O meu projecto eleitoral para a autarquia
Opinião
» 2025-07-08
» António Mário Santos
Apresentados os candidatos à presidência da Câmara de Torres Novas, a realizar nos finais de Setembro, ou na primeira quinzena de Outubro, restam pouco mais de três meses (dois de férias), para se conhecer ao que vêm, quem é quem, o que defendem, para o concelho, na sua interligação cidade/freguesias. Pelo menos seis candidaturas: do PS, da AD (PSD/CDS), do P’la Nossa Terra, do Bloco de Esquerda, do PCP, do Chega. Os três primeiros, com representação na vereação municipal e noutros órgãos municipais. Bloco e PCP, na Assembleia Municipal e em algumas freguesias. O Chega em nenhum lado.
As últimas eleições legislativas, ainda que não definam os contornos de proximidade das autárquicas - onde os rostos e os cabeças de lista contam, embora as siglas e as perceções criadas e manipuladas pelos órgãos de informação e redes sociais exerçam influência perniciosa, mas real –, vieram trazer ao partidarismo político concelhio um sério aviso de que a opinião pública nacional se encontra em viragem para opções políticas de direita, assentes num renascer de caminhos anteriores ao 25 de Abril e à instauração da democracia pluralista, após a aprovação da Constituição da República Portuguesa, em 1986.
O reforço do Chega, o aumento da AD, da IL, a queda vertiginosa do PS, a lenta, mas contínua diminuição do PCP, e a quase extinção parlamentar do BE, a manutenção fragilíssima do PAN, fizeram-se, de igual modo sentir, nas opções concelhias, criando o pânico no centro-esquerda (PS), reduzindo o peso político do BE e do PCP, o primeiro com maioria absoluta há cerca de quarenta anos, o BE com acção preponderante em defesa das populações na sua passagem pela Câmara, Assembleia Municipal e nas freguesias, o PCP nas estruturas sindicais e nalguma actividade associativa.
A subida da AD a primeira força política, mudando o vermelho róseo para o laranja cada vez mais amarelado, não escamoteia a subida do Chega em todo o concelho, passando a terceira força política, saindo vitorioso em zonas de influência operária do caminho de ferro, como Riachos, Meia Via e Olaia/Paço, em segundo na Chancelaria e na urbana Santa Maria/Salvador/Santiago, mantendo o terceiro lugar nas restantes. Assente esse voto em quê? Quem é quem nesse partido? Que medidas concretas apresentou, para tal resultado no concelho de Torres Novas? Que medos avolumou na consciência do eleitor concelhio, que o levou a abandonar o voto no partido mais disseminado e com maior poder autárquico no concelho – o PS?
Ante as novas caras e a introdução de antigas, os eleitores terão de escolher. Acabou-se a luta rival Pedro Ferreira/António Rodrigues, ainda que o primeiro se mude, no fim de quarenta anos, para a Assembleia Municipal (só sai como, quando Salazar, cair da cadeira, o que demonstra uma certa inquietude e dificuldade no concelho, do candidato Trincão Marques à respectiva presidência, na constituição das suas listas). Da AD, nada de novo na frente. Tiago Ferreira repete a candidatura, agora que o concelho se apresenta com uma forte tonalidade laranja. Por sua vez, se o PCP lança um novo rosto, Júlio Costa, o BE mantém a sua candidata Helena Pinto, ambos tentando recuperar os eleitores perdidos. Fica-nos a incógnita da candidata do P’la Nossa Terra, Manuela Dias, substituta de António Rodrigues, de quem se não conhece nenhuma intervenção pública; e do candidato do Chega, José Carola, com vida profissional no Entroncamento.
O que vai acontecer, neste concelho, é uma incógnita. Duvido que qualquer partido concorrente obtenha a maioria absoluta. Os 40 anos de gestão PS, cheios de promessas e, no momento, com obras de milhões, nunca resolveu um problema fundamental do concelho: o saneamento básico. Nem o da habitação, sabendo-se que no seu território existem 3000 casas desabitadas. A AD, por sua vez, não tem programa que corresponda à necessidade duma política global de desenvolvimento integrado num conceito de regionalização. P’la Nossa Terra é o António Rodrigues e a sua saída fragiliza um projecto cujos objectivos assentavam mais em interesses de prestígio pessoal que de acção comunitária. PDP e BE, a meu ver, seriam necessários no executivo, para garantir a democracia, a defesa dos interesses das populações, a luta contra o compadrio e a corrupção.
Quanto ao Chega, do ódio e ataque aos emigrantes, do dizer mal de tudo o que é a democracia, a solidariedade, o respeito (cristão) pelo outro, de defender o nacionalismo colonial salazarista, que programa de desenvolvimento concelhio tem para apresentar? Perseguir os emigrantes? Quem trabalharia na construção civil, nas fainas agrícolas, nas limpezas, nas tarefas a que o português activo se recusa, por se considerar com mais habilitações do que as necessárias para essas tarefas?
Sou por uma Câmara maioritária de esquerda. PS, BE, PCP. Plural. Democrática. Sem maioria absoluta. Onde a AD e P’la Nossa Terra mantenham oposição responsável. Onde o Chega não vá instalar a sua mensagem racista e xenófoba.
Eis o que defendo. Creio que Torres Novas só teria a ganhar com um resultado desses.
© 2026 • www.jornaltorrejano.pt • jornal@jornaltorrejano.pt
O meu projecto eleitoral para a autarquia
Opinião
» 2025-07-08
» António Mário Santos
Apresentados os candidatos à presidência da Câmara de Torres Novas, a realizar nos finais de Setembro, ou na primeira quinzena de Outubro, restam pouco mais de três meses (dois de férias), para se conhecer ao que vêm, quem é quem, o que defendem, para o concelho, na sua interligação cidade/freguesias. Pelo menos seis candidaturas: do PS, da AD (PSD/CDS), do P’la Nossa Terra, do Bloco de Esquerda, do PCP, do Chega. Os três primeiros, com representação na vereação municipal e noutros órgãos municipais. Bloco e PCP, na Assembleia Municipal e em algumas freguesias. O Chega em nenhum lado.
As últimas eleições legislativas, ainda que não definam os contornos de proximidade das autárquicas - onde os rostos e os cabeças de lista contam, embora as siglas e as perceções criadas e manipuladas pelos órgãos de informação e redes sociais exerçam influência perniciosa, mas real –, vieram trazer ao partidarismo político concelhio um sério aviso de que a opinião pública nacional se encontra em viragem para opções políticas de direita, assentes num renascer de caminhos anteriores ao 25 de Abril e à instauração da democracia pluralista, após a aprovação da Constituição da República Portuguesa, em 1986.
O reforço do Chega, o aumento da AD, da IL, a queda vertiginosa do PS, a lenta, mas contínua diminuição do PCP, e a quase extinção parlamentar do BE, a manutenção fragilíssima do PAN, fizeram-se, de igual modo sentir, nas opções concelhias, criando o pânico no centro-esquerda (PS), reduzindo o peso político do BE e do PCP, o primeiro com maioria absoluta há cerca de quarenta anos, o BE com acção preponderante em defesa das populações na sua passagem pela Câmara, Assembleia Municipal e nas freguesias, o PCP nas estruturas sindicais e nalguma actividade associativa.
A subida da AD a primeira força política, mudando o vermelho róseo para o laranja cada vez mais amarelado, não escamoteia a subida do Chega em todo o concelho, passando a terceira força política, saindo vitorioso em zonas de influência operária do caminho de ferro, como Riachos, Meia Via e Olaia/Paço, em segundo na Chancelaria e na urbana Santa Maria/Salvador/Santiago, mantendo o terceiro lugar nas restantes. Assente esse voto em quê? Quem é quem nesse partido? Que medidas concretas apresentou, para tal resultado no concelho de Torres Novas? Que medos avolumou na consciência do eleitor concelhio, que o levou a abandonar o voto no partido mais disseminado e com maior poder autárquico no concelho – o PS?
Ante as novas caras e a introdução de antigas, os eleitores terão de escolher. Acabou-se a luta rival Pedro Ferreira/António Rodrigues, ainda que o primeiro se mude, no fim de quarenta anos, para a Assembleia Municipal (só sai como, quando Salazar, cair da cadeira, o que demonstra uma certa inquietude e dificuldade no concelho, do candidato Trincão Marques à respectiva presidência, na constituição das suas listas). Da AD, nada de novo na frente. Tiago Ferreira repete a candidatura, agora que o concelho se apresenta com uma forte tonalidade laranja. Por sua vez, se o PCP lança um novo rosto, Júlio Costa, o BE mantém a sua candidata Helena Pinto, ambos tentando recuperar os eleitores perdidos. Fica-nos a incógnita da candidata do P’la Nossa Terra, Manuela Dias, substituta de António Rodrigues, de quem se não conhece nenhuma intervenção pública; e do candidato do Chega, José Carola, com vida profissional no Entroncamento.
O que vai acontecer, neste concelho, é uma incógnita. Duvido que qualquer partido concorrente obtenha a maioria absoluta. Os 40 anos de gestão PS, cheios de promessas e, no momento, com obras de milhões, nunca resolveu um problema fundamental do concelho: o saneamento básico. Nem o da habitação, sabendo-se que no seu território existem 3000 casas desabitadas. A AD, por sua vez, não tem programa que corresponda à necessidade duma política global de desenvolvimento integrado num conceito de regionalização. P’la Nossa Terra é o António Rodrigues e a sua saída fragiliza um projecto cujos objectivos assentavam mais em interesses de prestígio pessoal que de acção comunitária. PDP e BE, a meu ver, seriam necessários no executivo, para garantir a democracia, a defesa dos interesses das populações, a luta contra o compadrio e a corrupção.
Quanto ao Chega, do ódio e ataque aos emigrantes, do dizer mal de tudo o que é a democracia, a solidariedade, o respeito (cristão) pelo outro, de defender o nacionalismo colonial salazarista, que programa de desenvolvimento concelhio tem para apresentar? Perseguir os emigrantes? Quem trabalharia na construção civil, nas fainas agrícolas, nas limpezas, nas tarefas a que o português activo se recusa, por se considerar com mais habilitações do que as necessárias para essas tarefas?
Sou por uma Câmara maioritária de esquerda. PS, BE, PCP. Plural. Democrática. Sem maioria absoluta. Onde a AD e P’la Nossa Terra mantenham oposição responsável. Onde o Chega não vá instalar a sua mensagem racista e xenófoba.
Eis o que defendo. Creio que Torres Novas só teria a ganhar com um resultado desses.
A educação das massas
» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
A esquerda tem uma explicação para a viragem à direita que tem assolado a Europa (e não só): a culpa é da governação da direita moderada que leva as massas, frustradas nas suas expectativas, a aderir ao discurso populista da extrema-direita. |
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades?
» 2026-08-08
» António Gomes
As justificações que o presidente da Câmara de Torres Novas tem apresentado para as dificuldades da governação local prendem-se, sobretudo, com a herança que encontrou. “Estou a resolver casos com 20 anos e mais, se querem saber quais perguntem-me que eu digo. |
Caderneta completa
» 2026-08-08
» Carlos Paiva
Torres Novas está prestes a completar a caderneta. Faltava o Mercadona, ele aí vem. Acontece sempre uma sensação de excitação e plenitude quando finalmente o cromo em falta se revela ao abrir a saqueta. Claro que a defesa do comércio tradicional, argumento de vendas em várias campanhas e discursos, foi defendido heroicamente. |
Leituras de férias
» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
Agosto, tempo de férias para muitos. Não tanto para mim, pois cheguei àquela fase da existência em que todos os tempos são de férias. Deixo, porém, algumas sugestões de leitura. Comecemos pela mais surpreendente. |
É tempo de mudança
» 2026-07-07
» António Mário Santos
Algo que deveria fazer parte da agenda de quem quer seguir a carreira política: não descer ao facilitismo de promessas. Muitas vezes, quando a inexperiência ainda não carreou o cimento necessário à estabilidade da actividade política, tenta-se acreditar que basta uma atitude mais assertiva para o que se encontra há muito emperrado ceder à pressão da urgência do desbloqueio, já que a sua manutenção, sem fim à vista, cria uma atitude de protesto e desagrado populacional, e gera um sem número de interrogações, onde os quem, os porquês, se misturam num diz-se diz-se dificilmente removíveis do desencanto público. |
É só uma fase
» 2026-07-07
» Carlos Paiva
O ciclo de vida de uma área de negócio (empresa, departamento, produto) compreende cinco fases: desenvolvimento, crescimento, maturidade, declínio e extinção. Algures durante a fase de maturidade é onde se deve intervir, com o objectivo de evitar as duas fases seguintes. |
Mundial de Futebol e Tour de França
» 2026-07-07
» Jorge Carreira Maia
Dois grandes acontecimentos desportivos: o Mundial de Futebol e o Tour de França, a começar dia 4. Não vou escrever sobre nenhum deles, nem sequer sobre o desempenho de Portugal, de que só conheço o da fase de grupos. |
Rio Almonda: uma masturbação torrejana - joão carlos lopes
» 2026-06-23
É só uma questão de fazermos comparações: o que falta para aí é equipas de três ou quatro pessoas a fazer tarefas inúteis ou para encher pneus, e ninguém se sobressalta. Pessoas que não têm culpa nenhuma, é claro. |
Julgam-se donos disto tudo
» 2026-06-20
» António Gomes
A luta que as populações travam contra a localização da fábrica de biometano em Árgea, ou noutras localidades de Portugal ou mesmo da Europa, é uma luta justa. É uma luta em defesa da sua vida em comunidade, pela sua segurança, pelo seu futuro, pela sua qualidade de vida, pela sua saúde. |
Seis meses já dão para refletir se há ou não mudança?
» 2026-06-20
» António Mário Santos
Tenho, no ano que corre, seguido com a maior atenção as sessões públicas, quer do executivo camarário, quer da Assembleia Municipal, algo que nunca fiz nas duas últimas décadas. A maioria absoluta do Partido Socialista, no município, criara uma mentalidade de arrogância autoritária, geradora, por um lado, dum distanciamento entre governantes e governados, e, por outro, na formação duma coorte de lambebotismo acéfalo, cujos interesses próprios ou familiares assentavam na oportunidade de emprego nos quadros do pessoal municipal, nas bem aventuranças de subsídios, na aprovação de projectos de obras nunca bem clarificados, em festas e publicidade a esmo, num despesismo rotineiro não fiscalizado, que deixava um rasto de dúvidas sobre a legalidade de muitos actos de gestão. |
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» 2026-08-08
» António Gomes
Ajuste de contas, ou apenas eventuais dificuldades? |
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» 2026-08-08
» Acácio Gouveia
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» 2026-08-08
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» 2026-08-08
» Jorge Carreira Maia
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