A liberdade de informação e o poder político
Opinião
» 2026-09-19
» António Mário Santos
A leitura recente da página digital do Jornal Torrejano deixou-me preocupado. Ante a publicação duma notícia sobre um ajuste directo feito pelo presidente da Câmara, no valor de 10.500 euros, com o “Mirante”, para publicação de notícias sobre a actividade autárquica, extraída dum comunicado da concelhia do PSD, informando que os seus vereadores no executivo municipal iriam pedir informações mais detalhadas, já porque o quadro camarário já contempla para este efeito, 10 postos de trabalho, 8 ocupados, 2 cativos, surgiu um protesto dum dos proponentes da lista do actual presidente, considerando que o jornal se estava a transformar num órgão de oposição ao actual presidente socialista.
Preocupação acrescida, por conhecer (ou pensar que) a mentalidade ideológica do leitor crítico, como as dos respectivos apoiantes também da referida lista subscritora, com direito total à sua opinião e respectiva defesa dos seus princípios e dos seus objectivos, mas que ignoraram algo no seu protesto que lhes deveria ser essencial: a liberdade de informação num país democrático.
Quando se faz um contrato com determinado órgão de informação para nele surgir notícias do município que se governa, trata-se de um negócio, assente na venda e compra de uma mercadoria, e o que se entende por informação transformou-se, de forma camuflada, em propaganda publicitária. Não creio que os críticos do “Jornal Torrejano” o ignorem. São experientes políticos bastantes para saberem o que se passa a nível da informação portuguesa, sobretudo o que acontece diariamente nas redes sociais e na informação televisiva dos diversos canais nacionais.
Compreendo que a orientação política da actual presidência socialista se objective numa publicidade regional/nacional da sua acção, e um periódico tipo “Mirante”, distribuído gratuitamente, com o “Expresso”, lhe seja a oportunidade ideal. Mas não se confunda a nuvem por Juno, e não se ignore que a futura informação não passa de publicidade paga.
Quanto à imprensa concelhia, consoante a liberdade, a qualidade da sua imprensa.
Se na primeira república, Torres Novas, em períodos diversos, manteve vários órgãos de informação, e, após a breve ditadura de Sidónio Pais, apenas subsistiu “O Almonda”, este nas mãos da Igreja Católica, até ao século XXI. Mas, terminou, sem despedida, quando a sua hierarquia considerou que a sua finalidade já não satisfazia os seus objectivos. 52 anos depois de Abril, dois periódicos resistem, no concelho, e procuram, cada um a seu modo, ser vozes activas na sua informação: o “Jornal Torrejano” e o “Riachense”. Criados, na liberdade, defensores desse pluralismo, onde a opinião crítica, contraditória, nunca, que eu saiba, deixou de ser publicada.
Estou à vontade para manter este comentário, que nada tem com a direcção editorial do jornal em causa.
Sou um cidadão politizado, com um passado e um presente de esquerda interventiva, que rompeu, na década de oitenta do século passado, com qualquer tipo de filiação partidária, mais crente na mensagem dum Zeca Afonso e dum Zé Mário Branco, dum Fernando Assis Pacheco e dum Alexandre O´Neill, dum Eduardo Lourenço e dum Francisco Louçã, do que na doutrina partidária que, na sua rotina, se hierarquiza, funcionaliza e esquece as também diferenças entre o ser-se humilhado e o estar ao lado destes. Pela liberdade, no respeito pelo outro, pense o que pensar, desde que não afronte os princípios básicos dos direitos dos seres humanos: homens, mulheres, crianças, jovens, adultos velhos.
Quem já viveu um passado de intolerância e repressão, sabe quão frágil é o valor da liberdade, quão cedo se destrói o que duramente e com tanto sacrifício, mesmo de vidas humanas, se conquistou.
Não sou seguidor do partido do actual presidente da Câmara, mas dei-lhe, ao que disse vir fazer, desde o início, o benefício da dúvida. Sei que, em política, entre o que se diz que se quer fazer e o fazer, coloca-se uma ponte entre a realidade e a possibilidade. E a marca da personalidade quantas vezes ensombra a transparência da acção. Tenho seguido com atenção, e alguma preocupação, a sua trajectória autopublicitária na página oficial do município, mas aguardo que cumpra o que prometeu em campanha e no seu programa:: um mandato em que, em diálogo com as diversas estruturas sociais da sociedade, se resolvam os sérios problemas municipais, entre eles os referentes à saúde, à habitação, aos transportes, à educação, à cultura, ao custo de vida. No respeito democrático pela liberdade alheia, o direito à diferença, o respeito pelo opositor.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
A liberdade de informação e o poder político
Opinião
» 2026-09-19
» António Mário Santos
A leitura recente da página digital do Jornal Torrejano deixou-me preocupado. Ante a publicação duma notícia sobre um ajuste directo feito pelo presidente da Câmara, no valor de 10.500 euros, com o “Mirante”, para publicação de notícias sobre a actividade autárquica, extraída dum comunicado da concelhia do PSD, informando que os seus vereadores no executivo municipal iriam pedir informações mais detalhadas, já porque o quadro camarário já contempla para este efeito, 10 postos de trabalho, 8 ocupados, 2 cativos, surgiu um protesto dum dos proponentes da lista do actual presidente, considerando que o jornal se estava a transformar num órgão de oposição ao actual presidente socialista.
Preocupação acrescida, por conhecer (ou pensar que) a mentalidade ideológica do leitor crítico, como as dos respectivos apoiantes também da referida lista subscritora, com direito total à sua opinião e respectiva defesa dos seus princípios e dos seus objectivos, mas que ignoraram algo no seu protesto que lhes deveria ser essencial: a liberdade de informação num país democrático.
Quando se faz um contrato com determinado órgão de informação para nele surgir notícias do município que se governa, trata-se de um negócio, assente na venda e compra de uma mercadoria, e o que se entende por informação transformou-se, de forma camuflada, em propaganda publicitária. Não creio que os críticos do “Jornal Torrejano” o ignorem. São experientes políticos bastantes para saberem o que se passa a nível da informação portuguesa, sobretudo o que acontece diariamente nas redes sociais e na informação televisiva dos diversos canais nacionais.
Compreendo que a orientação política da actual presidência socialista se objective numa publicidade regional/nacional da sua acção, e um periódico tipo “Mirante”, distribuído gratuitamente, com o “Expresso”, lhe seja a oportunidade ideal. Mas não se confunda a nuvem por Juno, e não se ignore que a futura informação não passa de publicidade paga.
Quanto à imprensa concelhia, consoante a liberdade, a qualidade da sua imprensa.
Se na primeira república, Torres Novas, em períodos diversos, manteve vários órgãos de informação, e, após a breve ditadura de Sidónio Pais, apenas subsistiu “O Almonda”, este nas mãos da Igreja Católica, até ao século XXI. Mas, terminou, sem despedida, quando a sua hierarquia considerou que a sua finalidade já não satisfazia os seus objectivos. 52 anos depois de Abril, dois periódicos resistem, no concelho, e procuram, cada um a seu modo, ser vozes activas na sua informação: o “Jornal Torrejano” e o “Riachense”. Criados, na liberdade, defensores desse pluralismo, onde a opinião crítica, contraditória, nunca, que eu saiba, deixou de ser publicada.
Estou à vontade para manter este comentário, que nada tem com a direcção editorial do jornal em causa.
Sou um cidadão politizado, com um passado e um presente de esquerda interventiva, que rompeu, na década de oitenta do século passado, com qualquer tipo de filiação partidária, mais crente na mensagem dum Zeca Afonso e dum Zé Mário Branco, dum Fernando Assis Pacheco e dum Alexandre O´Neill, dum Eduardo Lourenço e dum Francisco Louçã, do que na doutrina partidária que, na sua rotina, se hierarquiza, funcionaliza e esquece as também diferenças entre o ser-se humilhado e o estar ao lado destes. Pela liberdade, no respeito pelo outro, pense o que pensar, desde que não afronte os princípios básicos dos direitos dos seres humanos: homens, mulheres, crianças, jovens, adultos velhos.
Quem já viveu um passado de intolerância e repressão, sabe quão frágil é o valor da liberdade, quão cedo se destrói o que duramente e com tanto sacrifício, mesmo de vidas humanas, se conquistou.
Não sou seguidor do partido do actual presidente da Câmara, mas dei-lhe, ao que disse vir fazer, desde o início, o benefício da dúvida. Sei que, em política, entre o que se diz que se quer fazer e o fazer, coloca-se uma ponte entre a realidade e a possibilidade. E a marca da personalidade quantas vezes ensombra a transparência da acção. Tenho seguido com atenção, e alguma preocupação, a sua trajectória autopublicitária na página oficial do município, mas aguardo que cumpra o que prometeu em campanha e no seu programa:: um mandato em que, em diálogo com as diversas estruturas sociais da sociedade, se resolvam os sérios problemas municipais, entre eles os referentes à saúde, à habitação, aos transportes, à educação, à cultura, ao custo de vida. No respeito democrático pela liberdade alheia, o direito à diferença, o respeito pelo opositor.
ISTO É O RIO ALMONDA - vamos ver quem é que é homem!
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Da ponte do Moinho da Fonte, com a fábrica velha da Renova nas costas, é esta a visão do rio Almonda: um regato com um palmo de água e o leito invadido por canaviais de um lado, arbustos do outro. Daqui para a frente, na Azenha, no Casal da Pinheira, no Choupal, na Ribeira antes da ponte, os cenários são de horror. |
A Fraude - I
» 2026-10-05
» Acácio Gouveia
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Do diáfano do imaginário à aridez da realidade
» 2026-10-05
» António Mário Santos
Numa conversa recente, motivada pelos exames e o futuro da educação concelhia, veio ao de cima o actual desencanto da juventude, que, após o fim do secundário, ou entra numa universidade, ou sem posses para as mesmas, sedeadas nas principais cidades do país, opta pelo ensino superior tecnológico, diversificado no Médio Tejo, em Abrantes, Tomar ou Santarém. |
Esposas, mães, filhas, irmãs, mulheres
» 2026-10-05
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Cinismo e humilhação - jorge carreira maia
» 2026-10-05
» Jorge Carreira Maia
A recente visita do Presidente da China, Xi Jinping, aos Estados Unidos, é, por parte do presidente chinês, um exercício de cinismo e de humilhação do país anfitrião. Não fora Donald Trump o presidente em exercício, e seria duvidoso que a atitude de Jinping fosse a mesma. |
Biometano versus solar e eólico
» 2026-09-19
» António Gomes
O Governo aprovou recentemente o “Mapa Verde” para as energias renováveis, ou seja, criou as chamadas Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER), uma espécie de autoestrada para os projectos de energia com origem no solar e no eólico. |
Salve-se quem puder
» 2026-09-19
» Carlos Paiva
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O Princípio da Realidade
» 2026-09-19
» José Ricardo Costa
Na anterior edição do JT, não pude deixar de notar com júbilo a notícia sobre a formação de um núcleo intermunicipal Entroncamento-Torres Novas, do partido Livre. Declaração de desinteresse: não tenho partido e, para o caso, é irrelevante o partido em questão. |
Educação, PISA e cultura escolar
» 2026-09-19
» Jorge Carreira Maia
O alarido com os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment) trouxe-me de novo à Educação. A queda dos resultados de Portugal foi substancial, embora muitos países ocidentais também tivessem maus resultados, o que gerou uma grande debate político sobre as causas e os culpados desta queda dos estudantes portugueses. |
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» 2026-09-19
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» António Gomes
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» 2026-10-05
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