• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Quarta, 27 Outubro 2021    |      Directora: Inês Vidal    |      Estatuto Editorial    |      História do JT
   Pesquisar...
Sáb.
 22° / 17°
Céu muito nublado com chuva moderada
Sex.
 19° / 16°
Céu muito nublado com chuva moderada
Qui.
 24° / 10°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  26° / 12°
Céu limpo
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

O vinho de Almeirim e os “políticos de Lisboa” - joão carlos lopes

Opinião  »  2021-09-20  »  João Carlos Lopes

"O que mais custa é ver o Partido Socialista reduzido a esta cultura política"

Arreliado com a legislação que exige alguma contenção aos autarcas em funções, no que diz respeito à difusão de informação relacionada com obras, inaugurações e outras iniciativas durante o período eleitoral, o presidente da Câmara de Almeirim disse que a culpa é dos “políticos de Lisboa”, que fazem leis que só lançam confusão.

Vejamos o que quererá dizer o autarca com “políticos de Lisboa”. Suponhamos que se refere aos deputados de Lisboa, seja isso o que for, porque são os deputados que aprovam as leis. Os deputados são eleitos por distritos. O distrito de Lisboa, obedecendo à proporção dos eleitores do país, elege 47 deputados, 20% dos deputados do parlamento. Mas esses deputados, obedecendo também a uma lógica de distribuição geográfica da população, são oriundos de vários concelhos do distrito de Lisboa, de Vila Franca a Torres Vedras, de Alenquer à Amadora, gente com tanta legitimidade para “ter” deputados das suas terras, já agora, como Alpiarça ou Tomar, Barquinha ou Ourém. De Lisboa, deputados de Lisboa, portanto “políticos de Lisboa”, se for isto que ele quer dizer, serão quantos? Vinte, quinze? Dez por cento dos deputados, quinze por cento dos deputados eleitos no parlamento? E essa minoria de deputados, uma vintena, consegue fazer valer a sua vontade sobre 200 ou 210? Esses mais de 200 deputados são todos estúpidos, néscios e atrasados, aprovando contra a sua vontade leis que só lançam confusão?

Imaginemos que, não estando a falar dos deputados quando fala dos “políticos de Lisboa”, fala afinal do governo, que também aprova decretos-lei e outros normativos. O governo, acha Pedro Ribeiro, são os “políticos de Lisboa”? Não pode estar a referir-se a isso, certamente. O governo saiu de um parlamento decorrente de umas eleições nacionais em que o partido de Pedro Ribeiro foi o mais votado e por isso formou governo. Os governantes, na sua maioria, de ministros a secretários de estado, são maioritariamente do concelho de Lisboa, portanto “políticos de Lisboa”? Não são, obviamente, nunca o foram, nem sequer os primeiros-ministros do país, de Cavaco a Sócrates, de Passos Coelho a Sá Carneiro, de Pintasilgo a Mota Pinto…

Pedro Ribeiro refere-se a quê, afinal, quando culpa os “políticos de Lisboa”? A nada. Está simplesmente a sacudir a água do capote. Mas podia fazê-lo de modo decente? Podia, mas não o faz. Em vez disso, chama-nos estúpidos e faz uso do populismo rasca anti-Lisboa inaugurado pelo saudoso Jardim e secundado por Ventura e por todos os autarcas demagogos que alimentam este mito chamado “Lisboa”, “Terreiro do Paço” e agora “políticos de Lisboa” para desviar conversas e atirar areia para os olhos dos parvos, que somos todos nós, acham eles.

O que mais custa é ver o Partido Socialista reduzido a esta cultura política, que faz escola entre “militantes regionalistas”, autarcas à procura de tacho, dinheiro ou protagonismo, servindo-se de “Lisboa” para alimentar os seus devaneios e as suas alucinações.

Perante isto, só falta agora o presidente da Câmara de Almeirim vir dizer que não disse nada disto, nunca na vida falou nos “políticos de Lisboa” e que tudo não passou de manipulação das suas palavras por parte dos jornais.

À nossa saúde, bebamos um copo de vinho de Almeirim, que sempre é uma coisa que dá bom nome à terra.

 

 

 Outras notícias - Opinião


Fundamentalismo eleitoral (III) - pedro ferreira »  2021-10-21  »  Pedro Ferreira

 Nesta terceira e última parte, vou falar sobre assembleias de cidadãos no contexto do nosso concelho. Há que notar que estas não devem nunca ser vistas como um fim em si mesmas, mas antes como uma ferramenta que pode ajudar todo o tipo de colectivos a tomar decisões que através de outras estruturas não seriam tomadas.
(ler mais...)


Um olhar sobre as eleições concelhias - jorge carreira maia »  2021-10-17  »  Jorge Carreira Maia

Há dias, um médico prescreveu-me um conjunto de exames e, como se pretendesse explicar-me a razão, disse que não praticava uma medicina intuitiva (a que é feita de diagnósticos baseados nas aparências sintomáticas), mas que lidava com resultados empíricos, uma medicina científica.
(ler mais...)


Não adianta lamentarem-se - antónio gomes »  2021-10-17  »  António Gomes

O PS continua com maioria absoluta, contrariando todos os prognósticos, até os dos próprios. O BE sofre uma derrota, contrariando todos os prognósticos, até os dos adversários. Este é o resultado das recentes eleições autárquicas no concelho de Torres Novas: menos democracia, menos escrutínio, menos alternativa política.
(ler mais...)


Ressaca - carlos paiva »  2021-10-17 

Após as eleições autárquicas e conhecidos os seus resultados, li on-line algumas tentativas de pseudojornalismo, outras tantas opiniões de pretensos analistas políticos e, também, algumas declarações de vencedores e vencidos.
(ler mais...)


A Faixa - josé ricardo costa »  2021-10-17  »  José Ricardo Costa

A percepção visual tem as suas leis, que interferem, sem darmos conta, no modo como diante de uma imagem, separamos a figura e o fundo, a visão central e a periférica, o seu motivo e o contexto. E muito antes da ciência estudar essas leis já os artistas do Renascimento as exploravam para criar os efeitos visuais desejados.
(ler mais...)


Juventude centriste… »  2021-10-15  »  Hélder Dias

Um olhar sobre as eleições concelhias - jorge carreira maia »  2021-10-13  »  Jorge Carreira Maia

Há dias, um médico prescreveu-me um conjunto de exames e, como se pretendesse explicar-me a razão, disse que não praticava uma medicina intuitiva (a que é feita de diagnósticos baseados nas aparências sintomáticas), mas que lidava com resultados empíricos, uma medicina científica.
(ler mais...)


Apedeuta, insipiente, mentecapto, néscio - carlos paiva »  2021-09-16  »  Carlos Paiva

Por altura do lançamento do programa “Novas Oportunidades” (em 2007), recordo-me de ver uma entrevista na televisão em que a jornalista na rua perguntava a um cidadão jovem se ele achava importante estudar. Respondeu qualquer coisa como: “Sim, é bastante importante.
(ler mais...)


O fundamentalismo eleitoral (II) - pedro ferreira »  2021-09-16  »  Pedro Ferreira

 

Na primeira parte desta crónica, tentei criar no leitor uma postura crítica sobre aquele que acho ser o maior dogma da nossa sociedade, de forma a ficar mais receptivo a alternativas. Se no fim de a leres não ganhaste uma aversão ao uso de eleições para atribuir cargos públicos e nem te questionaste sobre alternativas a este método, ficaste pelo menos a saber qual era a minha intenção.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2021-10-21  »  Pedro Ferreira Fundamentalismo eleitoral (III) - pedro ferreira
»  2021-10-17  »  José Ricardo Costa A Faixa - josé ricardo costa
»  2021-10-15  »  Hélder Dias Juventude centriste…
»  2021-10-13  »  Jorge Carreira Maia Um olhar sobre as eleições concelhias - jorge carreira maia
»  2021-10-17  Ressaca - carlos paiva