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Gente nova, poder novo. Caminho certo? - antónio mário santos

Opinião  »  2025-11-22  »  António Mário Santos

 

Ainda não assentou a poeira do espanto e da tristeza das eleições municipais e já a boataria fervilha nas redes sociais. Da reunião mal-esclarecida entre o recém presidente José Manuel Trincão Marques e o líder da oposição Tiago Ferreira, encontra-se uma descrição em O Mirante, que informa que este último quis fumar o cachimbo de paz com o presidente socialista, desde que este lhe cedesse três lugares a tempo inteiro na vereação, e a vice-presidência do executivo. Outras vozes dizem que não foi bem assim, mas o que está escrito sem desmentido formal, é o que saiu nas páginas daquele semanário.

Um exagero de exigências, quando o que se vai revelando no Médio Tejo são as conversações, como em Tomar, entre a AD e o Chega, como o dito jornal também revela.

Significava que, anteriormente, se criticava o exagero de vereadores a tempo inteiro (cinco socialistas), numa Câmara com reconhecida apetência para a autopromoção e escassa conclusão, com benesses e ajudas de custo, e meses (para não dizer anos), na resposta a requerimentos particulares em sectores como o do Urbanismo. Com taxas altas como o IMI, sem contrapartidas na higiene e reparação de ruas e vias pública. Mais dada a festas e festivais gastronómicos, a favor do turismo do basbaque, do que na conclusão de obras e cumprimento de prazos.

Mas afinal, a ser correcta a notícia, a AD não se importava de passar de cinco para cinco e meio vereadores a tempo inteiro (O PS tem um, provisoriamente, a meio tempo), com o aumento das despesas com o pessoal político autárquico, com prejuízo das despesas de obras.

Registo que a nega do presidente José Manuel Trincão Marques, distribuindo os pelouros por si, a vice-presidente e o vereador a meio tempo, representa uma definição de gestão política de poupança evidente, mas que permite uma questão imediata: se dois e meio fazem o trabalho de cinco, o que andou o PS de Pedro Ferreira a fazer, no mínimo, nos últimos quatro anos?

A perda de votantes, dois vereadores a menos, a subida da AD (PSD/CDS), de um para três, parece-me de obrigatória reflexão, para a nova gestão autárquica. Mais ainda, quando a grupo P’la Nossa Terra de António Rodrigues se viu, sem apelo nem agravo, substituído pelo Chega de André Ventura.

Gestão que me parece muito complicada, com acenos de crítica imediata, como surgiu na primeira reunião camarária, pelo vereador deste último partido, ao questionar a distribuição do pelouro do Urbanismo pela vice-presidente, alegando que estava mais preparado que ela para o dirigir.

Destes e outros remoques se encherão as futuras sessões públicas, com a maioria da oposição a marcar o ritmo e o rumo da gestão autárquica.

José Manuel Trincão Marques, para tal embate, necessita dum gabinete de apoio de grande eficácia e experiência, com capacidade para as alterações que, no quadro de pessoal, há muito exigem clarificação, pelo avolumar de técnicos intermédios e superiores, em detrimento dos sectores de execução.

Já o escrevi e repito: se o actual presidente intenta levar para diante a gestão do seu programa, sem cedências de lugares à oposição, terá de avançar para uma relação eleito/eleitor muito mais directa, com um diálogo constante com as outras forças políticas de centro-esquerda e esquerda, uma maior disponibilidade para os órgãos de informação concelhia, rádio e imprensa, um contínua proximidade com as freguesias, uma explicação continua aos eleitores do que pretende fazer para o desenvolvimento económico, social, educativo, cultural ambiental do concelho.

Claro que a política nacional exerce profunda influência, os resultados eleitorais últimos bem o comprovam. Mas o pior de tudo é o autismo, o fecho na concha das suas certezas, o julgar-se que o povo não está atento. Esse caminho é o da entrega ao adversário, não só da bola do jogo, mas do apito do árbitro, do campo do jogo, do próprio balneário.

Em tempo de muita indecisão e jogos de bastidores, quando o sebastianismo aventureiro aponta para um desastre tipo Alcácer -Quibir da democracia, há que repensar na defesa de Abril e da justiça social, com a melhoria das condições de vida da sociedade, e ganhar os jovens para essa tarefa de reposição do humanismo como forma de intervenção na construção da sociedade plural, sem descriminações de qualquer espécie.

O municipalismo é a chave. Já Alexandre Herculano, no século XIX, o visionara.

 

 

 

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