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Assobiar para o lado

Opinião  »  2017-10-17  »  João António

"No caso das autarquias e olhando especificamente para Torres Novas, há a necessidade urgente de criar um projecto desportivo para o nosso concelho"

Escrevo-vos sobre um tema que me é caro, o associativismo desportivo, ao qual já dediquei mais de metade da minha vida com grande amor e paixão. Notem que é nas mãos dos clubes e associações desportivas que está o principal motor de desenvolvimento do desporto, um dos sectores mais mediático e em que o país é mais competitivo.

Tem havido nos últimos anos uma maior produção de legislação e regulamentação desta área tão específica da nossa sociedade, mas que não se traduz, por parte do Estado Português, num maior investimento financeiro, ou seja, mais obrigações mas menos direitos.

Este paradigma provoca, claro está, um desinteresse por parte do cidadão normal em ligar-se a instituições. Sendo cada vez mais difícil arranjar pessoas para tomar conta dos clubes, há dois problemas que se agravam: o mais grave é a extinção das próprias associações; o outro, não menos penalizador, é a sua sobrevivência em situação ilegal, sem qualquer tipo de acompanhamento ou apoio dos inúmeros institutos, gabinetes estatais e autárquicos, sorvedouros de dinheiros públicos que, em muitos casos e sob a capa do cumprimento da legislação produzida, não servem os interesses do sector e não têm repercussões significativas no desenvolvimento desportivo da nossa comunidade.
Como resolver estes problemas, é a grande questão.

Da parte do Estado e de uma vez por todas, é necessário criar uma forma de valorizar aqueles que lideram, participam ou se envolvem nos clubes e associações. Pode ser sob a forma de benefícios sociais, fiscais ou outro tipo de reconhecimento por dedicação pública, mas aqui fica o repto para que algo seja pensado nesta matéria.

No caso das autarquias e olhando especificamente para Torres Novas, há a necessidade urgente de criar um projecto desportivo para o nosso concelho, projecto esse que tem de ser mais do que apoiar uma ou outra atuação mais bem conseguida dos nossos dirigentes, treinadores ou atletas. No fundo, tudo o que procuramos é um caminho. Caminho esse que tem de ser traçado pela autarquia, sem curvas nem desvios, claro relativamente aos seus objetivos e definido a partir das necessidades da população torrejana. Só desta forma podemos sair de um quadro desportivo em que, esporadicamente, obtemos um resultado excepcional, sem consequências a longo prazo, para um quadro com um número elevado de praticantes, bem orientados e com resultados desportivos positivos, com regularidade, reflexo de uma sociedade mais participada e cooperante entre si.

Para os que estão já a questionar-se sobre o que tem o título a ver com isto, aqui fica o esclarecimento: o que temos visto até agora em Torres Novas é que parece que a maioria da população está resignada, assobiando para o lado como quem diz, entre dentes, isto está mal, mas podia ser pior. Não devia ser assim.

 

 

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