Transparência ou opacidade, eis a questão! - antónio mário santos
Opinião » 2025-12-05
Uma nova geração (parte de, sejamos exactos) a dirigir o município, conforme citou na última sessão extraordinária o actual presidente do executivo camarário, José Manuel Trincão Marques. Sem a presença das esquerdas partidárias, dirigida por uma minoria do Partido Socialista, com uma oposição maioritária, dividida pelo AD (PSD/CDS) e pelo Chega.
As duas sessões públicas que segui, uma extraordinária, lembraram-me a incerteza meteorológica do clima a que estamos sujeitos, que não raro contraria o seu divulgador televisivo.
Impressionou-me, sobretudo, a solenidade pacificadora que o presidente tenta dar, talvez pela influência da sua profissão, ao decurso da sessão, ainda que na onda calma do diálogo quase monólogo surjam as farpas, meio de esguelha, do acinte pessoal, meio embrulhado no celofane do discurso amendoado. Algo que a presidência recusa aceitar, porque ali estão todos para a defesa dos interesses do concelho, e a transparência dos processos o método, daqui em diante, do funcionamento.
Confesso que não percebi esse apelo de unidade, já que os programas de duas principais forças eleitas são distintos e a do Chega ainda não se sabe ao que veio, embora tenha sido eleito o candidato do país inteiro, Ventura, que por acaso não concorreu a nenhuma Câmara. Coisas que o império tece, como diria Pessoa, na sua Mensagem do Quinto Império, que já o sapateiro Bandarra defendera no século XVII. O debate de ideias, aliás, a defesa mesmo polémica de posições diversas, são o sal e a pimenta do debate de democrático. O senhorialismo conduz, inevitavelmente, à sensaboria monótona das vossas excelências e à sátira vicentina dos salamaleques. Esperemos que as novidades não envelheçam por formalismo.
Adiante, que o que me traz ao texto é a sessão privada, em que, ao que se deduz por informação na pública extraordinária, a AD apresentara um requerimento para uma auditoria financeira da (última? Últimas?) da actividade do município, que o PS, pelo presidente, transformou em auditoria externa, que fora, após debate, aprovada por unanimidade.
Já em artigos anteriores previra que essa auditoria fosse pedida pela AD, e que o PS não conseguiria opor-se à sua execução, pela correlação de forças do executivo, que neste mandato nunca lhe será favorável. Medida acertada, porque assume o que se considerava politicamente uma necessidade. A ver vamos o que daí sai…
Contudo, ao recusar a proposta (veremos se a mantém durante todo o mandato) da AD para um programa conjunto e uma partilha do poder camarária por vereadores da ambos os partidos, José Manuel Trincão Marques assumiu uma separação no centro político, entre o conceito da social-democracia, defensor da predominância do estado social, e a do neoliberalismo da direita, mais conservadora e elitista, assente na defesa dos interesses e privilégios da economia privada.
Todos sabemos que, localmente, as diferenças têm sido mínimas entre PS e PSD, nos seus objectivos - veremos o que nos vai trazer o futuro. Agrada-nos a proposta do presidente actual da transparência de processos e atitudes, mas fica-nos desde já o espinho da incerteza, quando se transferem para sessões privadas temas fundamentais que exigem obrigatório o conhecimento público das razões que levam esses temas à discussão e respectiva aprovação.
O caso da auditoria pública é um exemplo de que foi retirado ao munícipe a argumentação da necessidade daquela. Poder-se-á afirmar que estará em acta, mas todos sabemos que estas não passam de sínteses depuradas do que se disse e comentou.
Quem tem seguido, habitualmente, as sessões da Assembleia Municipal, e sabe que os partidos locais com assento no Município defendem, na generalidade, as posições dos seus pares naquele órgão legislativo, não acredita que o funcionamento quase de tribunal entre partes desavindas continue por muito tempo em mar calmo, a não ser que, como já começou a acontecer, a AD veja as suas propostas aprovadas, cedendo o PS para evitar votações que o derrotem.
Por ora, apenas em questões de menor importância, mas aguardemos quando atingirem os temas sensíveis da população concelhia: impostos municipais; quadro do pessoal; atendimento transparente dos cidadãos; investimentos e projectos em habitação, saúde, educação; fixação da população (trabalho e condições de estabilidade), sobretudo dos jovens; condições ambientais; programas de desenvolvimento económico; associativismo, desporto e cultura; subsídios; publicações promocionais; eventos e festividades.
Torres Novas, agradável cidade média do interior, precisa duma dinâmica deferente, que faça abanar o marasmo e o deixa andar, fazendo intervir as populações, quer do mundo rural, quer urbano, no seu desenvolvimento. Tarefa difícil, reconhece-se, mas que teve no passado momentos em que a cidade e o concelho ultrapassaram o quotidiano fosco da sobrevivência e se transformaram em polos de reconhecimento nacional.
Para quem duvida, uma passagem pelo Arquivo Municipal, observando as páginas dos jornais concelhios, inclusive o do extinto Almonda, mostrar-lhe-ão diversos exemplos desse perdido dinamismo.
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Transparência ou opacidade, eis a questão! - antónio mário santos
Opinião » 2025-12-05Uma nova geração (parte de, sejamos exactos) a dirigir o município, conforme citou na última sessão extraordinária o actual presidente do executivo camarário, José Manuel Trincão Marques. Sem a presença das esquerdas partidárias, dirigida por uma minoria do Partido Socialista, com uma oposição maioritária, dividida pelo AD (PSD/CDS) e pelo Chega.
As duas sessões públicas que segui, uma extraordinária, lembraram-me a incerteza meteorológica do clima a que estamos sujeitos, que não raro contraria o seu divulgador televisivo.
Impressionou-me, sobretudo, a solenidade pacificadora que o presidente tenta dar, talvez pela influência da sua profissão, ao decurso da sessão, ainda que na onda calma do diálogo quase monólogo surjam as farpas, meio de esguelha, do acinte pessoal, meio embrulhado no celofane do discurso amendoado. Algo que a presidência recusa aceitar, porque ali estão todos para a defesa dos interesses do concelho, e a transparência dos processos o método, daqui em diante, do funcionamento.
Confesso que não percebi esse apelo de unidade, já que os programas de duas principais forças eleitas são distintos e a do Chega ainda não se sabe ao que veio, embora tenha sido eleito o candidato do país inteiro, Ventura, que por acaso não concorreu a nenhuma Câmara. Coisas que o império tece, como diria Pessoa, na sua Mensagem do Quinto Império, que já o sapateiro Bandarra defendera no século XVII. O debate de ideias, aliás, a defesa mesmo polémica de posições diversas, são o sal e a pimenta do debate de democrático. O senhorialismo conduz, inevitavelmente, à sensaboria monótona das vossas excelências e à sátira vicentina dos salamaleques. Esperemos que as novidades não envelheçam por formalismo.
Adiante, que o que me traz ao texto é a sessão privada, em que, ao que se deduz por informação na pública extraordinária, a AD apresentara um requerimento para uma auditoria financeira da (última? Últimas?) da actividade do município, que o PS, pelo presidente, transformou em auditoria externa, que fora, após debate, aprovada por unanimidade.
Já em artigos anteriores previra que essa auditoria fosse pedida pela AD, e que o PS não conseguiria opor-se à sua execução, pela correlação de forças do executivo, que neste mandato nunca lhe será favorável. Medida acertada, porque assume o que se considerava politicamente uma necessidade. A ver vamos o que daí sai…
Contudo, ao recusar a proposta (veremos se a mantém durante todo o mandato) da AD para um programa conjunto e uma partilha do poder camarária por vereadores da ambos os partidos, José Manuel Trincão Marques assumiu uma separação no centro político, entre o conceito da social-democracia, defensor da predominância do estado social, e a do neoliberalismo da direita, mais conservadora e elitista, assente na defesa dos interesses e privilégios da economia privada.
Todos sabemos que, localmente, as diferenças têm sido mínimas entre PS e PSD, nos seus objectivos - veremos o que nos vai trazer o futuro. Agrada-nos a proposta do presidente actual da transparência de processos e atitudes, mas fica-nos desde já o espinho da incerteza, quando se transferem para sessões privadas temas fundamentais que exigem obrigatório o conhecimento público das razões que levam esses temas à discussão e respectiva aprovação.
O caso da auditoria pública é um exemplo de que foi retirado ao munícipe a argumentação da necessidade daquela. Poder-se-á afirmar que estará em acta, mas todos sabemos que estas não passam de sínteses depuradas do que se disse e comentou.
Quem tem seguido, habitualmente, as sessões da Assembleia Municipal, e sabe que os partidos locais com assento no Município defendem, na generalidade, as posições dos seus pares naquele órgão legislativo, não acredita que o funcionamento quase de tribunal entre partes desavindas continue por muito tempo em mar calmo, a não ser que, como já começou a acontecer, a AD veja as suas propostas aprovadas, cedendo o PS para evitar votações que o derrotem.
Por ora, apenas em questões de menor importância, mas aguardemos quando atingirem os temas sensíveis da população concelhia: impostos municipais; quadro do pessoal; atendimento transparente dos cidadãos; investimentos e projectos em habitação, saúde, educação; fixação da população (trabalho e condições de estabilidade), sobretudo dos jovens; condições ambientais; programas de desenvolvimento económico; associativismo, desporto e cultura; subsídios; publicações promocionais; eventos e festividades.
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Silvester - carlos paiva
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O primeiro orçamento deste novo ciclo autárquico é a prova dos nove - antónio gomes
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