Os impostos por cá - antónio gomes
Opinião
» 2025-12-22
» António Gomes
Os órgãos autárquicos (Câmara e Assembleia) aprovaram os impostos municipais para o ano de 2026. Falamos do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), derrama (a aplicar às empresas) e a devolução ou não do IRS até 5%.
As decisões sobre os impostos devem partir de alguns pressupostos para que a decisão final seja o mais justa possível para os cidadãos e cidadãs e para o equilíbrio das contas camarárias, ou seja há investimentos a fazer e a isso também se chama redistribuição do valor cobrado através dos impostos.
Nos últimos anos tem-se verificado um aumento dos valores cobrados. A receita fiscal tem subido significativamente, vejamos: IUC (Imposto Único de Circulação) – subida de 12,5%, Derrama quase 17% no ano de 2024; IRS 9% em 2022 (último ano de contas finalizadas); IMI mesmo descendo a taxa aplicada para 0.36, nos últimos anos tem vindo a subir em termos absolutos é a principal fonte de receita fiscal municipal.
Mas o mais significativo e que importa aqui referenciar é a cobrança do IMT – Imposto Municipal sobre as Transações. O Município já arrecadou este ano, até Setembro, mais 2 milhões de euros do que o previsto e mais 1 milhão e 700 mil que em 2024, ou seja esta receita vai duplicar. É uma boa noticia para os cofres da autarquia.
Face a este quadro, havia todas as condições para atender aos munícipes e baixar de forma significativa o IMI. O PS não entendeu assim e, juntamente com o Chega, baixou a taxa de 0,36 para o valor de 0.34% do valor patrimonial do imóvel. Isto significa em termos absolutos que a previsão de receita arrecadada baixa cerca de 280 mil euros, muito aquém do que era possível e desejável para uma política de justiça fiscal.
Mas vamos ao IRS: é um imposto progressivo, ou seja, quem ganha mais paga mais e é cobrado na fonte pelo Estado central que entrega às autarquias 5% do valor total cobrado aos trabalhadores que vivem no concelho. No caso de Torres Novas, em 2022 (último ano de contas fechadas) relativamente a este imposto, o Município arrecadou 1 milhão 987 mil euros.
Ao contrário dos anos anteriores a Câmara e Assembleia decidiram este ano alterar o procedimento, ou seja: vai arrecadar 4% ao invés dos 5% habituais, em termos absolutos deixa de receber cerca de 400 mil euros, 20%.
Esta “devolução” para os trabalhadores significa o quê? Significa que um casal com um dependente e com rendimentos mensais de 2400 euros vai ser ressarcido em 23 euros no final do ano e um casal igualmente com um dependente, mas que aufira 6 000 mensais será ressarcido em 170 euros.
Esta medida introduz uma entorse à progressividade que é uma característica do IRS, que se pode considerar uma injustiça. A esmagadora maioria dos trabalhadores com salários baixos irão receber um valor ridículo no final do ano, os de maiores rendimentos receberão um valor com algum significado e a autarquia abdica de cerca de 400 mil euros que poderiam ser aplicados, por exemplo, na manutenção de algumas vias rodoviárias que tanto precisam.
Esta é a política fiscal à “moda do Iniciativa Liberal”. Se ainda juntarmos o facto de trabalhadores da mesma empresa e com os mesmos rendimentos, estes vão passar a pagar impostos diferenciados só porque habitam em concelhos diferentes, a injustiça ainda se agrava mais. Não havia necessidade, esteve bem o BE a defender a manutenção do imposto como nos anos anteriores.
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Os impostos por cá - antónio gomes
Opinião
» 2025-12-22
» António Gomes
Os órgãos autárquicos (Câmara e Assembleia) aprovaram os impostos municipais para o ano de 2026. Falamos do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis), derrama (a aplicar às empresas) e a devolução ou não do IRS até 5%.
As decisões sobre os impostos devem partir de alguns pressupostos para que a decisão final seja o mais justa possível para os cidadãos e cidadãs e para o equilíbrio das contas camarárias, ou seja há investimentos a fazer e a isso também se chama redistribuição do valor cobrado através dos impostos.
Nos últimos anos tem-se verificado um aumento dos valores cobrados. A receita fiscal tem subido significativamente, vejamos: IUC (Imposto Único de Circulação) – subida de 12,5%, Derrama quase 17% no ano de 2024; IRS 9% em 2022 (último ano de contas finalizadas); IMI mesmo descendo a taxa aplicada para 0.36, nos últimos anos tem vindo a subir em termos absolutos é a principal fonte de receita fiscal municipal.
Mas o mais significativo e que importa aqui referenciar é a cobrança do IMT – Imposto Municipal sobre as Transações. O Município já arrecadou este ano, até Setembro, mais 2 milhões de euros do que o previsto e mais 1 milhão e 700 mil que em 2024, ou seja esta receita vai duplicar. É uma boa noticia para os cofres da autarquia.
Face a este quadro, havia todas as condições para atender aos munícipes e baixar de forma significativa o IMI. O PS não entendeu assim e, juntamente com o Chega, baixou a taxa de 0,36 para o valor de 0.34% do valor patrimonial do imóvel. Isto significa em termos absolutos que a previsão de receita arrecadada baixa cerca de 280 mil euros, muito aquém do que era possível e desejável para uma política de justiça fiscal.
Mas vamos ao IRS: é um imposto progressivo, ou seja, quem ganha mais paga mais e é cobrado na fonte pelo Estado central que entrega às autarquias 5% do valor total cobrado aos trabalhadores que vivem no concelho. No caso de Torres Novas, em 2022 (último ano de contas fechadas) relativamente a este imposto, o Município arrecadou 1 milhão 987 mil euros.
Ao contrário dos anos anteriores a Câmara e Assembleia decidiram este ano alterar o procedimento, ou seja: vai arrecadar 4% ao invés dos 5% habituais, em termos absolutos deixa de receber cerca de 400 mil euros, 20%.
Esta “devolução” para os trabalhadores significa o quê? Significa que um casal com um dependente e com rendimentos mensais de 2400 euros vai ser ressarcido em 23 euros no final do ano e um casal igualmente com um dependente, mas que aufira 6 000 mensais será ressarcido em 170 euros.
Esta medida introduz uma entorse à progressividade que é uma característica do IRS, que se pode considerar uma injustiça. A esmagadora maioria dos trabalhadores com salários baixos irão receber um valor ridículo no final do ano, os de maiores rendimentos receberão um valor com algum significado e a autarquia abdica de cerca de 400 mil euros que poderiam ser aplicados, por exemplo, na manutenção de algumas vias rodoviárias que tanto precisam.
Esta é a política fiscal à “moda do Iniciativa Liberal”. Se ainda juntarmos o facto de trabalhadores da mesma empresa e com os mesmos rendimentos, estes vão passar a pagar impostos diferenciados só porque habitam em concelhos diferentes, a injustiça ainda se agrava mais. Não havia necessidade, esteve bem o BE a defender a manutenção do imposto como nos anos anteriores.
Os nossos sonhos - joão carlos lopes
» 2026-08-12
» João Carlos Lopes
1. Tomar e Santarém vão ver os seus politécnicos passar a escolas politécnicas universitárias. Independentemente da lógica da medida, que já se esperava para atender a interesses corporativos e políticos, esta cosmética vai suscitar naturalmente novas dinâmicas a essa duas cidades. |
A educação das massas
» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
A esquerda tem uma explicação para a viragem à direita que tem assolado a Europa (e não só): a culpa é da governação da direita moderada que leva as massas, frustradas nas suas expectativas, a aderir ao discurso populista da extrema-direita. |
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades?
» 2026-08-08
» António Gomes
As justificações que o presidente da Câmara de Torres Novas tem apresentado para as dificuldades da governação local prendem-se, sobretudo, com a herança que encontrou. “Estou a resolver casos com 20 anos e mais, se querem saber quais perguntem-me que eu digo. |
Caderneta completa
» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. |
Leituras de férias
» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. |
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» 2026-07-07
» António Mário Santos
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É só uma fase
» 2026-07-07
» Carlos Paiva
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
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» António Gomes
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