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Admirável Mundo Novo...

Opinião  »  2018-05-17  »  Maria da Luz Lopes

"Não vos entregueis, sob nenhum pretexto, à meditação melancólica das vossas falhas."

Escrever é um ato que decorre do conhecimento, da cultura e dos valores que convictamente seguimos. Nesta linha de pensamento, não poderia começar esta crónica sem falar de Abril.
Inequivocamente para todos, reconhecemos que 44 anos depois da madrugada de Abril, vivemos uma Democracia quase plena que queremos defender para as gerações vindouras. Obrigada, Capitães de Abril. Lutas, crises económicas, precariedade, desigualdades, são apenas algumas das situações que fazem parte do caminho percorrido. Realidades estas que ainda prevalecem, mas a verdade é que vivemos incomparavelmente melhor.

Depois do bom desempenho da economia, conduzida por políticas de rigor financeiro, experimentámos taxas de crescimento económico como há muito não acontecia. Agora, é tempo de desenhar uma política de desenvolvimento e pôr Portugal entre os melhores para se viver e ser feliz.

O virar da página deve-se à ousadia da solução governativa encontrada pelo atual Primeiro-Ministro, António Costa, que bem soube chamar a si a esquerda (BE, PCP e os Verdes), devolvendo-nos a esperança numa sociedade verdadeiramente alicerçada na igualdade, na fraternidade e na liberdade.

As conquistas de Abril são inúmeras. A escolaridade obrigatória subiu para 12 anos. Temos um ensino superior de qualidade reconhecido no exterior, pena é que muitos dos nossos jovens continuem a procurar, fora de portas, melhores condições de trabalho e mais adequadas às suas qualificações. Lembro que o investimento realizado quer pelo Estado português, quer pelas famílias, continua a ser exportado sem retorno. Acredito que virá um tempo em que a mobilidade do trabalho seja uma opção e não uma obrigação.

Estimados leitores: creio estarmos todos de acordo em que os valores de Abril devem estar presentes no mais profundo do nosso ‘eu’, todos os dias. Andamos numa correria tal que, praticamente não olhamos para o lado, ocupados com os inúmeros e-mails, aos quais temos dificuldades em dar resposta em tempo útil. Abrindo e fechando perfis facebokianos, temos medo de perder qualquer oportunidade de dizer presente. Muitas vezes, alegamos não ter disponibilidade para pensar e refletir para criar. Tudo está na rede. Ainda bem e ninguém tem dúvidas de que foi um avanço civilizacional gigantesco. Mas... tudo o que circula pela rede deve merecer um olhar clínico. Todos sabemos que um trabalho ou uma obra de arte inspiram ou podem remeter para outros, mas a fonte deve ser referida.

Perante tanta informação disponível torna-se cada vez mais importante, desde os bancos da escola, promover o desenvolvimento da capacidade crítica indispensável para filtrar os conteúdos. Para onde caminhamos? Que estranho e admirável mundo novo!

Quase a terminar esta partilha de ideias, não nos esqueçamos que o que somos resulta, em boa parte, da herança familiar e da escola, que nos abriram as portas do conhecimento e dos valores que abraçamos. Atrevo-me a dizer que urge passar para as nossas crianças e jovens outra forma de ser e de estar. Saber comunicar, saber ouvir, ser genuíno e autêntico, saber ser livre, ser fraterno e, acima de tudo, ser obreiro da mudança de hábitos e de atitudes.

É tempo de sermos capazes de largar o invólucro que nos envolve e deitar fora aquilo que nos pesa interiormente. Entre o que dizemos e o que fazemos, continua a haver uma grande distância, e, acima de tudo, entre o que queremos do outro, que é muito, e o que exigimos a nós próprios, que quase sempre é pouco.

A este propósito, deixo-vos uma citação de Aldous Huxley, quando escreve no prefácio da sua obra Admirável Mundo Novo o seguinte: “O remorso crónico, e com isto todos os moralistas estão de acordo, é um sentimento bastante indesejável. Se considerais ter agido mal, arrependei-vos, corrigi os vossos erros na medida do possível e tentai conduzir-vos melhor na próxima vez. E não vos entregueis, sob nenhum pretexto, à meditação melancólica das vossas falhas. Rebolar no lodo não é, com certeza, a melhor maneira de alguém se lavar.”

 

 

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