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Se me for permitido - antónio mário santos

Opinião  »  2025-10-18  »  António Mário Santos

Em democracia, o voto do povo é soberano. Tanto os vencedores, como os vencidos, devem reflectir no resultado das opções populares, como na consequência para os projectos com que se apresentaram na campanha. Sou um dos perdedores. Toda a vida assentei a minha luta política e o meu comportamento, pessoal e social, na defesa da liberdade, do progresso e justiça sociais, da melhoria das condições de vida do povo do meu concelho, no combate às desigualdades cada vez mais gritantes. Daí que assumir a derrota da força política de que aceitei ser mandatário e candidato em lugar não elegível à Câmara Municipal, é , para, mim, um acto de consciência ética e de respeito cívico.

Em primeiro lugar, quero saudar a Helena Pinto e todos os que, em nome do Bloco de Esquerda, independentes e militantes, assumiram, nesta fase difícil em que a extrema-direita ameaça nacional, europeia e internacionalmente, não apenas os valores da liberdade e da democracia constitucional, mas a própria sobrevivência da humanidade num planeta exaurido, sem água, suficiente, cada vez mais poluído, um combate que se sabia de antemão muito difícil, já que as tentativas procuradas duma união das esquerdas se tornara localmente impossível.

Em segundo lugar, felicitar o dr. José Manuel Trincão Marques, pela difícil vitória alcançada, num período em que o Partido Socialista se encontra numa fase de recuo na influência nacional, desejando-lhe as maiores felicidades na presidência do município.

Felicitar também o Tiago Ferreira, que recupera dois lugares na vereação, retirando a maioria absoluta ao partido socialista, alcança vitórias nas freguesias e na Assembleia Municipal, transformando a AD numa força de oposição concelhia que irá, decerto, tentar fazer passar a sua mensagem no poder municipal.

Das duas forças com raízes concelhias, também derrotadas, o PCP e a P`la Nossa Terra, nada a acrescentar. Cada uma tinha os seus objectivos definidos e as conclusões a tirarem dos resultados são obviamente suas.

Em relação ao Chega, a quem 2.466 (números conhecidos) votantes da população concelhia permitiram, sem programa, nem conhecimento dos concorrentes, eleger um vereador camarário, além de outros para a assembleia municipal e freguesias, transformando esse partido da extrema-direita no cavalo de Tróia do ataque ao poder municipal, capaz de tornar a acção camarária ingovernável, ficam desde já, pelo seu voto, responsáveis do que, para o futuro do município, sair da sua escolha.

Será previsível que os dois maiores partidos, para garantirem alguma estabilidade autárquica, se coliguem em programas essenciais para o concelho. De contrário, darão ao Chega a arma do bota-abaixo que Ventura usou no país, mas agora com muitos maus resultados nestas eleições, ganhando apenas três municípios dos publicitados trinta que estavam já no gargarejo televisivo.

Por último, no fecho definitivo duma vida de intensa participação política activa, um apelo aos jovens: sejam rebeldes e críticos. Cuidado com as redes sociais. Pensem com as vossas cabeças, Não se deixem transformar em servos digitalizados de minorias que vos querem usar para dominarem o planeta. Neste mundo cinzento e de sombras que vos coube para viver, procurem ser felizes. Sejam jovens.

 

 

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