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As nossas vozes - josé mota pereira

Opinião  »  2020-07-27  »  José Mota Pereira

"É nestes órgãos de comunicação social que encontramos as vozes das nossas terras, os problemas dos nossos bairros, as notícias das nossas associações e colectividades"

Muitas vezes, a comunicação social local é acusada de ser um instrumento ao serviço do caciquismo.

 Outras tantas vezes, também não é difícil de desmentir que a comunicação social local e regional (jornais e rádios) é apenas páginas de jornais ou horas de rádio vazias desprovidas de conteúdo ou interesse.

 Injusta ou não tal acusação, a bitola da qualidade da comunicação social local e regional é, sejamos sinceros, em muitos casos, francamente baixa. Ao folhearmos alguns jornais locais e regionais (e não estou obviamente a referir-me especificamente aos da nossa região), encontramos neles, muitas vezes, características comuns como falta de rigor e isenção; ausência de profissionalismo mesmo quando os seus quadros são profissionais; ausência de sentido crítico; mimetismo dos órgãos nacionais, sobretudo naquilo que têm de pior como o a tendência pra o sensacionalismo; excesso de bairrismo e uma visão paroquial (não confundir com uma visão confessional) do mundo.

 Esta realidade pode ser facilmente constatada já que hoje, com as possibilidades da internet, podemos ler muitos jornais locais independentemente do seu lugar de publicação. Ou ouvir outras rádios fora do espectro local.

 Desafio aliás, o leitor, a ir pelo google e encontrará de norte a sul muitos exemplos do que acabo de escrever. E se é assim naqueles que dispõem capacidade de manutenção regular das suas edições on line, poderemos imaginar o panorama daqueles jornais a quem até isso constitui uma dificuldade. Sendo que, obviamente, também existirão muitos jornais que não estando disponíveis on line (portanto deles não temos acesso), mas que procuram fazer um jornalismo de qualidade e terão padrões mais elevados.

 Mas não estaremos longe da realidade ao caracterizarmos assim a generalidade da imprensa regional e local. Mesmo contando sempre com as excepções.

 É verdade que muitos destes jornais sobrevivem da boa vontade dos que neles colaboram. Uma boa vontade que, sendo generosa, foge vezes demais a padrões mínimos de qualidade. Ainda mal.

 Mas, sendo assim, poderemos dispensar a comunicação social local e regional? Ou deveremos suscitar o debate para que se superem as dificuldades e se atinjam outros patamares?

 Sejamos justos:mesmo assim, com este panorama, há alguém que possa imaginar este país, em 2020, sem a presença da comunicação social local, do seu escrutínio (ainda que muitas vezes manietado), da força que dá à nossa democracia, da expressão da diversidade daquilo que somos enquanto povo? Seremos uma democracia plena sem a comunicação social local mesmo que cheia de defeitos?

 Facto: é nestes órgãos de comunicação social que encontramos as vozes das nossas terras, os problemas dos nossos bairros, as notícias das nossas associações e colectividades. Não há democracia sem comunicação social na sua expressão regional e local. Apontar os seus defeitos, não pode servir para aniquilá-la, pelo contrário, deve servir para contribuir para  elevar os seus padrões de qualidade para que exerça a sua função de quarto poder, na sua justa medida e plenitude.

 Não ignoramos a realidade difícil em que têm que lutar para existir. Uma realidade que já era dura antes da pandemia. A pandemia veio levantar ainda mais este véu. Uma realidade feita de jornais que tentam resistir ao novo informativo vindo do digital sem mediação, à boleia do Facebook, muitas vezes no anonimato, sem responsabilidade e responsabilização, assente na mentira e na boataria sensacionalista. Tudo, pois claro, com as pressões dos pequenos poderes económicos, políticos e religiosos locais, sempre dispostos a todos os bloqueios, nomeadamente económicos, fazendo depender o investimento publicitário do “ bom comportamento” dos jornalistas ou do seu painel de colaboradores.

 A pouco e pouco, lamentavelmente, vamos vendo desaparecendo jornais e rádios. Ou se não desaparecem, vêmo-los serem transformados em objectos de recriação e amplificação da voz dos que deles se apoderaram.

 Tal como nas rádios ditas locais, que a tudo isso ainda têm que resistir à gula dos grandes grupos de media, que por pataco e meio lhes adquirem as licenças /frequências apenas para servirem de eco e retransmissão aos seus postos emissores nacionais. Na nossa região, quantas rádios já sucumbiram assim?

 Sem uma comunicação social local regional forte, independente, isenta e crítica ficamos todos muito mais pobres.

 Enquanto isto há um governo que, parecendo surdo e cego, não hesitou em distribuir sacas de euros pelos grandes tubarões de sempre, ignorando completamente a força e a importância dos media locais.

 Assim vamos, até ao dia em que sem as vozes das nossas terras e a difusão da nossa vida colectiva, dos nossos problemas, tenhamos apenas como opção na solidão das nossas casas, as Cristinas e os Gouchas de todos os milhões.

(foto Dinheiro Vivo)

 

 

 

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