Presidenciais, o grau de ressentimento - jorge carreira maia
Opinião
» 2025-12-05
» Jorge Carreira Maia
As próximas eleições presidenciais vão medir o grau de ressentimento político dos portugueses. Em teoria, há quatro candidatos que podem aspirar a passar à segunda volta. Para usar uma classificação de um amigo, temos duas rainhas de Inglaterra (Marques Mendes e António José Seguro) e dois caudilhos (Gouveia e Melo e André Ventura). A métrica seria a seguinte: Se passarem à segunda volta as duas rainhas de Inglaterra, o ressentimento político dos portugueses, apesar de existir, ainda não atingiu níveis preocupantes. Caso passem uma rainha de Inglaterra e um caudilho, o ressentimento social terá atingido níveis preocupantes, mas não catastróficos. Porém, se passarem à segunda volta os dois caudilhos, o ressentimento político dos portugueses atingiu o nível da catástrofe para as instituições e a democracia liberal.
As rainhas de Inglaterra pretendem o normal funcionamento das instituições, um jogo político dentro das regras habituais. Tenderão a evitar convulsões políticas e estarão interessadas em baixar o grau de crispação política existente. Para estes objectivos, a melhor rainha seria António José Seguro, mais sensato, menos dado a explosões e menos marcado partidariamente, embora Marques Mendes também será uma rainha dentro do espírito constitucional. Seja como for, nenhum deles quererá destruir o regime, nem fazer de Belém o centro da governação. E isso, para quem quer viver num país pacificado e em liberdade, é uma excelente notícia.
Os caudilhos não representam qualquer segurança relativamente ao normal funcionamento das instituições. André Ventura não morre de amores pelo regime democrático-liberal. A sua finalidade – intitulada Quarta República – é estilhaçar as instituições (veja-se o comportamento do seu partido na Assembleia da República) e tentar transformar o país num presidencialismo iliberal, ainda que de fachada democrática. A Presidência é um óptimo lugar para a guerrilha destruidora das instituições. Quanto a Gouveia e Melo – um Sidónio do século XXI? – o problema é o seguinte: o que pretende um homem de acção ao candidatar-se a um cargo que permite pouca acção? Não será apenas um exercício de vaidade, mas também um sonho de um chefe militar de pôr na ordem a política e os políticos. Coisa que, como se sabe, nunca dá bons resultados. Os dois caudilhos têm ambos potencialidades para desestabilizar o regime democrático e desestruturar as instituições.
A saúde das nossas instituições políticas depende, nos dias que correm, do grau de ressentimento político dos portugueses: vão escolher entre a vida normal sob a égide de uma rainha de Inglaterra ou o conflito sob o comando de um caudilho.
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Presidenciais, o grau de ressentimento - jorge carreira maia
Opinião
» 2025-12-05
» Jorge Carreira Maia
As próximas eleições presidenciais vão medir o grau de ressentimento político dos portugueses. Em teoria, há quatro candidatos que podem aspirar a passar à segunda volta. Para usar uma classificação de um amigo, temos duas rainhas de Inglaterra (Marques Mendes e António José Seguro) e dois caudilhos (Gouveia e Melo e André Ventura). A métrica seria a seguinte: Se passarem à segunda volta as duas rainhas de Inglaterra, o ressentimento político dos portugueses, apesar de existir, ainda não atingiu níveis preocupantes. Caso passem uma rainha de Inglaterra e um caudilho, o ressentimento social terá atingido níveis preocupantes, mas não catastróficos. Porém, se passarem à segunda volta os dois caudilhos, o ressentimento político dos portugueses atingiu o nível da catástrofe para as instituições e a democracia liberal.
As rainhas de Inglaterra pretendem o normal funcionamento das instituições, um jogo político dentro das regras habituais. Tenderão a evitar convulsões políticas e estarão interessadas em baixar o grau de crispação política existente. Para estes objectivos, a melhor rainha seria António José Seguro, mais sensato, menos dado a explosões e menos marcado partidariamente, embora Marques Mendes também será uma rainha dentro do espírito constitucional. Seja como for, nenhum deles quererá destruir o regime, nem fazer de Belém o centro da governação. E isso, para quem quer viver num país pacificado e em liberdade, é uma excelente notícia.
Os caudilhos não representam qualquer segurança relativamente ao normal funcionamento das instituições. André Ventura não morre de amores pelo regime democrático-liberal. A sua finalidade – intitulada Quarta República – é estilhaçar as instituições (veja-se o comportamento do seu partido na Assembleia da República) e tentar transformar o país num presidencialismo iliberal, ainda que de fachada democrática. A Presidência é um óptimo lugar para a guerrilha destruidora das instituições. Quanto a Gouveia e Melo – um Sidónio do século XXI? – o problema é o seguinte: o que pretende um homem de acção ao candidatar-se a um cargo que permite pouca acção? Não será apenas um exercício de vaidade, mas também um sonho de um chefe militar de pôr na ordem a política e os políticos. Coisa que, como se sabe, nunca dá bons resultados. Os dois caudilhos têm ambos potencialidades para desestabilizar o regime democrático e desestruturar as instituições.
A saúde das nossas instituições políticas depende, nos dias que correm, do grau de ressentimento político dos portugueses: vão escolher entre a vida normal sob a égide de uma rainha de Inglaterra ou o conflito sob o comando de um caudilho.
A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia
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» Jorge Carreira Maia
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Minudências que consomem - carlos paiva
» 2026-06-07
» Carlos Paiva
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O precipício ao virar da esquina - antónio mário
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» António Mário Santos
Algo vem ganhando força e expressão, nos últimos tempos, a nível nacional: a consciência da ingovernabilidade do sistema político. O aumento do descontentamento popular, ante a realidade sociopolítica da degradação da qualidade de vida no mundo do capitalismo neoliberal, alimentou o crescimento da extrema-direita. |
A verdade dos números - antónio gomes
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» António Gomes
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Labregos & rufiões - acácio gouveia
» 2026-06-07
» Acácio Gouveia
(...) e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os chifres dez diademas, e sobre as cabeças um nome de blasfémia” - Apocalipse S. João 13.1 Parece mesmo um argumento de filme apocalíptico, saído dos estúdios de Holywood, candidato a um sucesso de bilheteira. |
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
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» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
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» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Todo bem vestido e sem sítio para ir |
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» 2026-05-18
» António Gomes
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» 2026-05-18
» António Mário Santos
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» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
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