Warning: file_get_contents(http://api.facebook.com/restserver.php?method=links.getStats&urls=jornaltorrejano.pt%2Fopiniao%2Fnoticia%2F%3Fn-f9e84424): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.1 404 Not Found in /htdocs/public/www/inc/inc_pagina_noticia.php on line 148
Jornal Torrejano
 • SOCIEDADE-  • CULTURA  • DESPORTO  • OPINIÃO
  Segunda, 20 Abril 2026    •      Directora: Inês Vidal; Director-adjunto: João Carlos Lopes    •      Estatuto Editorial    •      História do JT
   Pesquisar...
Qui.
 25° / 9°
Períodos nublados
Qua.
 23° / 12°
Céu nublado
Ter.
 27° / 15°
Céu nublado com chuva fraca
Torres Novas
Hoje  28° / 11°
Períodos nublados
       #Alcanena    #Entroncamento    #Golega    #Barquinha    #Constancia 

As cinco depressões do nosso descontentamento - carlos paiva

Opinião  »  2026-02-22  »  Carlos Paiva

O interesse do homem pelos movimentos e ciclos astrais é milenar. Por todo o planeta, monumentos e descobertas arqueológicas revelam esse interesse. Primariamente motivados pela passagem das estações do ano, ciclo do qual dependia o sucesso da agricultura, vital para a sobrevivência, até outras previsões, mais ligadas à superstição, embora calculadas por uma protociência baseada essencialmente no registo de acontecimentos coincidentes, por vezes justificados por vezes casuais, retiravam-se interpretações dos tempos por vir. Eventualmente formando credos e cultos que evoluíram para o formato da religião organizada.

Saber, representa poder. Reis elevaram-se, faraós caíram, ora por "adivinharem" eclipses solares e lunares com exactidão, ora por falhar em prever anos de seca extrema. As cheias anuais do Nilo eram vitais tanto pela água doce, como pela fertilização dos solos com os sedimentos arrastados de outras paragens pela corrente. Falhando o ciclo, haveria fome doença miséria. O reino ficava fraco, exposto à cobiça de outros, caía.

As cheias do Tejo, rio que nasce em território espanhol, tiveram exactamente o mesmo protagonismo funcional para a vida agrícola do Ribatejo, entretanto divorciada dos ciclos naturais por pressões económicas, não tanto pela necessidade de consumo dos bens alimentares ali produzidos. As cheias na planície aluvial do Mondego, rio que nasce em território português, encaixam em ciclos idênticos de fertilização dos solos.

Na realidade, o aproveitamento político dos ciclos naturais e de eventuais soluços disruptivos com os quais a imprevisibilidade da natureza ocasionalmente nos reduz à nossa insignificância, é milenar. O aproveitamento político, ora reforçando o poder instituído, ora determinando a sua queda, ora via superstição, ora via conhecimento científico, é um facto comum na história da humanidade. Não deveria ser surpresa. Dá nojo, mas não surpreende.

Enquanto os idiotas que nos governam proferiam frases insultuosas desprovidas de senso, exibindo escandalosamente na comunicação social a sua ignorância e incompetência com o orgulho de quem cometeu uma asneira monumental à vista de todos mas ainda não deu por isso, a sociedade civil mexeu-se. Fez o que estava ao seu alcance para ajudar quem necessitava de ajuda.

Voluntários apareceram sem ser chamados, de pá e vassoura na mão e ajudaram a limpar o lixo, a desimpedir as vias permitindo a circulação. Anónimos foram ao supermercado depois de saírem do trabalho, encheram o carro com os bens que o bom senso lhes dizia serem precisos e puseram-se a caminho das localidades mais afectadas. Gente que se viu obrigada a fazer 100 quilómetros para comprar combustível, quando chegava à caixa da estação de serviço para pagar, descobria que a despesa já estava paga. Por alguém que, entretanto, se tinha ido embora, sem esperar por um agradecimento. Empresários do turismo que disponibilizaram a totalidade dos serviços das suas unidades hoteleiras, sem custos, a quem precisasse, sem convidar as televisões para vir testemunhar. Empresários da construção civil que disponibilizaram matérias primas e transporte das mesmas, de borla ou a preço de custo, sem mostrar o nome ou logotipo da empresa em lado nenhum. Profissionais das mais diversas áreas que ofereceram os seus braços de trabalho sem cobrar honorários.

Se há alguém que está de parabéns é o Zé Povinho. O anónimo que fez o que pôde. E para o fazer, pagou IVA, pagou Segurança Social, pagou IRS/IRC. E pagou portagens na autoestrada. Porque esse sistema, curiosamente, manteve-se em pleno funcionamento, não houve intempérie que o afectasse. A isenção de pagamento veio depois e, entretanto, já desapareceu, mais rápida que ventos ciclónicos. Para este Zé Povinho, verdadeiramente humano, heroico, a cor da pele, a maneira de vestir, ou a adoração de um personagem imaginário diferente do seu, influenciaram zero.

A falta de ordenamento do território, a falta de manutenção preventiva, o licenciamento para construção à la carte, a desarticulação dos meios de resposta, as obras e intervenções fundamentais remetidas para o fundo da gaveta, as aquisições milionárias de equipamentos inadequados, a perigosidade das comunicações assentarem exclusivamente em meios digitais, as consequências deste rol de inépcias, os druidas previram, mas os governantes ignoraram.

Décadas sucessivas, governos sucessivos com a mesma postura. A chuva e o vento vieram pôr a nu as consequências. Especialmente para cidades com rios a passar dentro do perímetro urbano, esta foi a sirene de alerta. Há trabalho a ser feito, prioridades a serem revistas. Palmadinhas nas costas quando se anda a correr atrás do prejuízo, fica mal.

Só se dão parabéns, se for caso disso, no fim, com tudo resolvido. Tal como a ópera só termina depois da senhora gorda cantar. Então aplaude-se, não antes.

 

 

 

 Outras notícias - Opinião


Alívio, decadência e sensatez »  2026-04-18  »  Jorge Carreira Maia

Um suspiro de alívio. Há muito que a União Europeia não recebia uma boa notícia. Teve-a no domingo com a derrota, nas eleições húngaras, de Viktor Orbán. Mais do que a vitória de Péter Magyar, o importante foi a derrota de um claro opositor ao projecto europeu, amigo de dois grande inimigos da União Europeia, Putin e Trump.
(ler mais...)


Miau »  2026-04-18  »  Carlos Paiva

Se eu tiver 20 ovelhas e o meu vizinho nenhuma, em média, cada um de nós tem 10 ovelhas. Sem análise crítica, a estatística pode espelhar tudo e qualquer coisa, menos a realidade. Mas são necessários números para iniciar todo o processo.
(ler mais...)


Celebremos o 25 de Abril, lutemos pela dignidade no trabalho »  2026-04-18  »  António Gomes

Poucos são os que entendem e menos ainda os que concordam com as alterações à legislação do trabalho que o governo do Montenegro quer impor a toda a força.

Ninguém pediu, ninguém reivindicou alterações legislativas para as relações do trabalho, nem sequer as confederações patronais, a coligação que apoia o governo não apresentou essas ideias em campanha eleitoral, não foram por isso sufragadas, não têm legitimidade.
(ler mais...)


Bloqueio infinito... »  2026-04-14  »  Hélder Dias

Este gajo é maluco... »  2026-04-14  »  Hélder Dias

O castelo fácil »  2026-04-05  »  Carlos Paiva

Uma estratégia comercial converteu-se em moda social. Não é propriamente inédito, diversas tentativas de estimular o consumo fizeram-no inúmeras vezes. Refiro-me especificamente à "experiência". Produtizou-se a "experiência" com o intuito de revitalizar turismo, restauração, hotelaria, entretenimento e cultura.
(ler mais...)


Até quando, passado, abusarás da nossa paciência? »  2026-04-05  »  António Mário Santos

Numa ida ao museu municipal Carlos Reis, no último sábado, a fim de participar numa acção cultural com a pintora torrejana Conceição Lopes, ouvi, dum interlocutor, ao defender a construção do museu de arqueologia industrial, que «quem não está atento e não respeita o seu passado, não está a contribuir para a construção do futuro».
(ler mais...)


Constituição, Saramago e Crueldade »  2026-04-03  »  Jorge Carreira Maia

Constituição. A Constituição portuguesa faz cinquenta anos. Tem marcas da época, isto é, do processo de ruptura com o regime autoritário do Estado Novo e da intensa luta política que se seguiu.
(ler mais...)


Escolas e influenciadores »  2026-03-22  »  Jorge Carreira Maia

Provocou alarido a investigação do Público sobre a presença, em espaço escolar, de influenciadores tidos como pouco recomendáveis. Foram detectados 80 casos. Discutiu-se o papel dos directores, mas também do Ministério da Educação, no controlo das entradas nas escolas.
(ler mais...)


Painéis fotovoltaicos ou a identidade patrimonial de uma cidade »  2026-03-22  »  António Gomes

Provavelmente já vamos tarde, tal é o número de atentados ao património, à paisagem urbana e arquitetónica do centro histórico de Torres Novas.

Quase tudo começou com o desleixo e o abandono de centenas de imóveis que hoje ou são ruínas em perigo para quem passa ou em alguns casos são espaços vazios emparedados fruto da intervenção forçada do município.
(ler mais...)

 Mais lidas - Opinião (últimos 30 dias)
»  2026-04-14  »  Hélder Dias Este gajo é maluco...
»  2026-04-14  »  Hélder Dias Bloqueio infinito...
»  2026-03-22  »  António Gomes Painéis fotovoltaicos ou a identidade patrimonial de uma cidade
»  2026-04-05  »  António Mário Santos Até quando, passado, abusarás da nossa paciência?
»  2026-03-22  »  António Mário Santos Falemos de cultura e do que o município pode criar