Painéis fotovoltaicos ou a identidade patrimonial de uma cidade
Opinião
» 2026-03-22
» António Gomes
Provavelmente já vamos tarde, tal é o número de atentados ao património, à paisagem urbana e arquitetónica do centro histórico de Torres Novas.
Quase tudo começou com o desleixo e o abandono de centenas de imóveis que hoje ou são ruínas em perigo para quem passa ou em alguns casos são espaços vazios emparedados fruto da intervenção forçada do município.
Ao longo de dezenas de anos fomos assistindo impávidos e serenos (nem todos) à complacência dos executivos municipais. Nada, mesmo nada, fizeram para inverter a situação, o comércio migrou para outras centralidades, outros interesses falaram mais alto.
Intervenções existiram, mas algumas acertaram ao lado, a Praça dos Claras é disso exemplo. Onde alguns eram obrigados, e bem, a cumprir o normalizado para os telhados, a própria Câmara Municipal borrifou-se nas normas e colocou um telhado de zinco, paredes meias com o Castelo, monumento nacional. O mesmo destino teve a Praça do Peixe, para não falar do caso do edifício privado, onde está instalado um banco, mesmo ao lado do Mercado Municipal, um “meio edifício” transformado em “aquário”, em contramão com o alinhamento da avenida.
O espaço público não tem tido melhor sorte, veja-se a quantidade de adornos no largo D. Diogo Fernandes de Almeida e a opção por colocar obstáculos à circulação dos peões nos passeios (!!).
Isto para chegarmos à nova ocupação do parque de estacionamento de S. Pedro (vulgo parque da Econova). É visível um novo arranjo que passa pela colocação de painéis solares fotovoltaicos que vai criar uma nova paisagem naquele espaço e na sua envolvência. O parque fica a menos de 50 metros do Castelo o que quer dizer que está dentro da Zona de Proteção de Imóvel Classificado, Decreto lei 309/2009.
Acontece que também aquele espaço se encontra dentro da Área de Reabilitação Urbana (ARU) Centro Histórico, instrumento de ordenamento e normalizador da mesma zona, aprovado pelo Município e publicado em Diário da República. Esta ARU contém um conjunto de normas e recomendações a serem seguidas nas construções e reabilitações de forma a respeitar a história e a traça arquitetónica do centro histórico.
Transcrevo uma pequena parte do seu texto – “Aprovar mecanismos que garantam o cumprimento das boas práticas construtivas e a coerência/consonância arquitetónica do edificado existente e a construir; Proteger o património intrínseco do centro histórico, garantindo a preservação das características do edificado.”
Esqueçamos por momentos a questão do enquadramento legal e imagine-se o centro histórico com uma ou mais instalações idênticas a esta, é isso que queremos? Corremos o risco, na minha opinião, de descaraterização total do que existe hoje, é o fim da identidade cultural desta cidade.
A falta que nos faz a implementação de um plano de pormenor de salvaguarda, -PPS- do Centro Histórico da cidade, mas para isso é preciso haver estratégia para o território.
Os tempos que correm são propícios a estes atentados, ao património, à cultura e à história, mas também é tempo de resistir.
Bem sei que as alternativas energéticas ao petróleo como os painéis solares são importantes, mas não podem sê-lo a todo o custo, nomeadamente da identidade das cidades e vilas, das terras produtivas, das árvores. Há outras alternativas para a colocação dos painéis solares, há que procurar.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Painéis fotovoltaicos ou a identidade patrimonial de uma cidade
Opinião
» 2026-03-22
» António Gomes
Provavelmente já vamos tarde, tal é o número de atentados ao património, à paisagem urbana e arquitetónica do centro histórico de Torres Novas.
Quase tudo começou com o desleixo e o abandono de centenas de imóveis que hoje ou são ruínas em perigo para quem passa ou em alguns casos são espaços vazios emparedados fruto da intervenção forçada do município.
Ao longo de dezenas de anos fomos assistindo impávidos e serenos (nem todos) à complacência dos executivos municipais. Nada, mesmo nada, fizeram para inverter a situação, o comércio migrou para outras centralidades, outros interesses falaram mais alto.
Intervenções existiram, mas algumas acertaram ao lado, a Praça dos Claras é disso exemplo. Onde alguns eram obrigados, e bem, a cumprir o normalizado para os telhados, a própria Câmara Municipal borrifou-se nas normas e colocou um telhado de zinco, paredes meias com o Castelo, monumento nacional. O mesmo destino teve a Praça do Peixe, para não falar do caso do edifício privado, onde está instalado um banco, mesmo ao lado do Mercado Municipal, um “meio edifício” transformado em “aquário”, em contramão com o alinhamento da avenida.
O espaço público não tem tido melhor sorte, veja-se a quantidade de adornos no largo D. Diogo Fernandes de Almeida e a opção por colocar obstáculos à circulação dos peões nos passeios (!!).
Isto para chegarmos à nova ocupação do parque de estacionamento de S. Pedro (vulgo parque da Econova). É visível um novo arranjo que passa pela colocação de painéis solares fotovoltaicos que vai criar uma nova paisagem naquele espaço e na sua envolvência. O parque fica a menos de 50 metros do Castelo o que quer dizer que está dentro da Zona de Proteção de Imóvel Classificado, Decreto lei 309/2009.
Acontece que também aquele espaço se encontra dentro da Área de Reabilitação Urbana (ARU) Centro Histórico, instrumento de ordenamento e normalizador da mesma zona, aprovado pelo Município e publicado em Diário da República. Esta ARU contém um conjunto de normas e recomendações a serem seguidas nas construções e reabilitações de forma a respeitar a história e a traça arquitetónica do centro histórico.
Transcrevo uma pequena parte do seu texto – “Aprovar mecanismos que garantam o cumprimento das boas práticas construtivas e a coerência/consonância arquitetónica do edificado existente e a construir; Proteger o património intrínseco do centro histórico, garantindo a preservação das características do edificado.”
Esqueçamos por momentos a questão do enquadramento legal e imagine-se o centro histórico com uma ou mais instalações idênticas a esta, é isso que queremos? Corremos o risco, na minha opinião, de descaraterização total do que existe hoje, é o fim da identidade cultural desta cidade.
A falta que nos faz a implementação de um plano de pormenor de salvaguarda, -PPS- do Centro Histórico da cidade, mas para isso é preciso haver estratégia para o território.
Os tempos que correm são propícios a estes atentados, ao património, à cultura e à história, mas também é tempo de resistir.
Bem sei que as alternativas energéticas ao petróleo como os painéis solares são importantes, mas não podem sê-lo a todo o custo, nomeadamente da identidade das cidades e vilas, das terras produtivas, das árvores. Há outras alternativas para a colocação dos painéis solares, há que procurar.
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
Todo o mundo é composto de mudança
» 2026-05-04
» António Mário Santos
E o povo saiu à rua, dançou, cantou, sorriu. Andou de cravo na mão, a dizer aos governantes que o 25 de Abril, ainda que o não tenham maioritariamente, vivido, representa algo de muito importante, para cada geração: a liberdade. |
Resistência
» 2026-05-04
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril». «É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. |
Pão, Paz e Liberdade
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. |
Os males do presente
» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Por que razão vivemos num momento de grande turbulência mundial? Haverá muita gente com respostas, umas mais sensatas do que outras. Aventuras geopolíticas das grandes potências imperiais e os habituais interesses económicos são razões que surgem para dar um sentido ao que estamos a viver. |
O MERCADO DA INDIFERENÇA
» 2026-04-28
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, decidiu isentar a organização do Rock in Rio do pagamento de 3 milhões de euros de taxas municipais devidas pela realização daquele mega-evento. Isto é, o autarca prefere abdicar de 3 milhões de euros em favor de uma grande multinacional do entretenimento, que lucra centenas de milhões de lucro nas suas iniciativas planetárias, a alocar esses 3 milhões, que cobraria, para as necessidades da educação, da acção social ou do desporto da população da capital. |
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» 2026-04-28
O MERCADO DA INDIFERENÇA |
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» 2026-05-04
» António Mário Santos
Todo o mundo é composto de mudança |
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» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Pão, Paz e Liberdade |
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» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
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» 2026-05-04
Resistência |