Esquerda, uma crise estrutural - jorge carreira maia
Opinião
» 2025-09-06
» Jorge Carreira Maia
A crise que atinge, neste momento, a esquerda na sua globalidade, e que se manifesta, no caso português, em ter deixado de contar para qualquer revisão constitucional, não é um problema conjuntural, mas tem todas as características de ser uma doença estrutural. Não se trata de uma fatia de eleitores, não particularmente numerosa, que oscila entre o centro-direita e o centro-esquerda e que, nas últimas eleições, se inclinou um pouco para a direita. Trata-se de uma grande debandada, tendo os partidos de esquerda, entre 2015 e 2025, perdido quase 40% do seu eleitorado, o equivalente a 20% do eleitorado global. Estes números indiciam que a visão da esquerda para a sociedade – ainda que multifacetada – deixou de atrair os eleitores. A crise é estrutural porque as concepções ideológicas e políticas da esquerda perderam ancoragem em parte substancial do eleitorado.
Há dois traços ideológicos que são fundamentais para compreender o que se passa. Em primeiro lugar, a emergência do que se pode chamar de identitarismo: a preocupação de afirmação de uma identidade nacional. Em segundo lugar, a descrença nos mecanismos colectivos para resolução de problemas dos indivíduos. Em 2015, o Chega não existia e, em 2019, valia 1,3%. A esquerda não percebeu o que se estava a aproximar, apesar dos múltiplos exemplos vindos de fora. Presa ao cosmopolitismo dos socialistas e ao internacionalismo de bloquistas e comunistas, ficou cega para um problema que nem pensava que existisse. Pior: não se vislumbra como poderá encontrar um caminho para lidar com a atracção dos eleitores pelo soberanismo identitário, que é, agora, bandeira tanto do Chega como do PSD e do CDS.
Se o identitarismo é problemático para a esquerda, o cepticismo perante os mecanismos colectivos para resolução de problemas é devastador. Aquilo a que se chama, comummente, esquerda nasceu e cresceu fundado na crença de que as soluções colectivas – revolucionárias ou reformistas – seriam o modo mais razoável para as pessoas melhorarem as suas vidas. Essa crença foi abandonada pelos eleitores, até por muitos, se não a maioria, dos que votam à esquerda. Os eleitores, ao abandonar a esquerda, escolheram dois caminhos: uma minoria converteu-se ao individualismo; a maioria, porém, procurou e procura um salvador, alguém que lhe resolva os problemas que nem o Estado, nem as lutas colectivas, nem a própria pessoa consegue resolver. A crise da esquerda é estrutural porque a esfera ideológica em que o eleitorado se passou a mover é completamente adversa aos valores e à tradição dessa esquerda.
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Esquerda, uma crise estrutural - jorge carreira maia
Opinião
» 2025-09-06
» Jorge Carreira Maia
A crise que atinge, neste momento, a esquerda na sua globalidade, e que se manifesta, no caso português, em ter deixado de contar para qualquer revisão constitucional, não é um problema conjuntural, mas tem todas as características de ser uma doença estrutural. Não se trata de uma fatia de eleitores, não particularmente numerosa, que oscila entre o centro-direita e o centro-esquerda e que, nas últimas eleições, se inclinou um pouco para a direita. Trata-se de uma grande debandada, tendo os partidos de esquerda, entre 2015 e 2025, perdido quase 40% do seu eleitorado, o equivalente a 20% do eleitorado global. Estes números indiciam que a visão da esquerda para a sociedade – ainda que multifacetada – deixou de atrair os eleitores. A crise é estrutural porque as concepções ideológicas e políticas da esquerda perderam ancoragem em parte substancial do eleitorado.
Há dois traços ideológicos que são fundamentais para compreender o que se passa. Em primeiro lugar, a emergência do que se pode chamar de identitarismo: a preocupação de afirmação de uma identidade nacional. Em segundo lugar, a descrença nos mecanismos colectivos para resolução de problemas dos indivíduos. Em 2015, o Chega não existia e, em 2019, valia 1,3%. A esquerda não percebeu o que se estava a aproximar, apesar dos múltiplos exemplos vindos de fora. Presa ao cosmopolitismo dos socialistas e ao internacionalismo de bloquistas e comunistas, ficou cega para um problema que nem pensava que existisse. Pior: não se vislumbra como poderá encontrar um caminho para lidar com a atracção dos eleitores pelo soberanismo identitário, que é, agora, bandeira tanto do Chega como do PSD e do CDS.
Se o identitarismo é problemático para a esquerda, o cepticismo perante os mecanismos colectivos para resolução de problemas é devastador. Aquilo a que se chama, comummente, esquerda nasceu e cresceu fundado na crença de que as soluções colectivas – revolucionárias ou reformistas – seriam o modo mais razoável para as pessoas melhorarem as suas vidas. Essa crença foi abandonada pelos eleitores, até por muitos, se não a maioria, dos que votam à esquerda. Os eleitores, ao abandonar a esquerda, escolheram dois caminhos: uma minoria converteu-se ao individualismo; a maioria, porém, procurou e procura um salvador, alguém que lhe resolva os problemas que nem o Estado, nem as lutas colectivas, nem a própria pessoa consegue resolver. A crise da esquerda é estrutural porque a esfera ideológica em que o eleitorado se passou a mover é completamente adversa aos valores e à tradição dessa esquerda.
A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia
» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
A primeira encíclica do Papa Leão XIV – Magnifica Humanitas – toca em duas áreas fulcrais para a humanidade. A área da tecnologia e a área política. A Inteligência Artificial (IA) não é rejeitada pelo Vaticano. |
Minudências que consomem - carlos paiva
» 2026-06-07
» Carlos Paiva
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O precipício ao virar da esquina - antónio mário
» 2026-06-07
» António Mário Santos
Algo vem ganhando força e expressão, nos últimos tempos, a nível nacional: a consciência da ingovernabilidade do sistema político. O aumento do descontentamento popular, ante a realidade sociopolítica da degradação da qualidade de vida no mundo do capitalismo neoliberal, alimentou o crescimento da extrema-direita. |
A verdade dos números - antónio gomes
» 2026-06-07
» António Gomes
Realizou-se recentemente um debate sobre segurança e criminalidade em Torres Novas, promovido pela respectiva Assembleia Municipal e que contou com um conjunto de entidades oficiais – Secretária Geral do Sistema de Segurança Interna, comandante do Destacamento territorial da GNR, subcomissário da esquadra da PSP de Torres Novas, do coordenador da protecção Civil concelhia e ainda da procuradora da República e coordenadora da Comarca de Santarém. |
Labregos & rufiões - acácio gouveia
» 2026-06-07
» Acácio Gouveia
(...) e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os chifres dez diademas, e sobre as cabeças um nome de blasfémia” - Apocalipse S. João 13.1 Parece mesmo um argumento de filme apocalíptico, saído dos estúdios de Holywood, candidato a um sucesso de bilheteira. |
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
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» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Da importância da redenção |
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» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Todo bem vestido e sem sítio para ir |
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» 2026-05-18
» António Gomes
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» 2026-05-18
» António Mário Santos
O rio que maltratamos mata-nos a sede |
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» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia |