• SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
Directora: Inês Vidal   |     Sexta, 19 de Outubro de 2018
Pesquisar...
Seg.
 25° / 14°
Períodos nublados com aguaceiros e trovoadas
Dom.
 23° / 14°
Períodos nublados com chuva fraca
Sáb.
 25° / 15°
Períodos nublados com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  24° / 14°
Céu nublado
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

A anemia democrática

Opinião  »  2018-04-05  »  Jorge Carreira Maia

"A agonia da vida democrática nasce precisamente do facto do cadáver da cristandade ter sido completamente consumido. "

Se olharmos para as três principais ideologias políticas que estruturaram as democracias representativas, conservadorismo, liberalismo e socialismo (cada uma delas com diversas nuances), descobrimos que resultaram da implosão da visão cristã do mundo. O conservadorismo liga-se à ideia de tradição e de autoridade da Igreja (mesmo de uma Igreja reformada que rompeu com a Igreja Católica e as ideias de tradição e de autoridade). O liberalismo funda-se na crença de que os cristãos procuram a liberdade dos filhos de Deus e também na ideia de livre-arbítrio, ligada à liberdade de escolha. O socialismo emana da visão de comunidade, de uma comunhão na fé e na esperança de salvação. A implosão da visão cristã do mundo, que tem os seus começos no século XIV, na filosofia de Guilherme de Ockam, libertou cada uma destas perspectivas e permitiu que se especializassem como ideologias em sociedades cada vez mais seculares.

O que era um organismo, ao cindir-se, estruturou um horizonte que permitiu alicerçar crenças políticas e sociais diferentes – por vezes, antagónicas – e, ao mesmo tempo, um campo de conflito e de negociação. As democracias, até há pouco, viveram nesse horizonte proveniente da desagregação da cristandade ocidental. Na verdade, pode-se afirmar que as democracias se alimentaram do generoso cadáver da velha ordem cristã. Por isso, elas eram ainda formas políticas cristãs, se bem que sob um véu secular. Ora um cadáver, mesmo generoso, não é eterno. O facto de as nossas sociedades se terem tornado pós-cristãs, de os valores fundamentais que regem as decisões dos indivíduos provirem de outros lados, não poderá deixar de ter um impacto sobre os regimes políticos democráticos.

A agonia da vida democrática nasce precisamente do facto do cadáver da cristandade ter sido completamente consumido. As visões morais, sociais, políticas e económicas, que estruturavam as ideologias dos conservadorismos, dos liberalismos e dos socialismos, perderam a sua fonte de alimentação e, perante a avassaladora anemia que as atinge, entregam-se nas mãos do primeiro curandeiro exaltado que encontram. Estamos a chegar a um momento em que possuímos instituições e rituais democráticos mas aos quais falta o alimento. Instituições e práticas políticas que se tornaram destituídas de sentido podem durar algum tempo, mas acabarão por desaparecer substituídas por algo que pareça mais adequado. A crise das democracias está precisamente ligada ao fim dos valores que as alimentavam. O problema para quem defende a democracia representativa é esse: como alimentá-la se as suas fontes de nutrição desapareceram?

http://kyrieeleison-jcm.blogspot.pt/

 

 

 Outras notícias - Opinião


Casimiro Pereira… dedicação e simplicidade »  2018-10-12  »  Anabela Santos

Pego na caneta, no papel, sento-me na mesa do café e questiono-me: como me atrevo a escrever sobre este senhor? – Não sei, corro o risco, simplesmente.

Era uma miúda, criança mesmo, quando Casimiro Pereira começou a sua vida autárquica em Torres Novas.
(ler mais...)


Como prevenir e tratar infeções urinárias »  2018-10-12  »  Juvenal Silva

Como prevenir e tratar infeções urinárias

As infeções urinárias são muito incómodas e mais recorrentes nas mulheres, que as obrigam a consultas médicas algumas vezes ao ano. Normalmente, o tratamento consiste na toma de antibióticos, que matam a infeção presente, mas deixam a bexiga vulnerável a uma próxima invasão bacteriana.
(ler mais...)


Venha daí um refrigerante fresquinho! »  2018-10-12  »  Miguel Sentieiro

Sumol é um dos actuais alvos da implacável máquina fiscal. Essa refrescante bebida de laranja, com bolhinhas, que nos alivia o calor no pingo do verão, afinal é um vilão cheio de sacarose para nos envenenar.
(ler mais...)


Passa »  2018-10-12  »  Inês Vidal

A Golegã auto intitula-se capital do cavalo. Veiga Maltez gostava de cavalos, havia cavalos na vila, sacou daquela da cartola e um dia disse: “cavalos são na Golegã”. A ideia pegou, vendeu e hoje já não é só o presidente que lhe chama assim.
(ler mais...)


The Times They Are A-Changin` »  2018-10-12  »  Jorge Carreira Maia

Ouvida nos dias que correm, a canção de Bob Dylan não deixa de parecer uma singular ironia, uma ironia que atinge o cerne das crenças que estão no coração das gerações que fizeram da balada dylaniana um símbolo do caminho para o paraíso.
(ler mais...)


O papel dos cidadãos »  2018-09-27  »  Jorge Carreira Maia

No início do ano lectivo, costumo explicar aos meus alunos de Ciência Política que a política é o lugar do mal. No seguimento da lição de Thomas Hobbes, tento mostrar-lhes que a política existe porque nós não somos moralmente irrepreensíveis e, movidos por interesses egoístas, fazemos mal uns aos outros.
(ler mais...)


Suave cumplicidade »  2018-09-26  »  Carlos Tomé

Aqui há um ano, prometeram que o homem ia voltar e ele voltou mesmo. Nessa altura o homem era o José Afonso, e a sua música ecoou tão simples e tão pura no auditório do Hotel dos Cavaleiros que os LaFontinha conseguiram o milagre de ressuscitar o genial autor de geniais canções, que agora querem tratar como um vulgar herói nacional grato ao poder, e cuja gratidão o poder reconhece com o panteão, retirando-o da terra e do povo que ele sempre adorou.
(ler mais...)


Podemos ou não prevenir as doenças oncológicas »  2018-09-26  »  Juvenal Silva

Como ocorre em muitas outras doenças crónicas e mortais, e apesar de décadas de investigações e milhões de dólares investidos, a ciência ainda não consegue definir a causa do crescimento descontrolado das células tumorais.
(ler mais...)


Orçamento Participativo, alguém se lembra dele?.. »  2018-09-26  »  Nuno Curado

Vamos ter mais um ano sem um Orçamento Participativo (OP) aqui em Torres Novas. Lembrei-me disso ao ver a notícia dos recentes vencedores do OP em Abrantes. O ano passado, o OP não avançou no nosso concelho com o argumento de ser ano de eleições.
(ler mais...)


As caixas de correio e a liderança »  2018-09-26  »  António Gomes


A imagem que acompanha esta crónica pode ser o espelho da degradação do centro e da cidade de Torres Novas. Chegámos aqui por responsabilidade do PS: abandono, desleixo, insegurança.

A fotografia foi tirada há três anos, mas já tudo estava assim antes.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 10 dias)
»  2018-10-12  »  Jorge Carreira Maia The Times They Are A-Changin`
»  2018-10-12  »  Juvenal Silva Como prevenir e tratar infeções urinárias
»  2018-10-12  »  Miguel Sentieiro Venha daí um refrigerante fresquinho!