Inteligência artificial
Opinião
» 2025-07-08
» Acácio Gouveia
“Pobre é o discípulo que não excede o seu mestre”
Leonardo da Vinci
Mais do que rumor, é já certo que a IA é capaz de usar linguagem ininteligível para os humanos com o objectivo de ser mais eficaz. Há mesmo quem suspeite que, quando expõe os passos que usou para gerar certas respostas, não estará a ser sincera! Isto é, esconde informação aos próprios programadores. Quanto à hipótese de lhe ser permitido usar linguagem incompreensível para os humanos, naturalmente, muitos receios se levantam. Apesar de haver quem julgue vantajoso não estar a IA sujeita aos constrangimentos de modelos de linguagem humana e usar um código próprio, mais eficaz (*), tal autonomia levanta desconfianças para maioria das pessoas.
Aqui chegados, será lícito ao leigo devanear. Não estaremos no limiar de criar um “ser” capaz de ultrapassar em inteligência o objecto mais espertinho (até agora) que se conhece no universo, a saber, o cérebro humano? Conceber algo mais inteligente implica acreditar que perderemos poder, provavelmente, de forma drástica e definitiva. Mas ... seria mesmo mau? Bem vistas as coisas, não parece que os cérebros humanos tenham sido capazes de criar uma nova forma de estar no planeta, da qual nos possamos orgulhar. Certamente que há por aí obra que não desmerece. A arte, sem dúvida, é o melhor que a humanidade conseguiu. Ciência e tecnologia? Sim! Mas, sabendo nós quão parcos em sabedoria somos, o balanço do uso que lhe damos é mauzito. Enfim, convenhamos que com a nossa presença avassaladora, cruel e boçal, fizemos deste planeta num lugar mal frequentado. Somos, de caras, o pior inquilino à superfície da Terra e, como diz o povo, “nem para nós somos bons”. Posto isto, e não querendo escandalizar o paciente leitor, ponho-me a especular: não seria mesmo bom que a IA, com potencial para superar o seu criador, tomasse conta desta “chafarica” e pusesse ordem no “granel” em que nos metemos desde a revolução neolítica? Mas, estamos a adiantar-nos.
Dizer que se construiu uma máquina mais inteligente que o ser humano é movermo-nos em terreno movediço. Isto porque a definição de inteligência, continua a ser um conceito algo evasivo, mesmo para a próprio criatura – ser humano - que a si se considera a mais inteligente do universo. Quer dizer: nem a inteligência humana se consegue compreender a si mesma.
Mas, apesar deste detalhe questionemo-nos se inventar artefactos que superem as capacidades do inventor (humano) será algo de tão inusitado assim na nossa longa história. É que criar objectos é tarefa a que, desde há muitas centenas de milhares de anos, nos temos vindo a dedicar afanosamente. Recuando uns oito mil anos, quando apenas nos deslocávamos servindo-nos unicamente dos nossos equipamentos naturais – os membros inferiores – alguém se questionaria que viria um dia em que o ser humano se deslocaria mais rapidamente do que estes lhe permitiam? Tal hipótese seria considerada estranha e, quiçá, assustadora. Contudo, após a domesticação de outros animais mais velozes ninguém se importou (muito pelo contrário) de termos ficado libertos das limitações inerentes à nossa anatomia. Devemos estranhar que agora estejamos à beira de superar o nosso intelecto? Não. De que estavam à espera? O progresso é mesmo assim. Será de temer? Aí outro galo canta! Mas, se, inquestionavelmente, a nossa “preciosa” inteligência nos tem levado por caminhos cada vez mais estreitos e se o livre arbítrio tem vindo a acumular disparate atrás de disparate, que temos a perder em abdicar deste e em permitir que outra entidade, mais inteligente, capaz de gerar sabedoria de melhor qualidade, tome as rédeas do futuro? Mal por mal ... vale a pena arriscar.
Resumindo: a superação da inteligência humana por algo melhor pode ser uma ameaça, mas também uma oportunidade.
(*) Time magazine - 24 fevereiro de 2025
© 2025 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
Inteligência artificial
Opinião
» 2025-07-08
» Acácio Gouveia
“Pobre é o discípulo que não excede o seu mestre”
Leonardo da Vinci
Mais do que rumor, é já certo que a IA é capaz de usar linguagem ininteligível para os humanos com o objectivo de ser mais eficaz. Há mesmo quem suspeite que, quando expõe os passos que usou para gerar certas respostas, não estará a ser sincera! Isto é, esconde informação aos próprios programadores. Quanto à hipótese de lhe ser permitido usar linguagem incompreensível para os humanos, naturalmente, muitos receios se levantam. Apesar de haver quem julgue vantajoso não estar a IA sujeita aos constrangimentos de modelos de linguagem humana e usar um código próprio, mais eficaz (*), tal autonomia levanta desconfianças para maioria das pessoas.
Aqui chegados, será lícito ao leigo devanear. Não estaremos no limiar de criar um “ser” capaz de ultrapassar em inteligência o objecto mais espertinho (até agora) que se conhece no universo, a saber, o cérebro humano? Conceber algo mais inteligente implica acreditar que perderemos poder, provavelmente, de forma drástica e definitiva. Mas ... seria mesmo mau? Bem vistas as coisas, não parece que os cérebros humanos tenham sido capazes de criar uma nova forma de estar no planeta, da qual nos possamos orgulhar. Certamente que há por aí obra que não desmerece. A arte, sem dúvida, é o melhor que a humanidade conseguiu. Ciência e tecnologia? Sim! Mas, sabendo nós quão parcos em sabedoria somos, o balanço do uso que lhe damos é mauzito. Enfim, convenhamos que com a nossa presença avassaladora, cruel e boçal, fizemos deste planeta num lugar mal frequentado. Somos, de caras, o pior inquilino à superfície da Terra e, como diz o povo, “nem para nós somos bons”. Posto isto, e não querendo escandalizar o paciente leitor, ponho-me a especular: não seria mesmo bom que a IA, com potencial para superar o seu criador, tomasse conta desta “chafarica” e pusesse ordem no “granel” em que nos metemos desde a revolução neolítica? Mas, estamos a adiantar-nos.
Dizer que se construiu uma máquina mais inteligente que o ser humano é movermo-nos em terreno movediço. Isto porque a definição de inteligência, continua a ser um conceito algo evasivo, mesmo para a próprio criatura – ser humano - que a si se considera a mais inteligente do universo. Quer dizer: nem a inteligência humana se consegue compreender a si mesma.
Mas, apesar deste detalhe questionemo-nos se inventar artefactos que superem as capacidades do inventor (humano) será algo de tão inusitado assim na nossa longa história. É que criar objectos é tarefa a que, desde há muitas centenas de milhares de anos, nos temos vindo a dedicar afanosamente. Recuando uns oito mil anos, quando apenas nos deslocávamos servindo-nos unicamente dos nossos equipamentos naturais – os membros inferiores – alguém se questionaria que viria um dia em que o ser humano se deslocaria mais rapidamente do que estes lhe permitiam? Tal hipótese seria considerada estranha e, quiçá, assustadora. Contudo, após a domesticação de outros animais mais velozes ninguém se importou (muito pelo contrário) de termos ficado libertos das limitações inerentes à nossa anatomia. Devemos estranhar que agora estejamos à beira de superar o nosso intelecto? Não. De que estavam à espera? O progresso é mesmo assim. Será de temer? Aí outro galo canta! Mas, se, inquestionavelmente, a nossa “preciosa” inteligência nos tem levado por caminhos cada vez mais estreitos e se o livre arbítrio tem vindo a acumular disparate atrás de disparate, que temos a perder em abdicar deste e em permitir que outra entidade, mais inteligente, capaz de gerar sabedoria de melhor qualidade, tome as rédeas do futuro? Mal por mal ... vale a pena arriscar.
Resumindo: a superação da inteligência humana por algo melhor pode ser uma ameaça, mas também uma oportunidade.
(*) Time magazine - 24 fevereiro de 2025
Transparência ou opacidade, eis a questão! - antónio mário santos
» 2025-12-05
Uma nova geração (parte de, sejamos exactos) a dirigir o município, conforme citou na última sessão extraordinária o actual presidente do executivo camarário, José Manuel Trincão Marques. |
Presidenciais, o grau de ressentimento - jorge carreira maia
» 2025-12-05
» Jorge Carreira Maia
As próximas eleições presidenciais vão medir o grau de ressentimento político dos portugueses. Em teoria, há quatro candidatos que podem aspirar a passar à segunda volta. Para usar uma classificação de um amigo, temos duas rainhas de Inglaterra (Marques Mendes e António José Seguro) e dois caudilhos (Gouveia e Melo e André Ventura). |
Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos
» 2025-11-22
» António Mário Santos
Ainda não assentou a poeira do espanto e da tristeza das eleições municipais e já a boataria fervilha nas redes sociais. Da reunião mal-esclarecida entre o recém presidente José Manuel Trincão Marques e o líder da oposição Tiago Ferreira, encontra-se uma descrição em O Mirante, que informa que este último quis fumar o cachimbo de paz com o presidente socialista, desde que este lhe cedesse três lugares a tempo inteiro na vereação, e a vice-presidência do executivo. |
Sal e azar - carlos paiva
» 2025-11-22
» Carlos Paiva
A geração de transição, a última a sacrificar a sua vida à ditadura, a que entregou a melhor fase da capacidade produtiva à guerra, à realidade do analfabetismo, iliteracia, mortalidade infantil ao nível do Terceiro Mundo (faziam-se dez filhos para sobreviverem dois), agricultura de subsistência, escravidão fabril, feudalismo empresarial e que concebeu os seus filhos pouco antes da queda do fascismo, está a desaparecer. |
Manuel Ribeiro (1878-1941) - jorge carreira maia
» 2025-11-22
» Jorge Carreira Maia
Como em todas as literaturas, também na portuguesa existe um cânone. No romance, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Agustina Bessa-Luís ou José Saramago pertencem, de forma permanente, ao cânone. Outras entrarão e sairão dele em conformidade com os humores do dia. |
É só fazer as contas - antónio gomes
» 2025-11-09
» António Gomes
Os resultados eleitorais são de todos conhecidos, assim como os vencedores e os vencidos. A democracia que dizem alguns, está doente e corre o risco de entrar em coma ditou para o concelho de Torres Novas o fim da maioria absoluta do PS, embora conservando a presidência da câmara por uma unha negra, tal como há 32 anos atrás, pouco mais de 80 votos. |
As esquerdas, as eleições municipais, o que se seguirá… -antónio mário santos
» 2025-11-09
» António Mário Santos
«o sectarismo, a característica mais tóxica da esquerda portuguesa, tem destas coisas. Leva quem não se olha ao espelho a ignorar o mundo ou, pior, a fingir que as dificuldades estão na casa do lado» - Francisco Louçã, Público, 3 de Novembro A esquerda portuguesa está em crise. |
Da evolução das espécies - carlos paiva
» 2025-11-09
» Carlos Paiva
No início dos anos noventa do século passado a Internet deu os primeiros passos em Portugal. Primeiro pela comunidade científica e académica, depois, muito rapidamente, expandiu-se às empresas e cidadãos comuns. |
Os três salazares - jorge carreira maia
» 2025-11-09
PRIMEIRO SALAZAR. Foi um ditador cinzento e manhoso. Tinha a virtude de odiar políticos histriónicos e espalhafatosos. Esse ódio virtuoso, porém, era acompanhado por outros ódios nada virtuosos. Odiava, antes de tudo, a liberdade. |
Se me for permitido - antónio mário santos
» 2025-10-18
» António Mário Santos
Em democracia, o voto do povo é soberano. Tanto os vencedores, como os vencidos, devem reflectir no resultado das opções populares, como na consequência para os projectos com que se apresentaram na campanha. Sou um dos perdedores. |
|
» 2025-11-09
Os três salazares - jorge carreira maia |
|
» 2025-11-09
» António Gomes
É só fazer as contas - antónio gomes |
|
» 2025-11-09
» Carlos Paiva
Da evolução das espécies - carlos paiva |
|
» 2025-11-09
» António Mário Santos
As esquerdas, as eleições municipais, o que se seguirá… -antónio mário santos |
|
» 2025-11-22
» António Mário Santos
Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos |