A esquerda e as presidenciais - jorge carreira maia
Opinião
» 2026-01-14
» Jorge Carreira Maia
Olhemos para as eleições presidenciais. Mais especificamente, para as esquerdas e os seus candidatos, para comentar a estratégia de hara-kiri em que essas esquerdas parecem ser especialistas. Suicidar-se com honra, como velhos samurais caídos em desgraça perante o seu senhor. A única candidatura de esquerda que tem algumas hipóteses de passar à segunda volta – talvez de ganhar – é a de António José Seguro. É um candidato vibrante e mobilizador de paixões populares? Não, claro que não. Tem, porém, virtudes que são adequadas a um inquilino de Belém: é sensato, comedido, tem uma imagem de honestidade, conhece bem a vida política portuguesa e europeia, assim como os desafios mundiais, é moderado – uma coisa bem necessária nestes tempos – e não tem anticorpos na sociedade portuguesa. De todos os candidatos – de esquerda e de direita – é o que daria o melhor Presidente para estes tempos.
Não sou adivinho. Escrevo este artigo no primeiro dia de campanha e, pelo que dizem, é provável que os candidatos das outras esquerdas – António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto – não desistam para Seguro. Para os partidos que os promovem, mais importante do que a democracia será erguer a bandeira partidária, talvez para chegarem ao fim da primeira volta e afirmarem que tiveram um excelente resultado de 5% ou menos. Ganham ainda um motivo para verberarem a direita e o populismo, o que lhes incendiará os espíritos e tranquilizará as consciências. Pode ser que me engane. Pior que Livre, PCP e BE, porém, é o comportamento dos socialistas. Dá a impressão de que Seguro é um inimigo e não o candidato do PS. Se há, aqui e ali, apoios institucionais, a militância eclipsou-se. A mobilização do partido se não é nula, para lá caminha. Seguro – que foi chefe dos socialistas – parece um estranho numa terra estranha.
Seria para a democracia portuguesa fundamental que Seguro fosse eleito. Toda a esquerda devia estar empenhada nisso. Quais as razões? Para equilibrar os pratos da balança, para que, mais uma vez, os poderes não estejam todos concentrados na direita. Contudo, há uma razão mais substancial do que essa: a Constituição. Um presidente moderado e sensato de esquerda poderia encontrar caminhos para evitar que o PSD se deixe tentar por uma revisão constitucional negociada toda à direita, que a esquerda parlamentar não conseguirá impedir. Seguro poderia ser a chave para evitar a completa desfiguração da Constituição nascida do 25 de Abril. É uma mera possibilidade, talvez pequena, mas é a única que a esquerda tem para continuar a ter um papel com significado no país, o que parece não estar interessada.
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A esquerda e as presidenciais - jorge carreira maia
Opinião
» 2026-01-14
» Jorge Carreira Maia
Olhemos para as eleições presidenciais. Mais especificamente, para as esquerdas e os seus candidatos, para comentar a estratégia de hara-kiri em que essas esquerdas parecem ser especialistas. Suicidar-se com honra, como velhos samurais caídos em desgraça perante o seu senhor. A única candidatura de esquerda que tem algumas hipóteses de passar à segunda volta – talvez de ganhar – é a de António José Seguro. É um candidato vibrante e mobilizador de paixões populares? Não, claro que não. Tem, porém, virtudes que são adequadas a um inquilino de Belém: é sensato, comedido, tem uma imagem de honestidade, conhece bem a vida política portuguesa e europeia, assim como os desafios mundiais, é moderado – uma coisa bem necessária nestes tempos – e não tem anticorpos na sociedade portuguesa. De todos os candidatos – de esquerda e de direita – é o que daria o melhor Presidente para estes tempos.
Não sou adivinho. Escrevo este artigo no primeiro dia de campanha e, pelo que dizem, é provável que os candidatos das outras esquerdas – António Filipe, Catarina Martins e Jorge Pinto – não desistam para Seguro. Para os partidos que os promovem, mais importante do que a democracia será erguer a bandeira partidária, talvez para chegarem ao fim da primeira volta e afirmarem que tiveram um excelente resultado de 5% ou menos. Ganham ainda um motivo para verberarem a direita e o populismo, o que lhes incendiará os espíritos e tranquilizará as consciências. Pode ser que me engane. Pior que Livre, PCP e BE, porém, é o comportamento dos socialistas. Dá a impressão de que Seguro é um inimigo e não o candidato do PS. Se há, aqui e ali, apoios institucionais, a militância eclipsou-se. A mobilização do partido se não é nula, para lá caminha. Seguro – que foi chefe dos socialistas – parece um estranho numa terra estranha.
Seria para a democracia portuguesa fundamental que Seguro fosse eleito. Toda a esquerda devia estar empenhada nisso. Quais as razões? Para equilibrar os pratos da balança, para que, mais uma vez, os poderes não estejam todos concentrados na direita. Contudo, há uma razão mais substancial do que essa: a Constituição. Um presidente moderado e sensato de esquerda poderia encontrar caminhos para evitar que o PSD se deixe tentar por uma revisão constitucional negociada toda à direita, que a esquerda parlamentar não conseguirá impedir. Seguro poderia ser a chave para evitar a completa desfiguração da Constituição nascida do 25 de Abril. É uma mera possibilidade, talvez pequena, mas é a única que a esquerda tem para continuar a ter um papel com significado no país, o que parece não estar interessada.
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
Todo o mundo é composto de mudança
» 2026-05-04
» António Mário Santos
E o povo saiu à rua, dançou, cantou, sorriu. Andou de cravo na mão, a dizer aos governantes que o 25 de Abril, ainda que o não tenham maioritariamente, vivido, representa algo de muito importante, para cada geração: a liberdade. |
Resistência
» 2026-05-04
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril». «É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. |
Pão, Paz e Liberdade
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. |
Os males do presente
» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Por que razão vivemos num momento de grande turbulência mundial? Haverá muita gente com respostas, umas mais sensatas do que outras. Aventuras geopolíticas das grandes potências imperiais e os habituais interesses económicos são razões que surgem para dar um sentido ao que estamos a viver. |
O MERCADO DA INDIFERENÇA
» 2026-04-28
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, decidiu isentar a organização do Rock in Rio do pagamento de 3 milhões de euros de taxas municipais devidas pela realização daquele mega-evento. Isto é, o autarca prefere abdicar de 3 milhões de euros em favor de uma grande multinacional do entretenimento, que lucra centenas de milhões de lucro nas suas iniciativas planetárias, a alocar esses 3 milhões, que cobraria, para as necessidades da educação, da acção social ou do desporto da população da capital. |
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» 2026-04-28
O MERCADO DA INDIFERENÇA |
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» 2026-05-04
» António Mário Santos
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» 2026-05-04
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