Escolas e influenciadores
Opinião
» 2026-03-22
» Jorge Carreira Maia
Provocou alarido a investigação do Público sobre a presença, em espaço escolar, de influenciadores tidos como pouco recomendáveis. Foram detectados 80 casos. Discutiu-se o papel dos directores, mas também do Ministério da Educação, no controlo das entradas nas escolas. Essa discussão, porém, oculta as raízes profundas que levam os alunos a convidar este tipo de agentes para as campanhas eleitorais das suas associações. Por raízes profundas não estou a referir o funesto papel das redes sociais e a perturbadora cultura dominante entre adolescentes e jovens. A pergunta que devemos fazer é a seguinte: por que razão os alunos não percebem que as escolas são lugares em que determinado tipo de acontecimentos não pode ocorrer? Há dois elementos, interligados, que ajudam a entender o estado a que se chegou.
Em Portugal, deixou de se perceber que as escolas não são a continuidade da família. Que elas só cumprirão a sua missão se representarem, para o aluno, uma ruptura entre a cultura da família e a escolar. Tem-se assistido, desde a reforma de Roberto Carneiro, a uma diluição da fronteira entre casa e escola. Isto foi fomentado pelo Ministério da Educação. As direcções escolares e os próprios professores foram sendo cúmplices. Os pais, sob a figura do encarregado de educação, foram postos dentro das escolas e trouxeram com eles a cultura em que vivem e educam os filhos. O espaço escolar foi perdendo a sua aura e aquilo que, idealmente, o distinguia dos outros espaços sociais. Tornou-se o prolongamento das famílias e das comunidades, não um lugar comprometido com uma cultura radicalmente distinta.
Perdeu-se a noção de que a instituição escolar é o lugar onde todos os alunos têm oportunidade de aceder ao que há de melhor e mais elevado na cultura humana. A democratização do ensino deveria significar que todos os alunos acedem a bens culturais, através dos currículos e das práticas lectivas, que, sem essa democratização, só estariam ao alcance de alguns. O que se passa é outra coisa. Não são os alunos que se sentem levados a procurar uma cultura mais exigente do que aquela que trazem das suas comunidades. Pelo contrário, foi a cultura escolar que se deixou contaminar pelo meio em que está inserida, mimetizando-o. A escola pública cedeu perante as pressões do exterior. Em muitos casos, a cultura da comunidade e a da escola são uma e a mesma. Num ambiente em que já não se reconhece que, para bem das novas gerações, deve existir uma diferença radical entre a escola e o meio envolvente, é natural que os alunos não compreendam por que motivo não podem trazer esse tipo de influenciadores.
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Escolas e influenciadores
Opinião
» 2026-03-22
» Jorge Carreira Maia
Provocou alarido a investigação do Público sobre a presença, em espaço escolar, de influenciadores tidos como pouco recomendáveis. Foram detectados 80 casos. Discutiu-se o papel dos directores, mas também do Ministério da Educação, no controlo das entradas nas escolas. Essa discussão, porém, oculta as raízes profundas que levam os alunos a convidar este tipo de agentes para as campanhas eleitorais das suas associações. Por raízes profundas não estou a referir o funesto papel das redes sociais e a perturbadora cultura dominante entre adolescentes e jovens. A pergunta que devemos fazer é a seguinte: por que razão os alunos não percebem que as escolas são lugares em que determinado tipo de acontecimentos não pode ocorrer? Há dois elementos, interligados, que ajudam a entender o estado a que se chegou.
Em Portugal, deixou de se perceber que as escolas não são a continuidade da família. Que elas só cumprirão a sua missão se representarem, para o aluno, uma ruptura entre a cultura da família e a escolar. Tem-se assistido, desde a reforma de Roberto Carneiro, a uma diluição da fronteira entre casa e escola. Isto foi fomentado pelo Ministério da Educação. As direcções escolares e os próprios professores foram sendo cúmplices. Os pais, sob a figura do encarregado de educação, foram postos dentro das escolas e trouxeram com eles a cultura em que vivem e educam os filhos. O espaço escolar foi perdendo a sua aura e aquilo que, idealmente, o distinguia dos outros espaços sociais. Tornou-se o prolongamento das famílias e das comunidades, não um lugar comprometido com uma cultura radicalmente distinta.
Perdeu-se a noção de que a instituição escolar é o lugar onde todos os alunos têm oportunidade de aceder ao que há de melhor e mais elevado na cultura humana. A democratização do ensino deveria significar que todos os alunos acedem a bens culturais, através dos currículos e das práticas lectivas, que, sem essa democratização, só estariam ao alcance de alguns. O que se passa é outra coisa. Não são os alunos que se sentem levados a procurar uma cultura mais exigente do que aquela que trazem das suas comunidades. Pelo contrário, foi a cultura escolar que se deixou contaminar pelo meio em que está inserida, mimetizando-o. A escola pública cedeu perante as pressões do exterior. Em muitos casos, a cultura da comunidade e a da escola são uma e a mesma. Num ambiente em que já não se reconhece que, para bem das novas gerações, deve existir uma diferença radical entre a escola e o meio envolvente, é natural que os alunos não compreendam por que motivo não podem trazer esse tipo de influenciadores.
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
Todo o mundo é composto de mudança
» 2026-05-04
» António Mário Santos
E o povo saiu à rua, dançou, cantou, sorriu. Andou de cravo na mão, a dizer aos governantes que o 25 de Abril, ainda que o não tenham maioritariamente, vivido, representa algo de muito importante, para cada geração: a liberdade. |
Resistência
» 2026-05-04
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril». «É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. |
Pão, Paz e Liberdade
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. |
Os males do presente
» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Por que razão vivemos num momento de grande turbulência mundial? Haverá muita gente com respostas, umas mais sensatas do que outras. Aventuras geopolíticas das grandes potências imperiais e os habituais interesses económicos são razões que surgem para dar um sentido ao que estamos a viver. |
O MERCADO DA INDIFERENÇA
» 2026-04-28
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, decidiu isentar a organização do Rock in Rio do pagamento de 3 milhões de euros de taxas municipais devidas pela realização daquele mega-evento. Isto é, o autarca prefere abdicar de 3 milhões de euros em favor de uma grande multinacional do entretenimento, que lucra centenas de milhões de lucro nas suas iniciativas planetárias, a alocar esses 3 milhões, que cobraria, para as necessidades da educação, da acção social ou do desporto da população da capital. |
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» 2026-04-28
O MERCADO DA INDIFERENÇA |
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» 2026-05-04
» António Mário Santos
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» 2026-05-04
» José Mota Pereira
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» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
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» 2026-05-04
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