• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Terça, 21 de Novembro de 2017
Pesquisar...
Sex.
 21° / 13°
Céu nublado com chuva fraca
Qui.
 23° / 11°
Céu nublado
Qua.
 21° / 7°
Céu nublado
Torres Novas
Hoje  22° / 6°
Claro
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

Inspiring future

Opinião  »  2017-03-23  »  Jorge Carreira Maia

"Depois de morta a figura do professor às mãos dos gestores de aprendizagens, são estes que terão de ceder o seu lugar ao animador-comediante, que não prepara aulas mas espectáculos."

Assisti há dias, na escola onde lecciono, a uma intervenção da Yorn Inspiring Future que, para além de trazer consigo um conjunto de sessões e workshops, onde 37 universidades e politécnicos tentaram cativar os alunos do 12º ano, explicou, numa sessão de pouco mais de uma hora, o processo de candidatura. Foi a esta sessão que assisti e foi, para mim, verdadeiramente inspiradora. A candidatura ao ensino superior é um processo burocrático e completamente desinteressante. O animador da sessão, porém, transformou aquilo num espectáculo, que, devido aos seus dotes de entertainer e de comediante, prendeu os alunos do princípio até ao fim. Quem organiza estas coisas está bem preparado, conhece os auditórios. Sabe adulá-los.

Conforme me comprazia e espantava com a capacidade comunicacional ali exibida, uma preocupação nascia dentro de mim. Não se tratava sequer de estabelecer conexão entre o que estava a ver e o célebre livrinho de Guy Debord, A Sociedade do Espectáculo. A coisa era mais prosaica. Ao olhar os alunos na sessão ia-se tornando claro o ideal de professor que, sem ninguém ter consciência disso, se manifestava. Não é o saber, o rigor científico ou sequer a clareza na comunicação que são fundamentais. O essencial é que o professor seja um misto de animador de plateias e comediante. Que saiba transformar os conteúdos lectivos num espectáculo leve, onde a comédia desempenha um papel central. A degradação da profissão de professor teve um ponto alto quando se começou a dizer que os alunos não eram estudantes mas clientes e os professores não passavam de gestores de aprendizagens. Esta tontice, porém, está ultrapassada.

Os alunos continuam a não ser estudantes. Talvez sejam clientes, não de aulas mas de espectáculos. O ideal que deverá agora guiar o professor não é o da ciência e do saber – não são inconvenientes, mas não são o essencial – mas o da capacidade de animar os alunos, de os entreter, de os fazer rir. Depois de morta a figura do professor às mãos dos gestores de aprendizagens, são estes que terão de ceder o seu lugar ao animador-comediante, que não prepara aulas mas espectáculos. Em tudo isto, há apenas dois problemas. Olhando para o corpo docente que existe país fora não estou a ver como é que toda essa gente com idade provecta vai conseguir fazer rir quem quer que seja. Em segundo lugar, a formação de professores está completamente deslocada. Técnicas de animação, preparação de comediantes, colecção de anedotas para teenagers continuam a não fazer parte dessa formação. O que é lamentável, pois falhar-se-á o inspiring future que nos aguarda.

http://kyrieeleison-jcm.blogspot.pt/

 

 

 Outras notícias - Opinião


Escola, religião e cidadania »  2017-11-17  »  Jorge Carreira Maia

Por motivos profissionais estou a fazer formação na área da Filosofia da Religião. As reorientações que o programa de Filosofia do ensino secundário está a sofrer implicam, entre outras coisas, que a área dos valores religiosos se torne obrigatória e não seja, como até aqui, uma opção, a qual, por norma, é preterida pela dos valores estéticos.
(ler mais...)


Odores a granel: marketing olfativo ou cascomia? »  2017-11-15  »  Maria Augusta Torcato

Afinal, tenho uma boa justificação, científica até,  para a constância desta minha zanga e para este estado de cansaço e ausência de vontade que teimam em desaparecer e me têm feito a vida negra, nestes últimos tempos, além de muito mal cheirosa.
(ler mais...)


Os anos de seca vieram para ficar. »  2017-11-15  »  Nuno Curado

8 de Novembro de 2017: “Poderá não haver colheita de arroz no Vale do Sado [em 2018]”. Esta região é a maior produtora de arroz em Portugal. 06/11/2017: “A nascente do Rio Douro está seca”.
(ler mais...)


QUE FUTURO PARA TORRES NOVAS? »  2017-11-15  »  Denis Hickel

Há poucos anos atrás facilitei diversas oficinas junto à comunidade escolar do concelho e que trazia o questionamento de como seria a escola diante de todos os problemas globais que enfrentamos. A gravidade destes temas são difíceis de abordar em toda a sua amplitude por trazerem uma complexidade e uma interdependência difíceis para nossa forma linear de pensamento; o que invariavelmente leva os interlocutores à visões muito negativas sobre o futuro.
(ler mais...)


Solidariedade »  2017-11-14  »  Inês Vidal

Vivemos uma época em que somos todos um bocadinho, e cada vez mais, individualistas. Pensamos em nós e nos nossos, no que temos ou vamos precisar e alargamos a esfera da preocupação a quem nos pode ajudar a isso. Regra geral, somos assim.
(ler mais...)


A melhor opinião »  2017-11-14  »  Carlos Tomé

Olha lá, não estou nada de acordo quando eles dizem que têm a melhor opinião. Melhor opinião em quê? Há melhores e piores opiniões? Ou há só opiniões? Para além de estarem a puxar lustro aos galões, toda a gente sabe que a melhor opinião é a do Marques Mendes, o grilo falante, o tipo sabe as calhandrices todas do PSD e casca na geringonça à má-fila que até dá gosto.
(ler mais...)


Ir à Praça »  2017-11-14  »  José Ricardo Costa

Qualquer jovem de Lisboa sabe que ir “ao bairro” é Bairro Alto. No Porto, ir “ao palácio” é Palácio de Cristal. Em Torres Novas “ir à praça” é Praça 5 de Outubro.
(ler mais...)


Diabetes uma doença em plena expansão - II »  2017-11-14  »  Juvenal Silva

Os efeitos adversos da diabetes aumentam 20 vezes mais os riscos de problemas cardíacos e são responsáveis por 25% das operações cardíacas, 40% dos casos de insuficiência renal, 50% das amputações não traumáticas, ou seja, as que não resultam de acidente e 75% de mortes por doenças cardiovasculares.
(ler mais...)


Centralistas »  2017-11-07  »  Jorge Salgado Simões

Quando muitos pensavam que a única coisa positiva da recente tragédia dos incêndios era que finalmente o país ia olhar de outra forma para a interior, para o espaço rural e para fora das grandes áreas metropolitanas, as notícias que vão sendo conhecidas sobre a reprogramação dos fundos comunitários desfazem qualquer réstia de dúvidas.
(ler mais...)


O velho PS »  2017-11-02  »  Jorge Carreira Maia

Aquando da formação do actual governo, não faltaram maus agoiros sobre o descalabro da economia, o descontrolo do défice e a desmedida loucura da extrema-esquerda, isto é, do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2017-11-15  »  Denis Hickel QUE FUTURO PARA TORRES NOVAS?
»  2017-11-15  »  Maria Augusta Torcato Odores a granel: marketing olfativo ou cascomia?
»  2017-11-14  »  José Ricardo Costa Ir à Praça