• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Domingo, 23 de Setembro de 2018
Pesquisar...
Qua.
 34° / 18°
Períodos nublados
Ter.
 36° / 20°
Céu limpo
Seg.
 38° / 18°
Céu limpo
Torres Novas
Hoje  35° / 18°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

UM ALQUEVA NO TEJO, JÁ OUVIU FALAR?

Opinião  »  2018-03-08  »  Denis Hickel

"A ameaça da falta de água é decorrente de formas de planear e utilizar o território "

Soube recentemente de uma iniciativa privada que tem por objectivo criar um “Alqueva no Tejo”; através de um projecto de larga envergadura que promete principalmente combater a crescente falta de água e o problema de salinização a que estão ameaçados os agricultores Ribatejanos. Embora todo o material disponível nos media enalteça apenas o benefícios desta suposta grande obra, há pouco ou nada sobre os seus aspectos técnicos que permitam uma avaliação mais profunda da proposta, ou mesmo um debate mais alargado entre outras entidades com interesse num tema de tão largo impacto no território.

Ainda assim, permito-me questionar pois, aparentemente, a solução restringe-se apenas à uma engenharia do território quando o problema da escassez de água é de cariz essencialmente cultural e ecológico?

A ameaça da falta de água é decorrente de formas de planear e utilizar o território que desconsideram a totalidade do seu funcionamento enquanto ecossistema. Isso abrange a sua ocupação agrícola, industrial e urbana, com todo o leque de impactos negativos, incluindo aí a profunda transformação da paisagem e a supressão da biodiversidade. De forma muito simples, isto significa que modificamos tão profundamente as relações naturais a ponto de comprometermos o ciclo da água em toda a bacia do Tejo, de Espanha à Portugal.

Assim, hoje, não só consumimos mais água do que este sistema pode restituir, mas também reduzimos drasticamente a sua capacidade de renovação, aumentando e acelerando o seu processo de degradação. É sabido que com as alterações climáticas em curso, a Península Ibérica deverá evoluir para um clima mais seco. Diante de tal prognóstico, o melhor lugar para armazenar água é no subsolo e a melhor forma de o fazer é restaurar a bacia do Tejo para (dentro do possível) reestabelecer o ciclo da água.

Sendo assim, 1) qualquer olhar sobre o problema deve passar por rever a matriz económica, agrícola e de ordenamento do território que são as principais responsáveis pela degradação do mesmo. 2) Sendo a principal atividade da região, migrar de práticas agrícolas convencionais para práticas ecológico-regenerativas é fundamental em todas as escalas! 3) Promoção, num esforço conjunto entre os municípios da bacia hidrográfica, da restauração da biodiversidade, das galerias ripícolas, cursos da água, zonas húmidas e bacias de retenção. 4) No âmbito das cidades, planear toda uma nova cultura de captação, utilização e reutilização da mesma. O que envolve também uma outra relação com os afluentes do Tejo, novas formas de planeamento, desenho e utilização da cidade e da paisagem, edificações e outros critérios para o fomento e o licenciamento de novas atividades económicas.

Mais do que a solução pelo betão, este é antes um tema cultural para envolver as pessoas e municípios, num esforço internacional, que, para além das questões práticas imediatas, poderia vir a promover toda uma nova cultura de relações ecológicas regenerativas, outras economias (circulares e de proximidade), bem como impulsionar a indústria a e agricultura inspiradas pela ecologia do território. Uma porta de oportunidades.

 

 

 Outras notícias - Opinião


O quarto milagre de Fátima »  2018-09-13  »  Jorge Carreira Maia

O começo do ano lectivo é marcado pela generalização de uma nova reforma do sistema educativo. A ideia que está na base de mais uma aventura na educação portuguesa prende-se com a convicção da actual equipa do Ministério da Educação de que o trabalho realizado pelo professorado está globalmente desadequado às exigências do século XXI.
(ler mais...)


Poesia nos posters »  2018-09-12  »  José Mota Pereira

Eu não entendia. Nem poderia entender (aos seis, sete, oito anos de idade) o alcance daquelas palavras. Mas havia naqueles dois posters um magnetismo, uma espécie de magia que me prendiam às palavras que deles saltavam para os meus olhos.
(ler mais...)


Rentrée »  2018-09-12  »  Anabela Santos

O mês de Agosto já passou, acabaram as férias, o verão vai deixar-nos e aproxima-se o Outono.

Chegou Setembro, o mês do(s) recomeço(s). Na minha opinião, seria a altura de abrirmos uma garrafa de champanhe, de fazer um brinde à nova época, um brinde à vida.
(ler mais...)


Ansiedade: uma doença da sociedade moderna »  2018-09-12  »  Juvenal Silva

O que é a ansiedade?

A ansiedade é uma emoção causada por uma ameaça observada ou experimentada e, que o organismo utiliza como mecanismo para reagir de forma saudável às pressões da vida ou até a situações de perigo.
(ler mais...)


Olha, a gaivota! Olha a gaivota! »  2018-09-01  »  Maria Augusta Torcato

 As ideias estão ainda de férias. Se a palavra não fosse tão feia, eu até a utilizaria mais – procrastinação. Meu Deus, que palavra horrível para dizer apenas que se anda com  preguiça, sem vontade, a adiar o que tem de ser feito.
(ler mais...)


O passado e a tradição »  2018-08-30  »  Jorge Carreira Maia

Graças a um artigo de António Guerreiro, no Público, descobri dois versos extraordinários do realizador e poeta italiano Pier Paolo Pasolini. Deste, conheço alguns filmes, mas nunca li a sua poesia.
(ler mais...)


Ética »  2018-08-29  »  Inês Vidal

As novas tecnologias e a Internet - admirável mundo este que nos leva ao outro lado do globo num segundo - vieram mudar os nossos dias, rotinas, até o tom e a forma das nossas conversas. “O meio é a mensagem”, já anunciavam há muito alguns teóricos destas coisas da comunicação.
(ler mais...)


Agosto »  2018-08-29  »  José Mota Pereira

O mês de Agosto vai-se despedindo, a pouco e pouco, nestes dias e noites quentes.

Não há novidade nisto: Agosto ainda é o mês em que, por todo o país, se toma conta dos largos e se dança, canta, convive nas festas populares, trazendo vida aos territórios a que chamamos aldeias e de onde, se há notícias ao longo do ano, é para contar do abandono e da desertificação.
(ler mais...)


Uso e abuso de substancias químicas: a dependência de drogas e álcool »  2018-08-29  »  Juvenal Silva

O uso e abuso de substâncias químicas caracteriza-se por uma dependência, tanto psicológica como física, de drogas, incluindo-se medicamentos com receita médica e álcool.

O que é uma dependência química? Acontece quando um indivíduo necessita de uma droga para funcionar.
(ler mais...)


Protectorado »  2018-08-16  »  Jorge Carreira Maia

O Verão teve, até agora, dois acontecimentos políticos maiores. O caso Robles e o fogo de Monchique. Maiores para os mass media e para uma certa direita social. Por direita social não me refiro aos partidos políticos de direita, os quais não estiveram particularmente mal em ambos os casos, mas àqueles que se manifestam nas redes sociais, nas caixas de comentários dos jornais online, que surgem como espontâneos nos directos das televisões, isto é, a uma militância informe, mas muito activa, que vive despeitada pelos seus não estarem no governo.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-09-13  »  Jorge Carreira Maia O quarto milagre de Fátima