Um homem, um amigo
Opinião
» 2015-04-24
» João Carlos Lopes
Nasceu pobre porque quase todo era pobre o mundo que o viu nascer, mas desde cedo se revelou nele uma certa predestinação para uma vida larga de propósitos e de missões, e disso foram testemunhas todos os amigos de infância de quem ainda pudemos receber ecos desses tempos em que o mundo se dilacerava, ainda mal refeito da primeira catástrofe do século, e Portugal se encolhia na pobreza e na miséria do salazarismo. E foram esses dias de provação que moldaram Joaquim Rodrigues Bicho no início da sua vida adulta e lhe estruturaram esse semblante contido e algo reservado que era um pouco a sua imagem.
Acontece que, para quem o conhecia mais de perto e com ele pôde conviver e viver muitas situações durante cerca de trinta anos, Joaquim Rodrigues Bicho não escondia outra faceta de que se soltava uma certa alegria, um inesperado sentido de humor e uma visão da vida como algo gratificante e não necessariamente desesperante, apesar da sua perspectiva desapaixonada sobre o destino dos homens e das sociedades: a sua longa vida e a sua sabedoria permitiam-lhe relativizar os fracassos e as fragilidades dos dias e, ao mesmo tempo, valorizar o que de bom e belo podia atravessar cada época, cada vida, cada instante deste mundo vertiginoso e permanecer como sinal duradouro do exemplo que faz a diferença.
Foi este o seu lema: acrescentar. Do rigor e da capacidade organizativa fez a sua força. Pilares de vida foram cinco, tantos quanto os dedos da mã o profissional, como director e administrador da Companhia; o de militante católico, faceta que se desdobrou na obra que deixou na Misericórdia; a figura de relevo de ”O Almonda”; o autor de obras de divulgação da história de Torres Novas e de investigação de temas da etnografia e dos costumes torrejanos. Finalmente, foi um homem devotado à família, matéria que é do reduto próprio dos seus.
Aqui, no espaço público onde os homens são vistos nas suas fragilidades e nas suas grandezas, onde são elevados ou cruelmente minimizados, cabe o testemunho pessoal, atendendo às circunstâncias: Joaquim Rodrigues Bicho foi um grande amigo, um amigo de sempre porque foi longo o tempo dessa amizade, e a nossa terra, perdendo agora um homem grande, ficou muito mais rica com a sua passagem pelos dias que foram comuns a tantos de nós e pelos outros que os antecederam.
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Um homem, um amigo
Opinião
» 2015-04-24
» João Carlos Lopes
Nasceu pobre porque quase todo era pobre o mundo que o viu nascer, mas desde cedo se revelou nele uma certa predestinação para uma vida larga de propósitos e de missões, e disso foram testemunhas todos os amigos de infância de quem ainda pudemos receber ecos desses tempos em que o mundo se dilacerava, ainda mal refeito da primeira catástrofe do século, e Portugal se encolhia na pobreza e na miséria do salazarismo. E foram esses dias de provação que moldaram Joaquim Rodrigues Bicho no início da sua vida adulta e lhe estruturaram esse semblante contido e algo reservado que era um pouco a sua imagem.
Acontece que, para quem o conhecia mais de perto e com ele pôde conviver e viver muitas situações durante cerca de trinta anos, Joaquim Rodrigues Bicho não escondia outra faceta de que se soltava uma certa alegria, um inesperado sentido de humor e uma visão da vida como algo gratificante e não necessariamente desesperante, apesar da sua perspectiva desapaixonada sobre o destino dos homens e das sociedades: a sua longa vida e a sua sabedoria permitiam-lhe relativizar os fracassos e as fragilidades dos dias e, ao mesmo tempo, valorizar o que de bom e belo podia atravessar cada época, cada vida, cada instante deste mundo vertiginoso e permanecer como sinal duradouro do exemplo que faz a diferença.
Foi este o seu lema: acrescentar. Do rigor e da capacidade organizativa fez a sua força. Pilares de vida foram cinco, tantos quanto os dedos da mã o profissional, como director e administrador da Companhia; o de militante católico, faceta que se desdobrou na obra que deixou na Misericórdia; a figura de relevo de ”O Almonda”; o autor de obras de divulgação da história de Torres Novas e de investigação de temas da etnografia e dos costumes torrejanos. Finalmente, foi um homem devotado à família, matéria que é do reduto próprio dos seus.
Aqui, no espaço público onde os homens são vistos nas suas fragilidades e nas suas grandezas, onde são elevados ou cruelmente minimizados, cabe o testemunho pessoal, atendendo às circunstâncias: Joaquim Rodrigues Bicho foi um grande amigo, um amigo de sempre porque foi longo o tempo dessa amizade, e a nossa terra, perdendo agora um homem grande, ficou muito mais rica com a sua passagem pelos dias que foram comuns a tantos de nós e pelos outros que os antecederam.
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |
Seis meses já dão para refletir se há ou não mudança?
» 2026-06-20
» António Mário Santos
Tenho, no ano que corre, seguido com a maior atenção as sessões públicas, quer do executivo camarário, quer da Assembleia Municipal, algo que nunca fiz nas duas últimas décadas. A maioria absoluta do Partido Socialista, no município, criara uma mentalidade de arrogância autoritária, geradora, por um lado, dum distanciamento entre governantes e governados, e, por outro, na formação duma coorte de lambebotismo acéfalo, cujos interesses próprios ou familiares assentavam na oportunidade de emprego nos quadros do pessoal municipal, nas bem aventuranças de subsídios, na aprovação de projectos de obras nunca bem clarificados, em festas e publicidade a esmo, num despesismo rotineiro não fiscalizado, que deixava um rasto de dúvidas sobre a legalidade de muitos actos de gestão. |
CH4
» 2026-06-20
» Carlos Paiva
Podemos enumerar os argumentos que habitualmente nos escudam de uma análise crítica, como se a escala económica, dimensão de mercado, localização geográfica, justificassem decisões péssimas, essencialmente motivadas por falta de verticalidade. |
Marxismo cultural, uma fantasia - jorge carreira maia
» 2026-06-20
» Jorge Carreira Maia
Há dias, deparei-me com um vídeo em espanhol sobre uma mudança irrevogável do Ocidente gerada por seis homens. O vídeo faz parte do conflito ideológico com o marxismo cultural. É um exemplo da linguagem que parte da direita e a extrema-direita usa na guerra cultural que desencadeou há anos. |
A encíclica de Leão XIV - jorge carreira maia
» 2026-06-07
» Jorge Carreira Maia
A primeira encíclica do Papa Leão XIV – Magnifica Humanitas – toca em duas áreas fulcrais para a humanidade. A área da tecnologia e a área política. A Inteligência Artificial (IA) não é rejeitada pelo Vaticano. |
Minudências que consomem - carlos paiva
» 2026-06-07
» Carlos Paiva
A micro gestão, em inglês micromanagement, é um dos erros de gestão mais combatido nas estruturas empresariais. Caracterizada pela centralização de decisões, ausência de delegação de tarefas e responsabilidades, obsessão com detalhes e comunicação unilateral entre camadas hierárquicas. |
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» 2026-06-23
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes |
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» 2026-06-20
» Jorge Carreira Maia
Marxismo cultural, uma fantasia - jorge carreira maia |
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» 2026-06-20
» Carlos Paiva
CH4 |
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» 2026-06-20
» António Mário Santos
Seis meses já dão para refletir se há ou não mudança? |
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» 2026-06-20
» António Gomes
Julgam-se donos disto tudo |