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Como a dor desfolha o peito

Opinião  »  2019-01-11  »  Carlos Tomé

"Os LaFontinha provaram, mais uma vez, que são o melhor grupo de música popular da região"

1.Embora uma das imagens de marca do antigo regime fosse a opressão, felizmente existem histórias de resistência espalhadas por muitos locais. A resistência contra o fascismo não foi uma expressão meramente teórica, antes foi preenchida com muitos exemplos reais, episódios de coragem, gente de carne e osso que trocou as voltas ao destino, lutando contra ventos e marés.

Também Torres Novas foi fértil em muitos exemplos que deram corpo a essa resistência, muitas vontades abriram o peito às balas, mostraram coragem nos momentos mais difíceis, criaram coerências que frutificaram. Houve, por cá, episódios de luta contra o fascismo que marcaram gerações inteiras, moldaram o seu pensamento, determinaram muitas vidas, muitos destinos, muitos futuros.

Cá, como noutros lados, a luta revelava-se em vários domínios, crescia em forma de cantigas, fortalecendo a solidariedade e a unidade em muitos momentos. Os sons da resistência ecoaram no passado sábado no Alfa transformados na homenagem ao José Afonso assinalando os 50 anos do concerto nas grutas da Lapas.

Está bom senhor doutor? Olá senhor padre. As primeiras palavras trocadas por Francisco Fanhais e José Afonso foram apenas o sinal de uma amizade de décadas. Não se conheciam pessoalmente, mas as grutas das Lapas, precisamente há 50 anos, propiciaram uma caminhada conjunta repleta de muitos encontros, de muitas lutas, de partilha de sonhos e utopias.

A voz e o exemplo de vida de José Afonso revelou-se às claras no encontro das catacumbas de 28 de Dezembro de 1968, marcou gerações inteiras de torrejanos e determinou as opções de vida de muitos deles, alguns ainda muito jovens.

Foi um acontecimento histórico da maior importância no percurso da resistência e luta contra o fascismo. Mas não existem registos daquele momento, só a memória de alguns participantes o pode guardar, o pode registar, pelo que corre-se o risco dos tempos vindouros desconhecerem o que se passou, ignorarem a sua importância para muita gente.

50 anos depois, o espectáculo que ocorreu no estúdio Alfa teve o condão de assinalar a data, erguendo-a como uma bandeira, exibindo o simbolismo e a sua importância. O concerto registou o momento assinalando a efeméride, deu vida à história.

2. Sobre este concerto no estúdio Alfa pouco há a dizer a não ser evidenciar que mais uma vez os LaFontinha conseguiram organizar um espectáculo fantástico, aliando a música de José Afonso, à voz sempre límpida e cristalina de Francisco Fanhais, uma curta intervenção de Manuel Tiago, antigo padre, um dos organizadores do concerto de há meio século, outra de Carlos Rosa, um dos jovens dinamizadores do mesmo, e de Eduardo Bento na interpretação do agente da PIDE responsável pelo relatório que ficará nos anais da nossa história com um dos documentos mais ridículos de que há memória.

Interpretando algumas das canções menos conhecidas de José Afonso, com a qualidade que nos vêm habituando, os LaFontinha provaram mais uma vez que são o melhor grupo de música popular da região. Ver os LaFontinha é partilhar a sua humildade em palco, a seriedade das interpretações, o respeito pelo génio, é honrar a homenagem a José Afonso. Ouvir José Afonso renascido pelos LaFontinha é comungar as mesmas sensações que deram corpo aos sonhos do poeta e cantor. Este espectáculo abriu todos os sentidos e permitiu que a voz do andarilho ecoasse na sala marcando a nossa memória para sempre. Na companhia dos LaFontinha, bendita foi a voz de Francisco Fanhais que elevou o momento aos céus, transformando toda a dor em pura beleza. Foi um momento de suave tristeza desvanecido em pura felicidade. Como a dor desfolha o peito, assim os LaFontinha fizeram reviver a beleza e a serenidade da música de José Afonso por um momento. Eterno foi esse momento.

3. Nas grutas da Lapas ocorreu à mesma hora outro concerto com o objectivo de assinalar a presença de José Afonso naquele local há 50 anos, da responsabilidade do Teatro Virgínia e do Município de Torres Novas. Para além do evidente erro de casting e do falhanço em toda a linha, a iniciativa municipal é fruto de uma assumida e clara opção política e cultural. E só não vê que isso é o essencial da questão quem estiver muito distraído.

 

 

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