidência.
A indiferença, dos anteriores executivos de maioria socialista, para não escrever oposição, em relação ao jornalismo concelhio, não só esqueceu que, se foram autarcas, à implantação da democracia e ao fim da censura o deveram, como não cuidando duma informação plural, de denúncia do erro, dos abusos de poder, contribuíram para o regresso das extremas-direitas saudosas dos três Salazares, que no humor do cidadão riachense Joaquim Alberto, «o primeiro mandava prender os outros dois(porque) nunca há lugar para três ditadores ao mesmo tempo».
No campo cultural, educativo e associativo, a subsidiodependência foi transformando a criatividade a autonomia da imaginação e da irreverência artística numa dependência de obediência e aceitação do que defino por municipalização, já que a programação dependente dos sectores ligados àquelas áreas, congeminadas nos gabinetes, é estruturada sem a menor intervenção dos promotores ou dos cidadãos que, de forma voluntária e gratuita, têm mantido, nos sectores, efectiva colaboração.
Quando, sem a menor explicação, se transformou o prémio de poesia Maria Lamas, num de promoção de estudos sobre a mulher, com todo o respeito que a defesa da igualdade do feminino me merece, deu-se uma corte radical com uma tradição literária que no século passado teve nomes como Faustino Bretes, José Lopes dos Santos, padre Maya dos Santos, António Borga; mais tarde, José-Alberto Marques, António Lúcio Vieira, Pedro Barroso, Eduardo de Jesus Bento, Maria Sarmento, Hugo Santos, Alexandre Saldanha da Gama, Maria João Carvalho, Julião Bernardes (João Repolho), só para citar algumas da vozes mais conhecidas.
Onde estão os escritores de hoje? O que publicam? Como os trata o município? Como os divulga? Que encontros sobre literatura e arte preconiza? As antologias publicadas pelo Carlos Margarido, uma por mim, guardam autores e nomes que valorizaram, cada um à sua maneira, o concelho. Será que ficou tudo dito, metido na indiferença duma estante?
Também Torres Novas foi pioneira, e com provas dadas, na acção cultural dos seus colégios e escolas básicas e secundárias, criadores de Jogos Florais e duma imprensa estudantil, que nem sequer existe no Arquivo Histórico Municipal. Hoje, apenas uma página surge, do C+S dos Riachos, em o Riachense, quando um dos objectivos educativos marcantes com concurso nacional é o da divulgação nacional dos jornais das Escolas Básicas e Secundárias, pela sua importância na defesa do Português como língua escrita e na divulgação da imprensa como a forma mais importante da defesa da liberdade de opinião e de pensamento. Deixaram-se, concelhiamente, morrer?
Que pode fazer um município? Na minha opinião, muito. Mas, para isso, terá que, antes de programar, saber ouvir, conseguir dialogar. Fazer regressar a vida da comunidade aos gabinetes da intelectualidade burocrática dos departamentos do sector. Deixar-se de grandes festas com histórias mal-enjorcadas e virar-se para o que é o cerne da sua identidade: a capacidade criativa, nas diversas freguesias, dos seus munícipes. Transformar em festa o que são as suas verdadeiras pedras nucleares.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Falemos de cultura e do que o município pode criar
Opinião
» 2026-03-22
» António Mário Santos
Com alguma atenção, mas um certo sentido de distância, tenho seguido directamente as sessões destes primeiros meses da política municipal da Câmara de Torres Novas, presidida pelo Dr. José Manuel Trincão Marques.
Nas redes locais tem surgido, como informação municipal, um sem número de medidas, que motivam muitos links de gosto, com poucos de descontentamento. Mas, até o momento, publicidade tipo pescadinha de rabo na boca, que me não parece, em diferença, ultrapassar a face do supérfluo, embora tenha fugido à descarada e desonesta, da anterior edilidade socialista, sempre cheia de inaugurações e de fotografias dos ditos edis, que eram motivo de riso mais do que de siso, e contribuíram, na prática, pelo ricochete provocado, na subida eleitoral da AD e do Chega, com as adversidades que hoje se transformaram no seu dia a dia.
Creio que ainda não mereceu uma reflexão adequada, o problema da informação municipal, quer nas promoções das redes sociais, quer nos boletins informativos e na revista subsidiada, de má memória e mau gosto, com uma confusão de autonomia com apoios camarários e funcionários da mesma, mas de que ficou por se conhecer quanto custou, anualmente, a tentativa duma publicidade enganosa disfarçada de autonomia.
Nos tempos que se vivem, não se compreende uma informação municipal que não seja aberta, plural, incisiva, dialogante.
Se é positiva a emissão, em directo, das sessões públicas camarárias e das da Assembleia Municipal, já o mesmo se não pode dizer das diversas comissões camarárias, de que se não conhece, nem objectivos, nem a sua composição, quanto mais os projectos e deliberações.
Os actuais meios de comunicação deveriam permitir um contacto directo com o cidadão, abrir as futuras revistas municipais ao debate e à opinião pública, ter, inclusive, um conselho de redacção autónomo, onde estivessem e tivessem voz outras pessoas, que não só os técnicos municipais.
Se algo me fez, também, sempre confusão, foi o autismo do poder camarário ante a opinião pública da sua informação jornalística independente, centrada nos periódicos, Jornal Torrejano e o Riachense, já que a Rádio Local, subsidiada, se limitou a apologias do poder, com mínimas aberturas às oposições partidárias a às vozes discordantes. Compará-la com o que foi, quando havia programas diversos e plurais, na década de oitenta, é pura coincidência.
A indiferença, dos anteriores executivos de maioria socialista, para não escrever oposição, em relação ao jornalismo concelhio, não só esqueceu que, se foram autarcas, à implantação da democracia e ao fim da censura o deveram, como não cuidando duma informação plural, de denúncia do erro, dos abusos de poder, contribuíram para o regresso das extremas-direitas saudosas dos três Salazares, que no humor do cidadão riachense Joaquim Alberto, «o primeiro mandava prender os outros dois(porque) nunca há lugar para três ditadores ao mesmo tempo».
No campo cultural, educativo e associativo, a subsidiodependência foi transformando a criatividade a autonomia da imaginação e da irreverência artística numa dependência de obediência e aceitação do que defino por municipalização, já que a programação dependente dos sectores ligados àquelas áreas, congeminadas nos gabinetes, é estruturada sem a menor intervenção dos promotores ou dos cidadãos que, de forma voluntária e gratuita, têm mantido, nos sectores, efectiva colaboração.
Quando, sem a menor explicação, se transformou o prémio de poesia Maria Lamas, num de promoção de estudos sobre a mulher, com todo o respeito que a defesa da igualdade do feminino me merece, deu-se uma corte radical com uma tradição literária que no século passado teve nomes como Faustino Bretes, José Lopes dos Santos, padre Maya dos Santos, António Borga; mais tarde, José-Alberto Marques, António Lúcio Vieira, Pedro Barroso, Eduardo de Jesus Bento, Maria Sarmento, Hugo Santos, Alexandre Saldanha da Gama, Maria João Carvalho, Julião Bernardes (João Repolho), só para citar algumas da vozes mais conhecidas.
Onde estão os escritores de hoje? O que publicam? Como os trata o município? Como os divulga? Que encontros sobre literatura e arte preconiza? As antologias publicadas pelo Carlos Margarido, uma por mim, guardam autores e nomes que valorizaram, cada um à sua maneira, o concelho. Será que ficou tudo dito, metido na indiferença duma estante?
Também Torres Novas foi pioneira, e com provas dadas, na acção cultural dos seus colégios e escolas básicas e secundárias, criadores de Jogos Florais e duma imprensa estudantil, que nem sequer existe no Arquivo Histórico Municipal. Hoje, apenas uma página surge, do C+S dos Riachos, em o Riachense, quando um dos objectivos educativos marcantes com concurso nacional é o da divulgação nacional dos jornais das Escolas Básicas e Secundárias, pela sua importância na defesa do Português como língua escrita e na divulgação da imprensa como a forma mais importante da defesa da liberdade de opinião e de pensamento. Deixaram-se, concelhiamente, morrer?
Que pode fazer um município? Na minha opinião, muito. Mas, para isso, terá que, antes de programar, saber ouvir, conseguir dialogar. Fazer regressar a vida da comunidade aos gabinetes da intelectualidade burocrática dos departamentos do sector. Deixar-se de grandes festas com histórias mal-enjorcadas e virar-se para o que é o cerne da sua identidade: a capacidade criativa, nas diversas freguesias, dos seus munícipes. Transformar em festa o que são as suas verdadeiras pedras nucleares.
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
Todo o mundo é composto de mudança
» 2026-05-04
» António Mário Santos
E o povo saiu à rua, dançou, cantou, sorriu. Andou de cravo na mão, a dizer aos governantes que o 25 de Abril, ainda que o não tenham maioritariamente, vivido, representa algo de muito importante, para cada geração: a liberdade. |
Resistência
» 2026-05-04
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril». «É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. |
Pão, Paz e Liberdade
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. |
Os males do presente
» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Por que razão vivemos num momento de grande turbulência mundial? Haverá muita gente com respostas, umas mais sensatas do que outras. Aventuras geopolíticas das grandes potências imperiais e os habituais interesses económicos são razões que surgem para dar um sentido ao que estamos a viver. |
O MERCADO DA INDIFERENÇA
» 2026-04-28
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, decidiu isentar a organização do Rock in Rio do pagamento de 3 milhões de euros de taxas municipais devidas pela realização daquele mega-evento. Isto é, o autarca prefere abdicar de 3 milhões de euros em favor de uma grande multinacional do entretenimento, que lucra centenas de milhões de lucro nas suas iniciativas planetárias, a alocar esses 3 milhões, que cobraria, para as necessidades da educação, da acção social ou do desporto da população da capital. |
|
» 2026-04-28
O MERCADO DA INDIFERENÇA |
|
» 2026-05-04
» António Mário Santos
Todo o mundo é composto de mudança |
|
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Pão, Paz e Liberdade |
|
» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Os males do presente |
|
» 2026-05-04
Resistência |