Greve vitoriosa, esquerda derrotada - jorga carreira maia
Opinião
» 2025-12-22
» Jorge Carreira Maia
Não foram os sindicatos, tanto os da UGT como os da CGTP, acusados, pelo governo, de estarem, com a greve-geral de dia 11, a fazer o jogo dos partidos de esquerda? E não foram os sindicatos os vencedores, pela forma como tornaram visível o perigo para os trabalhadores que as propostas do governo representavam? Foram. Não são esses sindicatos, maioritariamente, influenciados pelos partidos de esquerda? São. Como é possível, então, afirmar que a esquerda sai derrotada, apesar de uma greve vitoriosa? É preciso distinguir dois tipos de conflito. O conflito laboral e o conflito político. No conflito laboral, a esquerda teve uma vitória, pois não só tornou visível as pretensões do governo, gravosas para os trabalhadores, como tornou a posição do mesmo governo muito difícil.
Do ponto de vista do conflito político, porém, a esquerda parece ter pouca capacidade de capitalizar a vitória obtida no conflito social. O mais plausível é que o grande vitorioso da greve-geral seja André Ventura. Claro que Ventura nada vê de errado nas intenções do governo. Percebeu, contudo, que se as apoiasse ia atingir grande parte do seu eleitorado. A greve-geral funcionou como uma iluminação para a extrema-direita. André Ventura apressou-se a apresentar-se como o grande defensor dos trabalhadores portugueses, afirmando que votará contra a lei, caso algumas medidas não sejam retiradas. Por que motivo André Ventura que, com esta posição, fez mais uma cambalhota, sai vitoriosos da greve-geral? Por um motivo político e outro simbólico.
Politicamente, se a proposta governamental for derrotada no parlamento, um caso ainda para ver, Ventura dirá que isso se deve à oposição do Chega, o que será verdade. Reforçará a ideia de que representa, politicamente, as classes trabalhadoras. Do ponto de vista simbólico, muitos trabalhadores deixaram de se reconhecer nos programas e visões sociais da esquerda. Muitos trabalhadores, apesar de o serem e de terem poucas ou nenhumas hipóteses de trocar a sua situação por outra melhor, não se imaginam como aquilo que são, mas como o que desejam ser. E aquilo que simboliza esse seu desejo utópico é a retórica de Ventura, que denuncia tudo o que imaginariamente impede as pessoas de serem o que desejam. É uma ilusão, mas olhemos para José Luís Carneiro, Rui Tavares, Paulo Raimundo e José Manuel Pureza. Quantos eleitores que transferiram seu o voto da esquerda para a extrema-direita sentem nessas figuras o salvador de que andam à procura? Poucos ou nenhuns. Na política, símbolos e imaginários contam. E muito.
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Greve vitoriosa, esquerda derrotada - jorga carreira maia
Opinião
» 2025-12-22
» Jorge Carreira Maia
Não foram os sindicatos, tanto os da UGT como os da CGTP, acusados, pelo governo, de estarem, com a greve-geral de dia 11, a fazer o jogo dos partidos de esquerda? E não foram os sindicatos os vencedores, pela forma como tornaram visível o perigo para os trabalhadores que as propostas do governo representavam? Foram. Não são esses sindicatos, maioritariamente, influenciados pelos partidos de esquerda? São. Como é possível, então, afirmar que a esquerda sai derrotada, apesar de uma greve vitoriosa? É preciso distinguir dois tipos de conflito. O conflito laboral e o conflito político. No conflito laboral, a esquerda teve uma vitória, pois não só tornou visível as pretensões do governo, gravosas para os trabalhadores, como tornou a posição do mesmo governo muito difícil.
Do ponto de vista do conflito político, porém, a esquerda parece ter pouca capacidade de capitalizar a vitória obtida no conflito social. O mais plausível é que o grande vitorioso da greve-geral seja André Ventura. Claro que Ventura nada vê de errado nas intenções do governo. Percebeu, contudo, que se as apoiasse ia atingir grande parte do seu eleitorado. A greve-geral funcionou como uma iluminação para a extrema-direita. André Ventura apressou-se a apresentar-se como o grande defensor dos trabalhadores portugueses, afirmando que votará contra a lei, caso algumas medidas não sejam retiradas. Por que motivo André Ventura que, com esta posição, fez mais uma cambalhota, sai vitoriosos da greve-geral? Por um motivo político e outro simbólico.
Politicamente, se a proposta governamental for derrotada no parlamento, um caso ainda para ver, Ventura dirá que isso se deve à oposição do Chega, o que será verdade. Reforçará a ideia de que representa, politicamente, as classes trabalhadoras. Do ponto de vista simbólico, muitos trabalhadores deixaram de se reconhecer nos programas e visões sociais da esquerda. Muitos trabalhadores, apesar de o serem e de terem poucas ou nenhumas hipóteses de trocar a sua situação por outra melhor, não se imaginam como aquilo que são, mas como o que desejam ser. E aquilo que simboliza esse seu desejo utópico é a retórica de Ventura, que denuncia tudo o que imaginariamente impede as pessoas de serem o que desejam. É uma ilusão, mas olhemos para José Luís Carneiro, Rui Tavares, Paulo Raimundo e José Manuel Pureza. Quantos eleitores que transferiram seu o voto da esquerda para a extrema-direita sentem nessas figuras o salvador de que andam à procura? Poucos ou nenhuns. Na política, símbolos e imaginários contam. E muito.
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
Todo o mundo é composto de mudança
» 2026-05-04
» António Mário Santos
E o povo saiu à rua, dançou, cantou, sorriu. Andou de cravo na mão, a dizer aos governantes que o 25 de Abril, ainda que o não tenham maioritariamente, vivido, representa algo de muito importante, para cada geração: a liberdade. |
Resistência
» 2026-05-04
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril». «É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. |
Pão, Paz e Liberdade
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. |
Os males do presente
» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Por que razão vivemos num momento de grande turbulência mundial? Haverá muita gente com respostas, umas mais sensatas do que outras. Aventuras geopolíticas das grandes potências imperiais e os habituais interesses económicos são razões que surgem para dar um sentido ao que estamos a viver. |
O MERCADO DA INDIFERENÇA
» 2026-04-28
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, decidiu isentar a organização do Rock in Rio do pagamento de 3 milhões de euros de taxas municipais devidas pela realização daquele mega-evento. Isto é, o autarca prefere abdicar de 3 milhões de euros em favor de uma grande multinacional do entretenimento, que lucra centenas de milhões de lucro nas suas iniciativas planetárias, a alocar esses 3 milhões, que cobraria, para as necessidades da educação, da acção social ou do desporto da população da capital. |
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» 2026-04-28
O MERCADO DA INDIFERENÇA |
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» 2026-05-04
» António Mário Santos
Todo o mundo é composto de mudança |
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» José Mota Pereira
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» 2026-05-04
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» 2026-05-04
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