Alívio, decadência e sensatez
Opinião
» 2026-04-18
» Jorge Carreira Maia
Um suspiro de alívio. Há muito que a União Europeia não recebia uma boa notícia. Teve-a no domingo com a derrota, nas eleições húngaras, de Viktor Orbán. Mais do que a vitória de Péter Magyar, o importante foi a derrota de um claro opositor ao projecto europeu, amigo de dois grande inimigos da União Europeia, Putin e Trump. Contudo, só o tempo dirá se o novo governante da Hungria irá reverter os elementos iliberais criados por Orbán e qual é o seu empenho no projecto comum. O mais plausível é que tente compatibilizar a integração na União com o nacionalismo húngaro, sublinhando, no caso da imigração, a preeminência dos direitos do cidadão, que são uma legitimação da exclusão dos não húngaros, sobre os direitos humanos, que prescrevem uma perspectiva mais inclusiva do estrangeiro.
Uma decadência grotesca. É um espectáculo extraordinário aquele a que assistimos em directo: a decadência da maior potência económica e militar. O mais interessante é que os eleitores americanos não foram enganados. Foram eles que escolheram Trump e sabiam perfeitamente quem ele era e é. Conheciam o seu narcisismo, a sua incompetência política, a sua falta de gravidade. Sabiam também que se iria rodear de gente tão pouco competente e tão pouco racional quanto ele. Uma das democracias mais sólidas do planeta suicida-se em directo. Imagine-se o que pensarão os inimigos dos EUA, para não falar dos amigos. Uma comédia grotesca encenada com actores de terceira categoria, que continua a encantar parte significativa dos eleitores americanos. É bom não esquecer este encantamento, até porque nos pode calhar em sorte um espectáculo semelhante.
A sensatez na cadeira de S. Pedro. Os recentes ataques de Donald Trump ao Papa Leão XIV são um sinal inequívoco de que este está a dizer aquilo que deve ser dito. Os delírios militares da administração americana nada têm de cristão. Tentar transformar o ataque ao Irão numa guerra religiosa não é apenas uma blasfémia tonta. É uma enorme irresponsabilidade, que poderá ter consequências bastante desagradáveis para o mundo ocidental, onde os EUA, apesar de Trump, se situam. Leão XIV disse aquilo que, como líder religioso, deveria dizer, mas também disse aquilo que um líder político responsável e civilizado deve dizer. Neste momento, apesar de ser atravessada por muitas correntes, incluindo uma corrente trumpista, a Igreja Católica é a voz mais forte no mundo a fazer-se ouvir em defesa da vida civilizada e decente. As democracias liberais fariam bem em estar atentas à voz que clama no Vaticano.
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Alívio, decadência e sensatez
Opinião
» 2026-04-18
» Jorge Carreira Maia
Um suspiro de alívio. Há muito que a União Europeia não recebia uma boa notícia. Teve-a no domingo com a derrota, nas eleições húngaras, de Viktor Orbán. Mais do que a vitória de Péter Magyar, o importante foi a derrota de um claro opositor ao projecto europeu, amigo de dois grande inimigos da União Europeia, Putin e Trump. Contudo, só o tempo dirá se o novo governante da Hungria irá reverter os elementos iliberais criados por Orbán e qual é o seu empenho no projecto comum. O mais plausível é que tente compatibilizar a integração na União com o nacionalismo húngaro, sublinhando, no caso da imigração, a preeminência dos direitos do cidadão, que são uma legitimação da exclusão dos não húngaros, sobre os direitos humanos, que prescrevem uma perspectiva mais inclusiva do estrangeiro.
Uma decadência grotesca. É um espectáculo extraordinário aquele a que assistimos em directo: a decadência da maior potência económica e militar. O mais interessante é que os eleitores americanos não foram enganados. Foram eles que escolheram Trump e sabiam perfeitamente quem ele era e é. Conheciam o seu narcisismo, a sua incompetência política, a sua falta de gravidade. Sabiam também que se iria rodear de gente tão pouco competente e tão pouco racional quanto ele. Uma das democracias mais sólidas do planeta suicida-se em directo. Imagine-se o que pensarão os inimigos dos EUA, para não falar dos amigos. Uma comédia grotesca encenada com actores de terceira categoria, que continua a encantar parte significativa dos eleitores americanos. É bom não esquecer este encantamento, até porque nos pode calhar em sorte um espectáculo semelhante.
A sensatez na cadeira de S. Pedro. Os recentes ataques de Donald Trump ao Papa Leão XIV são um sinal inequívoco de que este está a dizer aquilo que deve ser dito. Os delírios militares da administração americana nada têm de cristão. Tentar transformar o ataque ao Irão numa guerra religiosa não é apenas uma blasfémia tonta. É uma enorme irresponsabilidade, que poderá ter consequências bastante desagradáveis para o mundo ocidental, onde os EUA, apesar de Trump, se situam. Leão XIV disse aquilo que, como líder religioso, deveria dizer, mas também disse aquilo que um líder político responsável e civilizado deve dizer. Neste momento, apesar de ser atravessada por muitas correntes, incluindo uma corrente trumpista, a Igreja Católica é a voz mais forte no mundo a fazer-se ouvir em defesa da vida civilizada e decente. As democracias liberais fariam bem em estar atentas à voz que clama no Vaticano.
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» Jorge Carreira Maia
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Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
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