Encontros
Opinião
» 2025-06-06
» Jorge Carreira Maia
Imagino que as últimas eleições terão sido oportunidade para belos e significativos encontros. Não é difícil pensar, sem ficar fora da verdade, que, em muitas empresas, patrões e empregados terão ambos votado no Chega. Uns, os empregados, porque ganham pouco e trabalham muito, outros, os empregadores, porque os colaboradores (como agora se diz), devido aos sindicatos, à esquerda e à democracia, ganham demais e colaboram de menos. Imagino que, no dia em que Ventura chegar ao poder, ambos ficarão felizes: os empregados passarão a ganhar mais e os patrões a pagar menos.
Outro encontro inesperado foi dos jovens rapazes com a sua masculinidade. Encontraram-na na cabine de voto. É de homem, pensaram ao pôr a cruz. O mundo tornou-se um lugar difícil para muitos jovens do sexo masculino. A escola é uma coisa boa para encontrar amigos, mas estudar é uma chatice. Coisa de meninas. E as meninas assim o fazem. Ocupam o topo dos resultados e entram nas faculdades que pretendem, para cursos que dão rendimentos interessantes, e em que cada vez menos rapazes entram. Uma masculinidade ferida pelas exigências escolares encontra a sua redenção na cruz do voto. O salvador irá pôr as mulheres no sítio, abolir a necessidade do esforço escolar e dar aos homens aquilo que eles têm direito.
Outro encontro feliz foi o do eleitor atormentado com a presença de imigrantes. Foi à cabine de voto para se desencontrar com eles e encontrar-se consigo. Pouco lhe interessa que sejam o trabalho e as contribuições desses imigrantes que lhe permitirão ter uma reforma, quando chegar o dia. Imigrantes, coisa horrível, tornam feia a paisagem humana da pátria, uma poluição visual. Mais vale morrer de fome aos 70 anos, do que suportar estas pessoas a fazerem aquilo que os portugueses não querem fazer, contribuir para que a economia não se afunde e a Segurança Social não colapse. De súbito, o eleitor atormentado descobriu a sua vocação: mártir em nome da pureza da raça.
Todo o resto, nas eleições de 18 de Maio, foram desencontros. Os partidos de esquerda desencontram-se com o seu eleitorado, quem sabe se num divórcio irremediável. A Iniciativa Liberal e o Livre subiram, mas desencontraram-se com os seus objectivos: a potência foi menor que o desejo. Até a AD de Luís Montenegro, apesar da vitória e do crescimento, se desencontrou com uma maioria que lhe permitisse fazer o que lhe vai na alma. Os portugueses –parte substancial, não se generalize – parecem muito animados e desejosos de ver o país mergulhado na confusão. E como se sabe, não há melhor lugar para encontros do que a confusão.
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Encontros
Opinião
» 2025-06-06
» Jorge Carreira Maia
Imagino que as últimas eleições terão sido oportunidade para belos e significativos encontros. Não é difícil pensar, sem ficar fora da verdade, que, em muitas empresas, patrões e empregados terão ambos votado no Chega. Uns, os empregados, porque ganham pouco e trabalham muito, outros, os empregadores, porque os colaboradores (como agora se diz), devido aos sindicatos, à esquerda e à democracia, ganham demais e colaboram de menos. Imagino que, no dia em que Ventura chegar ao poder, ambos ficarão felizes: os empregados passarão a ganhar mais e os patrões a pagar menos.
Outro encontro inesperado foi dos jovens rapazes com a sua masculinidade. Encontraram-na na cabine de voto. É de homem, pensaram ao pôr a cruz. O mundo tornou-se um lugar difícil para muitos jovens do sexo masculino. A escola é uma coisa boa para encontrar amigos, mas estudar é uma chatice. Coisa de meninas. E as meninas assim o fazem. Ocupam o topo dos resultados e entram nas faculdades que pretendem, para cursos que dão rendimentos interessantes, e em que cada vez menos rapazes entram. Uma masculinidade ferida pelas exigências escolares encontra a sua redenção na cruz do voto. O salvador irá pôr as mulheres no sítio, abolir a necessidade do esforço escolar e dar aos homens aquilo que eles têm direito.
Outro encontro feliz foi o do eleitor atormentado com a presença de imigrantes. Foi à cabine de voto para se desencontrar com eles e encontrar-se consigo. Pouco lhe interessa que sejam o trabalho e as contribuições desses imigrantes que lhe permitirão ter uma reforma, quando chegar o dia. Imigrantes, coisa horrível, tornam feia a paisagem humana da pátria, uma poluição visual. Mais vale morrer de fome aos 70 anos, do que suportar estas pessoas a fazerem aquilo que os portugueses não querem fazer, contribuir para que a economia não se afunde e a Segurança Social não colapse. De súbito, o eleitor atormentado descobriu a sua vocação: mártir em nome da pureza da raça.
Todo o resto, nas eleições de 18 de Maio, foram desencontros. Os partidos de esquerda desencontram-se com o seu eleitorado, quem sabe se num divórcio irremediável. A Iniciativa Liberal e o Livre subiram, mas desencontraram-se com os seus objectivos: a potência foi menor que o desejo. Até a AD de Luís Montenegro, apesar da vitória e do crescimento, se desencontrou com uma maioria que lhe permitisse fazer o que lhe vai na alma. Os portugueses –parte substancial, não se generalize – parecem muito animados e desejosos de ver o país mergulhado na confusão. E como se sabe, não há melhor lugar para encontros do que a confusão.
O rio que maltratamos mata-nos a sede
» 2026-05-18
» António Mário Santos
Em 20 de Março último publiquei, neste periódico, um artigo intitulado «Falemos de Cultura e do que o Município pode criar». Apontava, entre outros aspectos, um dos erros que, na minha opinião, menorizava a dimensão da actividade, neste sector específico do município: a sua municipalização, assente na pura opção dos seus técnicos, sem atenção ao que, na comunidade, se ia construindo. |
Da importância da redenção
» 2026-05-18
» Jorge Carreira Maia
Descansemos do triste estado do mundo e falemos de outra coisa. Façamos mesmo como os jogadores de Xadrez do poema de Ricardo Reis: Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia /Tinha não sei qual guerra, / Quando a invasão ardia na Cidade / E as mulheres gritavam, / Dois jogadores de xadrez jogavam / O seu jogo contínuo. |
Obras públicas concelhias
» 2026-05-18
» António Gomes
Deviam ser levadas a sério, com rigor e transparência. Mas não, em Torres Novas parece que é tudo ao contrário. Muitos se lembrarão ainda do que foi o calvário para concluir o edifício do antigo hospital, hoje Paços do Concelho, e mais recentemente o “bairro dos pobres”, bairro na Calçada António Nunes, entre outros… fez-se este caminho e parece que vai continuar. |
Todo bem vestido e sem sítio para ir
» 2026-05-18
» Carlos Paiva
Existirá sempre um leque de temas infelizes, más decisões, incompetências, desleixos, corrupção, para alimentar qualquer cronista em qualquer jornal local. A abundância temática por vezes é tal que se perde o foco no essencial e deriva-se para o acessório. |
A aposta na mobilidade não pode parar
» 2026-05-04
» António Gomes
Comemorámos o 25 de Abril e foi uma grande comemoração. Fiquei um pouco mais descansado quanto ao futuro da nossa Liberdade, a rua em 1974 foi o que decidiu o desfecho daquela data e agora, no 52.º aniversário, a rua voltou a não deixar dúvidas absolutamente nenhumas, tantas foram as pessoas por esse País fora que quiseram dizer presente para assegurar a Democracia e a Liberdade. |
Todo o mundo é composto de mudança
» 2026-05-04
» António Mário Santos
E o povo saiu à rua, dançou, cantou, sorriu. Andou de cravo na mão, a dizer aos governantes que o 25 de Abril, ainda que o não tenham maioritariamente, vivido, representa algo de muito importante, para cada geração: a liberdade. |
Resistência
» 2026-05-04
«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril». «É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. |
Pão, Paz e Liberdade
» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Não parecia possível. Pela Europa, o fascismo e o nazismo avançavam. Também ali em França, a desumanidade se organizava. Mas o que parecia impossível, tornou-se possível: o Partido Radical, o Partido Socialista Francês e o Partido Comunista Francês, com um entendimento histórico ergueram a Frente Popular. |
Os males do presente
» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Por que razão vivemos num momento de grande turbulência mundial? Haverá muita gente com respostas, umas mais sensatas do que outras. Aventuras geopolíticas das grandes potências imperiais e os habituais interesses económicos são razões que surgem para dar um sentido ao que estamos a viver. |
O MERCADO DA INDIFERENÇA
» 2026-04-28
Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, decidiu isentar a organização do Rock in Rio do pagamento de 3 milhões de euros de taxas municipais devidas pela realização daquele mega-evento. Isto é, o autarca prefere abdicar de 3 milhões de euros em favor de uma grande multinacional do entretenimento, que lucra centenas de milhões de lucro nas suas iniciativas planetárias, a alocar esses 3 milhões, que cobraria, para as necessidades da educação, da acção social ou do desporto da população da capital. |
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» 2026-04-28
O MERCADO DA INDIFERENÇA |
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» 2026-05-04
» António Mário Santos
Todo o mundo é composto de mudança |
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» 2026-05-04
» José Mota Pereira
Pão, Paz e Liberdade |
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» 2026-05-04
» Jorge Carreira Maia
Os males do presente |
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» 2026-05-04
Resistência |