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Os avieiros já morreram há muito

Opinião  »  2018-01-04  »  Carlos Tomé

"Todos eram avieiros que viviam a vida de todos os rios. "

Os toros de madeira desciam pelo Tejo abaixo aproveitando a correnteza de todos os dias, galgando aluviões, espraiando-se pela areia nas margens ou pela água que invadia os campos e neles cavava húmus, a esperança de novas culturas, outras terras. No calmo calor das tardes desciam pelo Tejo toros abraçados vindos de Vila Nova da Barquinha carregados por juntas de bois pisando trilhos lamacentos de bostas.
Vindos de Vieira de Leiria, os avieiros desciam pelo Tejo e atracavam nas palhotas do Cartaxo ou do Escaroupim ou de Salvaterra ou das Caneiras e aí procuravam outras águas em melhores invernos. Muito lutaram os avieiros contra os donos do Tejo e das terras por uma nova vida e pelo ambiente. Ainda hoje o IPT de Santarém tenta recuperar essa cultura, mas ela é apenas um distante simulacro da realidade.
Na Azinhaga, no local em que as águas se juntam, as garças-reais e os patos-bravos festejam o ambiente esperando pacientemente que as águas do Almonda e do Tejo engrossem um leito só. Mas o Almonda não é só um rio, é o conjunto de todos os seus afluentes e das suas memórias, a ribeira do Alvorão, lavou muitas cuecas que a rapaziada por lá deixou, numa escapadinha a uma aula do mestre Brás na Escola Industrial, depois do primeiro cigarro às escondidas no meio das ameias do castelo, no preciso momento em que o Quilhocas brigava com um achigã preso pelo beicinho, e muitos anos antes do Fernando Pereira retirar do Paul do Boquilobo mais uma rede atafulhada de preciosidades que foi guardando na memória.
Todos eram avieiros que viviam a vida de todos os rios. E procuravam nas suas águas o reflexo da sua própria vida. Tratar o rio como amigo, saber-lhe todas as histórias, conhecer-lhe todas as manhas, morrer-lhe as tristezas, ouvi-lo atentamente, saudá-lo. Mas, quando aparecia, o Tubarão do Tejo criado por Alves Redol nos Avieiros, devorava a raia miúda, aqueles que nas águas calmas julgavam ter direito a um poucochinho do seu rio. Os avieiros faziam-lhe frente com as suas bateiras, as palhotas e a fataça na telha, mas não resistiram às mandíbulas do tempo e do bicho.
O rio a todos servia porque todos o respeitavam. E todos o mereciam, porque o seu interesse era público, servia a todos, e todos se serviam dele mesmo sem o conhecerem de perto. Era esse o seu indiscutível interesse público.
Parece que agora outros interesses se levantam e tudo fazem para espezinhar a vida dos que veem nos rios uma parte importante da vida de todos e dão a cara e põem o lombo a jeito dos novos Tubarões do Tejo, actuais donos das terras, das fábricas e dos rios, lhes ferrarem o dente. Quem ousa defender o Tejo ou qualquer outro rio, percorrendo os passos de bom cidadão, tem a vida feita num oito. Torturam-no com processos-crime, pedidos de indemnização e processos disciplinares. Afogam-no nas próprias águas do rio que tanto venera.
Os interesses que agora se levantam estão muito longe de serem públicos. Destroem tudo o que se atravessar à sua frente. Tecem à sua volta uma teia de interesses e tudo devoram. São os novos Tubarões do Tejo. Só os avieiros os podiam impedir, mas esses já morreram há muito. Já não têm Tejo para viver.

 

 

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