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Patos bravos

Opinião  »  2018-01-17  »  Denis Hickel

"Os recentes processos movidos contra ambientalistas inauguram um teatro do absurdo"

Os recentes processos movidos contra ambientalistas por denunciar a poluição no Rio Tejo, Ribeira da Boa Água, Almonda, entre outros, inauguram um teatro do absurdo. Temos diante de nós empresas que sabemos serem claramente poluidoras, porém protegidas por arcabouços jurídicos e contratuais e tão poderosas nas suas redes de relações que, ao invés de tomarem a iniciativa de limpar a sua imagem, não negam o estatuto e preferem manter os negócios sujos pela força da intimidação.

Este tipo de poluição e forma de agir era característica das últimas décadas do século passado quando a consciência ambiental não fazia falta. Hoje, com as alterações climáticas em curso, perda de biodiversidade, pico dos recursos naturais; todos com impactos negativos de curto e médio prazo na economia e na sociedade, parece surreal que tal ainda aconteça.

Parece-me que ainda vivemos num universo dominado por “patos bravos”. Associo o termo à um tipo peculiar de empresariado nacional, muitas vezes rústico, sempre patriarcal, controlador e que gosta de ser tratado por doutor. Há muitos em altos escalões da política também e, de forma geral, sabem ser sedutores. Muito do seu sucesso foi obtido com algum grau de imposição da sua vontade sobre o bem comum, seja do meio ambiente, da miséria alheia, ou das relações sociais que mantém. Ainda que toscos e atropeladores, eles são matreiros e sabem muito bem utilizar as intrincadas redes de poder a seu favor. Não raro, podem contar com times de advogados para guiá-los pelos arcabouços jurídicos que atropelam.

Mas acima de tudo, os patos bravos não gostam de perder e odeiam ver o seu status jogado na lama. Portanto, também não se dão bem com a democracia e não gostam dos medias sociais, onde afinal as pessoas podem questionar as mazelas que sustentam o seu poder, sem ter que passar pelos antigos filtros dos medias convencionais.

Confesso que tenho uma pontinha de vontade de ver extinta esta espécie social e espero sejam os últimos expoentes de uma geração de empresários e políticos que não aceitam ser escrutinados de forma tão aberta. Se Portugal precisa se modernizar em muitos aspectos, uma mudança de mentalidade do empresariado é fundamental para que novas gerações não venham infectadas com o mesmo “malware”.

Mas não nos apressemos em crucificá-los, pois somos nós que consumimos a porcaria que colocam no mundo. Seja na indústria, na agricultura (onde a coisa é ainda mais disfarçada), na política, ou nos serviços, somos nós que sustentamos o seu sucesso ao girarmos de forma acéfala as engrenagens de uma cultura tão pautada pela competição, individualismo e sucesso material como forma de bem estar. Lamento, mas ninguém virá nos salvar.

 

 

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